Páginas
- Início
- Que juventude é essa!
- Tropicália
- Os Incríveis anos 60
- Movimento Hippie.
- Orwell estava certo. Huxley, também.
- Carta da Terra
- Cultura e Aculturação na Bahia
- O imperialismo cultural
- Mas é isso que é a juventude?
- "Admirável Mundo Novo"
- Utopia e Pragmatismo
- A música na ditadura militar
- Política e cultura
- 1 9 6 8 - A Revolução Inesperada
terça-feira, 4 de agosto de 2026
A loteria do nascimento
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024
Austeridade sustentáculo do moderno
quinta-feira, 11 de agosto de 2022
Em busca das origens do declínio ocidental
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
Reforma tributária precisa taxar a riqueza
Reforma tributária precisa taxar a riqueza
folha.uol| 20 de Setembro de 2019
É muito preocupante que o foco principal da reforma tributária em discussão no Congresso não seja a péssima distribuição de renda no nosso país. Claro que diminuir a burocracia, eliminar a imensidão de tributos e garantir mais recursos para estados e municípios são todos temas muito importantes, mas reduzir a desigualdade é fundamental, e o melhor mecanismo para isso seria uma taxação mais justa do Imposto de Renda. Não podemos perder essa oportunidade.
São raros os países do mundo como o nosso, onde um quarto da renda total existente fica nas mãos de apenas 1% da população. É vergonhoso, mas estamos na lista dos dez piores países do mundo em matéria de distribuição de renda. Pior é quando verificamos que nossos colegas de lista são quase todos países africanos muito pobres. Somos o único país economicamente relevante a figurar nesse ranking.
Em um momento de discussões é vital que nossos parlamentares examinem os sistemas tributários que prevalecem em outros países. Assim vão constatar que uma regra seguida por todos é que quanto mais rica a família maior a taxação e, consequentemente, o imposto pago.
Infelizmente, não é o que acontece por aqui, onde as famílias muito ricas ganham acima de R$ 320 mil por mês e pagam uma taxa efetiva de apenas 6% sobre o que recebem —enquanto isso, uma família classe média, com renda em torno de R$ 20 mil por mês, paga mais que o dobro, ou seja, 13% de imposto.
O problema se deve ao fato de que a grande maioria da classe média e dos mais pobres vive de seus salários, enquanto os muito ricos vivem do lucro de suas empresas e dos dividendos obtidos com aplicações no mercado de capitais. Acontece que, no Brasil, ao contrário da grande maioria dos países, lucros e dividendos são taxados somente no Imposto de Renda das empresas.
Há mais injustiças: o principal imposto no Brasil é o ICMS, que é estadual e recai sobre todos os produtos e serviços. Medicamentos, por exemplo, pagam uma alíquota de 18% e são consumidos por ricos e pobres. Mas, para o pobre, ao contrário do rico, o sacrifício para pagar esse imposto é enorme. É injusto, e é por isso que nos países desenvolvidos o Imposto de Renda é sempre a principal fonte de arrecadação dos governos. Ao não fazê-lo, o sistema tributário brasileiro perpetua a desigualdade. Nessa nova reforma isso poderia ser facilmente corrigido.
A outra discrepância está no imposto sobre herança. O Brasil ostenta uma das mais baixas alíquotas no mundo para o mesmo. Heranças no Brasil são tributadas pelos governos estaduais, e sobre elas incide um imposto de apenas 4%, ou um décimo do valor da alíquota do Reino Unido, onde esse tributo é um dos mais importantes. Assim mesmo, no Brasil, em 2016, os governos estaduais arrecadaram com ele R$ 7,2 bilhões. Se a alíquota fosse a mesma do Reino Unido e o imposto passasse a ser federal, teríamos uma arrecadação de R$ 72 bilhões, mais da metade do déficit fiscal anual do ano passado.
Segundo relatório do banco Credit Suisse, divulgado por esta Folha em 18 de outubro de 2018, havia no Brasil 154 mil adultos que possuíam um patrimônio pessoal de mais de US$ 1 milhão. Suponhamos, conservadoramente, que esse patrimônio seja, em média, de US$ 2 milhões. Isso significaria um patrimônio total de R$ 1,2 trilhão. Um imposto de apenas 2% sobre essa riqueza daria ao governo uma arrecadação adicional de R$ 24 bilhões. Somando-se um novo imposto sobre herança com um pequeno imposto sobre riquezas teríamos cerca de R$ 96 bilhões, o que por si só seria suficiente para eliminar nosso déficit fiscal anual.
Os exemplos acima servem para mostrar que não é tão difícil promovermos justiça fiscal condizente com um país que pretende combater a desigualdade.
Taxar os ricos e as grandes fortunas nos tornará um país um pouco mais justo e abrirá caminho para o efetivo desenvolvimento de milhões de brasileiros que hoje sobrevivem com migalhas e esmolas —as quais chamamos de programas sociais.
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/09/reforma-tributaria-precisa-taxar-a-riqueza.shtml
O crescimento vigoroso
Por que cortar gastos não é a solução para o Brasil ter crescimento vigoroso?
folha.uol| 14 de Setembro de 2019.
Vivemos a mais longa crise econômica da nossa história e o ritmo de recuperação segue muito lento, apesar da enorme capacidade ociosa da nossa indústria, mantendo um alto nível de desemprego, incertezas sobre o futuro do país e um processo de empobrecimento de amplos setores da população.
Nesse ambiente de demanda reprimida, o governo deveria estar agindo como a experiência internacional nos ensinou após a grande crise de 2008/2009, oferecendo estímulos fiscais para que o país volte a crescer de forma consistente.
Contudo, nossas autoridades e muitos economistas ortodoxos parecem continuar reféns de um diagnóstico que dominou a narrativa política nos últimos quatro anos: a ideia de que o desequilíbrio fiscal é a raiz dos problemas econômicos e o excesso de gastos públicos é a sua causa.
Além de tal diagnóstico não ser confirmado pelos números, ele tem sido usado para defender uma política de ajuste fiscal, que reduziu o investimento público ao menor nível em 50 anos e não obteve sucesso em controlar o déficit público.
Apesar do evidente insucesso dessa política e dos prejuízos sociais que dela decorrem, alguns economistas, dos quais deveríamos esperar menos dogmatismo, insistem em manter de pé o teto de gastos --a regra fiscal que congela por 20 anos o gasto público na esfera federal, uma regra que não encontra precedentes no mundo desenvolvido e que está ameaçando paralisar a máquina pública.
O que nos remete à seguinte pergunta: a insistência em um diagnóstico e uma política equivocada reflete apenas uma fé cega ou estaria a serviço de determinados interesses econômicos e políticos?
O diagnóstico está errado: a culpa não é do gasto público
A ideia de que o governo precisa cortar gastos para voltar a crescer ganhou status de mantra. Argumentos falsos e mesmo um tanto infantis como "acabou o dinheiro" e "o Brasil quebrou", em conjunto com as frequentes comparações do Orçamento do governo com o orçamento de uma família têm promovido um ambiente que deixa pouco espaço para o debate qualificado.
Não, o país não quebrou. Não, o dinheiro não vai acabar enquanto o Estado puder exercer suas funções fiscais na sua própria moeda e alocar recursos a partir das escolhas da sociedade.
(...)
Portanto, o suposto excesso de gastos públicos não explica a evolução da dívida.
Os aumentos recentes da dívida pública decorrem principalmente dos gastos com juros e da queda do crescimento econômico, que, conforme veremos, é em parte explicada pelo corte de gastos públicos.
Não obstante, há outro mito que ronda o debate público: o mito do "crescimento acelerado dos gastos obrigatórios", pleiteado por Marcos Lisboa, Marcos Mendes e Marcelo Gazzano em artigo publicado na Folha no dia 8 deste mês (Por que o governo deve cortar gastos para o Brasil crescer?).
Um crescimento acelerado é uma referência ao aumento da taxa de crescimento. No entanto, ao contrário do que os autores argumentam, os dados mostram que a taxa de crescimento do gasto público caiu desde 2011, tanto os discricionários quanto os obrigatórios.
A taxa de crescimento real das despesas primárias do governo federal desacelerou de 5,2% ao ano no período de 2003 a 2010 para 3,5% no período de 2011 a 2014 e, finalmente, para 0,5% no período de 2015 a 2018. No entanto, a desaceleração das receitas nesses períodos foi maior, o que resultou na deterioração do resultado primário.
Ao analisar a evolução da composição das despesas entre 2002 e 2014, apontada por alguns como o período de "gastança", não se verifica um aumento substantivo dos gastos do governo federal em relação ao PIB, tampouco da proporção do gasto com pessoal, que se reduz em 0,7 p.p. do PIB.
As despesas que aumentam são as transferências para as famílias (0,6 p.p. do PIB), Educação (0,5 p.p.), investimentos (0,3 p.p.) e despesas correntes (0,3 p.p.).
Portanto, o maior aumento relativo foi dos investimentos públicos. Os investimentos cresceram em média 8,5% ao ano entre 2003 e 2010 e caíram 31% em média por ano, entre 2015 e 2018.
Remédio errado: corte de gastos não gera crescimento
Para além dos mitos criados em torno do excesso de gastos públicos, o debate brasileiro também está preso à ideia de que o ajuste fiscal e o corte de gastos contribuem para o crescimento econômico, a chamada tese da "contração fiscal expansionista", formulada por Alberto Alesina e outros economistas italianos na década de 1990.
Essa tese passou a ser desconstruída, desde 2012, pelos fatos e por novos estudos, até mesmo do FMI (Fundo Monetário Internacional), demonstrando as falhas da metodologia usada para embasar a conclusão.
Como argumentou Paul Krugman, a austeridade é um culto em decadência e a pesquisa que lhe dava suporte foi desacreditada. Há estudos que mostram que, além do efeito recessivo, a austeridade também provoca um aumento da dívida pública e uma piora da desigualdade social.
(...)
Diante do exposto, a interpretação de que a crise brasileira é decorrente de excessos de gastos não faz nenhum sentido, assim como cortar gastos não contribuirá para a retomada do crescimento.
Não se quer com isso dizer que o desempenho macroeconômico, a partir de 2015, esteja relacionado exclusivamente ao corte das despesas públicas, pois a crise brasileira deve ser estudada a partir de suas múltiplas determinações.
Entretanto, todas as evidências mostram que a virada na política econômica para a austeridade em 2015 contribuiu para o aprofundamento da recessão.
Consequências e aspectos políticos da austeridade
Como mostrado no livro "Economia para Poucos", os efeitos sociais da austeridade já podem ser notados na restrição de acesso a saúde, educação, moradia e à deterioração do ambiente. Dada a sua seletividade, tais políticas impactam mais fortemente alguns grupos, especialmente negros e mulheres.
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/09/por-que-cortar-gastos-nao-e-a-solucao-para-o-brasil-ter-crescimento-vigoroso.shtml
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
País só terá sucesso se pacificar a política, diz dono da MRV
País só terá sucesso se pacificar a política, diz dono da MRV
folha.uol| 30 de Setembro de 2019
O Brasil está esfacelado e não voltará a se desenvolver sem união política, afirma Rubens Menin, controlador de um dos maiores grupos empresariais brasileiros.
O problema, segundo ele, é que não há hoje político capaz de pacificação. “Quem hoje está lutando para conciliar o país? Não vejo ninguém.”
Para o empresário, que fundou há 40 anos a construtora MRV, a agenda econômica é insuficiente. “Não dá para crescer se a classe média ficar para trás, e igualdade de oportunidades é fundamental se quisermos ter uma nação.”
Na economia, ele diz que o impacto da queda dos juros está sendo subestimado, e considera a reforma administrativa e privatizações uma prioridade, porque será inútil mudar tributos sem cortar gastos. “O Estado tem que ser reduzido e ser supereficiente.”
Principal investidor da CNN Brasil, Menin afirma que se enganam os que afirmam que a emissora será “chapa-branca”: “Não defendo nem ataco o atual presidente”.
Segundo ele, imprensa é “ferramenta de educação da sociedade” e o país precisa de “nacionalismo inteligente”: “Temos que gostar mais do Brasil”.
O empresário também falou sobre o que deve mudar na forma de as pessoas morarem e conviverem com os vizinhos.
A MRV fez 40 anos. O que espera dos próximos 10?
Mais que do ponto de vista econômico, as empresas têm que ser instrumento de mudança social. O mundo passa por um desafio muito grande: houve crescimento, mas metade do mundo não cresceu. Isso não fica de pé. Acredito no capitalismo, mas temos que arrumar uma solução para isso.
Onde o capitalismo falhou?
Ainda é o melhor sistema, mas precisa evoluir. Um dos maiores problemas hoje é a “affordability” [ter um preço que permita que as pessoas comprem]. A classe média está cada vez mais comprometida com saúde, educação, lazer, internet... Vai ser uma das grandes discussões mundiais daqui para a frente, e o Brasil precisa entrar nela.
O sr. escreveu recentemente em seu blog que, para se desenvolver, o Brasil precisa de união política.
Não tenho dúvida. É um dos problemas principais. O Brasil está todo esfacelado, e se não houver uma união nacional…
Como fazer isso num país conflagrado?
Precisa de uma agenda mínima que atenda a todos, remar todos juntos para o mesmo lado. Um país não tem sucesso sem essa união. Sem uma agenda comum, justa, equilibrada, não vai… Não estou falando das minorias, mas de consenso e agenda nacional comum.
(...)
A agenda boa é liberal do ponto de vista da economia?
Não só. O social também. O Brasil ideal é o Brasil da pacificação em que haja uma agenda econômica e uma agenda social.
Como social o sr. considera igualdade de oportunidade? Distribuição de renda?
Tudo, tudo. Não adianta ficar ilhado. A discussão da Roundtable 200 [grupo dos maiores empresários americanos, que recentemente defendeu capitalismo com inclusão social] para mim é o estado da arte hoje. Não dá para crescer se a classe média ficar para trás, e igualdade de oportunidades é fundamental se quisermos ter uma nação.
Outro fator, no qual eu vinha sendo low profile, é a filantropia [ele integra o Bem Maior, que reúne empresários filantropos]. Nos EUA, eles doam 2% do PÌB, na Inglaterra 1,5%, no Brasil, 0,2%. É preciso devolver para a sociedade. Um dos problemas é que não há bons projetos para doar. Não adianta ter dinheiro sem gestão, projetos e gente. Se a gente conseguir mostrar resultado para a sociedade, isso vai funcionar, e o Brasil precisa muito disso. Não podemos estar neste mundo a passeio.
(...)
RAIO-X
Rubens Menin Teixeira de Souza, 63
Engenheiro civil pela UFMG
Sócio-fundador e presidente do conselho da MRV, do banco Inter, da Log Commercial Properties e da americana AHS
Licenciou para o Brasil a marca CNN e é seu principal investidor.
Escolhido como empreendedor mundial de 2018 pela consultoria EY.
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/09/pais-so-tera-sucesso-se-pacificar-a-politica-diz-dono-da-mrv.shtml
segunda-feira, 27 de maio de 2019
Brasil, na contramão do mundo.
No Brasil, os impostos indiretos, ou seja, sobre o consumo, representam 16,84% do PIB – acima dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cuja média é de 10,90%. Nesse caso, a cobrança é igualitária: ou seja, todas as classes sociais pagam o mesmo percentual de impostos para consumir bens e serviços, indiferentemente da capacidade contributiva de cada uma.
“Imposto sobre consumo tem esse problema. Um quilo de feijão tem o mesmo custo tributário para uma pessoa de baixa renda e uma de alta renda. Então, a constatação é muito clara: se nós não transformarmos o sistema tributário num sistema que redistribua riqueza via tributação justa, nós vamos continuar patinando e praticando uma injustiça fiscal, que é o outro lado da injustiça social”, defende Floriano Neto.
A cobrança indireta sobre o consumo também representa 49,68% da carga tributária bruta do país, enquanto, na OCDE, esse índice é de cerca de 32%. Como contraponto, os defensores da reforma solidária propõem que o país reveja os percentuais e reduza esse tipo de arrecadação para cerca de 12% do PIB e 36% da carga bruta.
“Ao fazer isso, a gente poderia potencializar a economia interna. O consumo das classes baixas seria potencializado”, sublinha Roni Barbosa, da direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), acrescentando que isso contribuiria para uma melhora da qualidade de vida da classe trabalhadora.
Imposto de Renda
Outras medidas também são consideradas essenciais. Para o Brasil atingir um patamar de justiça fiscal, as entidades consideram que seria preciso remodelar a tabela do Imposto de Renda (IR).
Os especialistas calculam que o país poderia adotar a seguinte configuração: os 11 milhões de pessoas que recebem até quatro salários mínimos deixariam de pagar IR; os 14 milhões com renda entre quatro e 15 salários pagariam imposto menor; os 3 milhões que recebem entre 15 e 40 salários seguiriam com as taxas atuais; enquanto as 750 mil pessoas que ganham acima de 40 salários, que são as de renda mais alta, teriam que pagar imposto maior.
Arrecadação
Essa reestruturação da cadeia tributária teria potencial também para oxigenar a saúde financeira dos cofres públicos, ao contrário da baixa na arrecadação que se poderia supor por conta da redução dos impostos sobre o consumo.
“Na média, não haverá um prejuízo para a União ou para o estado. A arrecadação será a mesma ou a arrecadação da União será maior ainda porque, se as pessoas vão pagar menos impostos, elas vão consumir mais e a economia volta a girar, e podemos ter até o início de uma retomada do crescimento econômico, que não estamos tendo hoje”, pontua o deputado Ênio Verri (PT-PR), membro da Frente Parlamentar Mista pela Reforma Tributária e da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
As entidades projetam que o país poderia elevar em R$ 253,7 bilhões as receitas de tributação sobre a renda e reduzir em R$ 231 bilhões as de tributos sobre bens e serviços. Também poderia elevar em R$ 73 bilhões a tributação sobre o patrimônio e diminuir em R$ 78,7 bilhões os tributos sobre a folha de pagamentos.
Desigualdade
A lógica da desigualdade é um fator preponderante no sistema tributário nacional. Com uma cobrança elevada em cima das camadas mais baixas e taxas mais modestas para aqueles de renda mais alta, o Estado acaba legitimando um modelo que incentiva a lógica a desigualdade. O país cobra, por exemplo, apenas 1,80% de incidência de impostos sobre transações financeiras e 4,44% sobre propriedade.
Além disso, entre os membros da OCDE, somente Brasil e Estônia não tributam lucros e dividendos. Um estudo divulgado em abril deste ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calcula que, caso criasse uma alíquota sobre esses itens, o país poderia aumentar a arrecadação de R$ 22 bilhões para R$ 39 bilhões – montante que poderia ajudar a reduzir a desigualdade social, segundo os especialistas.
O país está em 10º lugar no ranking dos mais desiguais do mundo, de acordo dados da ONU. E o problema está no centro das preocupações não só de especialistas, mas também da sociedade em geral: uma pesquisa da Oxfam realizada pelo instituto Datafolha neste ano mostrou que 67% dos brasileiros entrevistados consideram que a prioridade governamental deveria ser a redução das desigualdades. Além disso, 61% opinaram que o país deveria reduzir impostos sobre bens e serviços e aumentar o IR dos segmentos mais abastados.
Reforma tributária solidária seria mais eficaz que a PEC da Previdência; entenda
Edição: Aline Carrijo
brasildefato.com.br | 19 de Maio de 2019 08:45
terça-feira, 21 de maio de 2019
Neoliberalismo, riscos públicos
Crônica dos 10 anos da crise que mudou o mundo
O capitalismo sem quebra é como o cristianismo sem inferno. A destruição criativa que o verbo “quebrar” proporciona é uma das varinhas mágicas do sistema: os indivíduos quebram, as empresas quebram, até os países quebram, e dessa maneira se supõe − se supõe − que a economia se regenera, purifica-se, expia seus pecados e é capaz de seguir adiante. Essa regra de ouro vale para todos os agentes econômicos. Com uma sonora exceção: os grandes bancos, algo assim como o aparelho circulatório da economia global.
(...)
“Nova York e o sistema financeiro: densidade, imensidão, complexidade”, escrevia este repórter com caligrafia apressada em um bloco de anotações recém-estreado um dia depois do 15/9, em pleno momento Lehman, diante da sede desse banco-pesadelo e ao lado de um fotógrafo de um tabloide que montou guarda durante dias para ver se algum banqueiro acabaria se jogando pela janela. Cada calamidade econômica deixa uma imagem de impacto: em 1929, sim, executivos se jogaram de seus escritórios para o vazio; nesta crise, por sua vez, os banqueiros das entidades quebradas embolsaram suculentas indenizações e o suicídio de maior impacto foi bem diferente: o de um aposentado grego exposto à miséria.
Juntamente com as imagens emblemáticas, cada uma das grandes crises provocou em sua época enormes mudanças: a de 1929 e a posterior guerra mundial deram origem ao keynesianismo, a uma forte regulação financeira e a 30 anos gloriosos de grande crescimento; a estagflação dos anos setenta acabou com Keynes e levou à contrarrevolução conservadora.
A Grande Recessão pode ser lida como um fracasso devastador do livre mercado, e mesmo assim quase nada mudou: Wall Street continua sendo “densidade, imensidão, complexidade” e os mesmos velhos vícios da economia permanecem vigentes. De qualquer forma, a crise foi um extraordinário catalisador para uma das grandes preocupações destes tempos, o auge irrefreável do populismo. Talvez a quebra, enfim, tenha chegado à aparentemente indestrutível democracia liberal, que durante tantas décadas protagonizou um suposto fim da história e pareceu inseparável do capitalismo.
Mas que os fatos falem por si mesmos, como diria o grande Alejandro Bolaños, um dos mais brilhantes cronistas desta crise: as horas posteriores à quebra do Lehman foram um autêntico caos no número 745 da Sétima Avenida, a um passo do Central Park, em plena Manhattan. “Uma confusão de limusines, unidades móveis e guardas de segurança giram ao redor de dezenas de executivos recém-despedidos”, pode ler-se no citado bloco do estupefato enviado especial. Não havia no mundo banqueiros mais arrogantes e desumanos que os do Lehman Brothers: daí a potência visual dessas imagens, essa fila de jovens financistas cabisbaixos levando seus pertences em caixas de papelão. Nesse 15/9 foi aberta a caixa de Pandora: “Estivemos extremamente perto de um colapso financeiro global”, escreveu Ben Bernanke, ex-presidente do FED e uma das personalidades fundamentais na gestão daquele caos. A resposta foi, basicamente, não voltar a deixar que ninguém mais quebrasse. “Se não houver ajuda, tudo pode ir para o inferno”, advertiu em 24 de setembro, apenas nove dias depois, um melancólico George W. Bush, suposto apóstolo do livre mercado e, na época, presidente dos Estados Unidos.
Assim, depois do Lehman, as finanças voltaram ao cristianismo sem inferno: a gigantesca seguradora American International Group (AIG) foi nacionalizada; Merrill Lynch, a corretora de Bolsa mais famosa dos EUA, evitou o colapso vendendo-se ao Bank of America (com muito dinheiro público, claro, no meio); Goldman Sachs e Morgan Stanley, os supostos senhores do universo, tornaram-se bancos regulados pelo FED para poder ter acesso às garantias públicas; o pânico atingiu o mercado de fundos monetários, com uma fuga de capitais que precipitou o congelamento do mercado interbancário internacional; o maior banco de poupança dos Estados Unidos, o Washington Mutual, e o quarto maior banco do país, o Wachovia, caíram em meio às chamas e foram adquiridos por uma miséria pelo Estado; o secretário do Tesouro, Hank Paulson, ficou − literalmente − de joelhos no Congresso para ativar um monumental plano de resgate no valor de 700 bilhões de dólares (2,8 trilhões de reais), que foi seguido por estímulos fiscais e fortes injeções de dinheiro público nos bancos em todo o mundo.
Ninguém tinha visto nada parecido. Aquele trimestre dos infernos, o último de 2008, esteve infestado de nacionalizações bancárias praticadas nos EUA por um Governo (o de Bush) infestado de políticos e ideólogos neoconservadores, inimigos acérrimos da regulação e da presença do setor público na economia. A mesma coisa foi feita pela Europa da alemã Angela Merkel, que depois de salvar os bancos e de um breve interlúdio de keynesianismo decretou cortes e austeridade para uma Europa na qual o euro esteve a ponto de explodir após uma gestão completamente medíocre da crise. Em alguns lugares, como na Espanha, a crise chegou com atraso: a bolha imobiliária estourou em câmera lenta, mas levou com ela metade do sistema financeiro, obrigou a pedir um resgate e deixou a economia espanhola em meio a uma crise oceânica − não só econômica − da qual só agora ergue a cabeça, e com muita dificuldade.
Os booms especulativos e as crises foram recorrentes ao longo da história. Em 1630, os comerciantes holandeses pressionaram os preços dos tulipas a tal ponto que um bulbo chegou a valer tanto quanto uma casa. Um século mais tarde, a nata da sociedade inglesa participou da bolha da Companhia dos Mares do Sul (Isaac Newton: “Posso calcular o movimento dos corpos celestes, mas não a loucura da gente”, afirmou depois de perder até a camisa). Em 1840, a febre pelas ferrovias tomou conta do imaginário público e terminou em um colapso fenomenal; em 1929, a bolha da Bolsa de Nova York e da terra acabou no crack de Wall Street e na Grande Depressão: às feridas econômicas se somou a ascensão dos extremismos políticos que levaram à Segunda Guerra Mundial − e atenção, porque alguns historiadores traçam exatamente esse paralelo com a crise atual, e não sem motivos. Mas o último episódio é simplesmente brutal: uma superbolha de quase 60 anos inflada à base de crédito, de dívida, na qual toda vez que o sistema financeiro se metia em problemas apareciam os bancos centrais com novas fórmulas para estimular a economia. Essa superbolha acabou escapando das mãos do sistema quando as inovações financeiras − subprime, derivados, CDO (obrigação de dívida colateralizada) e outros jargões impossíveis − se complicaram tanto que as autoridades já não pareciam capazes de calcular os riscos dos próprios bancos.
“Que o Senhor abençoe nossa maldita fraude”, dizia uma mensagem de correio eletrônico de um executivo do Standard & Poor’s revelada em uma investigação do Congresso dos EUA para descrever essas práticas. Porque a fraude foi colossal: (...)
A partir de setembro de 2008, tudo que podia acabar mal acabou mal porque, afinal,
“o sistema financeiro está infestado de dogmas falsos, mal-entendidos e ideias equivocadas: os mercados, deixados à sua própria sorte, não tendem ao equilíbrio, e sim a inflar bolhas”, afirma George Soros, uns dos maiores especuladores dos últimos séculos.
“A relação incestuosa entre as autoridades e seus bancos acabou explodindo”, aponta Soros no livro Financial Turmoil in Europe and the United States (“turbulência financeira na Europa e nos EUA”). O resultado foi a crise mais grave desde a Segunda Guerra Mundial.
(...)
Tim Geithner, ex-secretário do Tesouro dos EUA, aponta em seu resumo da Grande Recessão que a incerteza “é o coração das crises financeiras”, acrescentando: “E as crises não acabam sem que os Governos assumam os riscos que os investidores privados não querem, tirando a catástrofe de cima da mesa”. As crises financeiras são crises de confiança quando um país não pode pagar sua dívida ou um banco não pode devolver os depósitos. “Quando o medo se transforma em pânico, acabou-se”, afirma Geithner. “A única solução, nesses casos, é que o setor público assuma riscos.” E foi isso que fizeram os Governos (no G20) e os bancos centrais, principalmente nos EUA.
de Claudi Pérez, brasil.elpais.com
9 de Setembro de 2018
Matéria completa :
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/07/internacional/1536333092_303809.html
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Os dois brasis
Vamos botar o pezinho no chão.
Vamos deixar claro, papo de pensadores, não de torcedores; o problema das disputas políticas brasileiro nunca foi a corrupção, pelo simples fato que todos os governos, inclusive os militares, se aliaram a políticos corruptos, pelo simples fato de que bolsonaro está aliado aos bispos Edir Macedo e Silas Malafaia.
"Varre-varre, vassourinha", o mote da campanha de Jânio Quadros, e dele não se pode levantar denúncias de corrupção, foi derrubado pelo que ele afirmava "forças ocultas", no exato momento em que ele procurava fazer uma política de independência que era a grande reinvidicação das massas de todo o continente latino-americano.
Se pergunte o que eram as forças ocultas, se pergunte o que derrubou João Goulart, e sua tentativa de implementação de políticas desenvolvimentista e de independência em relação aos irmãos do Norte.
Getúlio Vargas, basta ler a sua "carta Testamento", e, como advogados e adoradores da história temos obrigação de conhecê-la, saberemos que as pressões insuportáveis que o levaram a morte passava exatamente pela sua intenção de implantar no Brasil uma política inclusiva e independente.
Em outras palavras, e voltando a repetir o enunciado acima, o problema político brasileiro nunca foi a corrupção. O problema, a disputa brasileira é, historicamente, entre os que tentam a política de inclusão e independência e, principalmente, entre os chamados desenvolvimentistas e os que pretendem manter o status quo de privilégio a determinada casta e a dependência brasileira ao capital estrangeiro.
Mesmo dentro do período militar, houve uma disputa clara entre esses dois grupos.
Desenvolvimentismo é a política econômica baseada na meta de crescimento da produção industrial e da infraestrutura, com participação ativa do estado, como base da economia e o incentivo ao aumento do consumo. Essa foi a política buscada por Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart e foi a política implementada no período militar do chamado "Milagre Econômico".
"A política econômica praticada durante o governo Costa e Silva rompeu, em certa medida, com a que havia sido praticada pelo governo Castello Branco. A austeridade foi substituída por um projeto desenvolvimentista alinhado a outros interesses ideológicos. A política desenvolvimentista de Costa e Silva visava a estabilizar o crescimento industrial a longo prazo, assim como planejava estimular o consumo e o investimento público."
Então, vamos botar o pezinho no chão para exatamente voltarmos ao fulcro dos problemas brasileiros, a questão política e não a questão moralista.
Vamos enterrar, pelo menos nos nossos debates, sair do moralismo que inclui a corrupção, porque ninguém, apenas eleitor, defende a corrupção.
E sermos mais inteligentes, como dois dos últimos presidente Estados Unidos que repetiram "it's the Economy".
Sou um defensor da política desenvolvimentista. E voce?
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
A diferença de um país honesto para um país como o Brasil. Para o debate sério sobre o tema das reformas.
Cartas de Berlim: A justiça social na Alemanha começa pelos impostos
O Globo, Ricardo Noblat
O imposto de renda pode chegar a 45%, mas fortalece a classe média do país
03/01/2017
Além de todas as festas e datas importantes, o fim do ano na Alemanha é também a data limite para declarar o imposto de renda do ano anterior. E semana passada foi o momento de correr por aqui para conseguir entregar toda a papelada do ano de 2015. São tantas regras, tarifas e peculiaridades que eu prefiro contratar um contador para a tarefa que sabe o que pode ser deduzido. O custo dele no fim das contas quase se paga com os abatimentos.
As diferenças entre Brasil e Alemanha na área tributária já começam daí, no contador. O código de conduta do contador alemão é muito duro e eles levam tão a sério, que muitas vezes se tem a sensação de que ele não trabalha para você, mas sim para o estado alemão. Diante de qualquer irregularidade, ou má fé, ele é obrigado a denunciar o cliente para o fisco.
O imposto de renda na Alemanha varia de 14% a 45%. Por isso é que os milionários alemães costumam tentar se mudar para a Suíça e Luxemburgo na esperança de pagar menos impostos.
Vamos aos números: na Alemanha, você entra na chamada área da Spitzesteuersatz (a área de imposto superior) se você ganhar mais de 52.882 euros (mais de 181 mil reais). Neste caso, você tem que pagar 42% de IR. Se os seus rendimentos ultrapassarem os 250.731 euros por ano (cerca de 861 mil reais) o imposto de renda sobe para 45%.
Por outro lado, se você ganhar menos de 8.652 euros por ano (cerca de 30 mil reais), você não precisa pagar nenhum imposto de renda.
Uma forma de pagar menos tributos por aqui é casar-se e ter filhos. Existem namorados, inclusive, que aderem ao matrimônio simplesmente pelos benefícios fiscais.
No entanto, estas discussões sobre carga tributária mundo afora costumam se limitar a reclamações de excesso de impostos e acaba por não se falar do mais importante, na minha opinião, que é a natureza deles. Na Alemanha, como a maioria dos tributos varia de acordo com a renda, a carga tributária é altamente progressiva. Trocando em miúdos, quanto mais você ganha, mais paga e isto somado com os programas de auxílio social força toda a sociedade a convergir para a classe média.
Enquanto classe média-alta e classe alta pagam mais impostos. Se você vive na pobreza, recebe auxílio social (um tipo de bolsa família daqui). Ou seja, o estado paga o seu aluguel, plano de saúde e ainda te dá um dinheiro por mês, mas cobra que você corra atrás de empregos e se qualifique para tal.
Assim, a carga tributária tem uma função de distribuição de renda e passa uma mensagem de justiça social. E com o fortalecimento desta classe média, o Estado também garante um equilíbrio na arrecadação de impostos. Já que é sabido por todo mundo que quem paga os tributos e sustenta o fisco do país, é sempre a classe média.
http://noblat.oglobo.globo.com/cronicas/noticia/2017/01/cartas-de-berlim-justica-social-na-alemanha-comeca-pelos-impostos.html
sábado, 4 de agosto de 2018
Dferenças do Capitalismo Industrial, Socialismo Industrial e do Capitalismo Financeiro
"Considero grande falha não se ensinar nas escolas militares, nas escolas de administração, de sociologia e de política a teoria do poder, a cratologia."
Até o governo Geisel, o sistema de poder dominante era o industrial. Havia duas vertentes, o capitalismo industrial que o principal país representante eram os Estados Unidos da América (EUA) e o socialismo industrial na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Mas combatendo contra ambos havia o capitalismo financeiro, originário da Inglaterra, que tinha como arma a dívida. Os capitalismo e socialismo industrial tinham a produção e consumo como meta.
Nos anos 1980, o capitalismo financeiro tornou-se o poder mundial. Para simplificar o denominarei "banca", muitos o chamam Nova Ordem Mundial (NOM ou NWO, em inglês).
Há fundamental diferença entre estes poderes. O capitalismo financeiro é estéril, nada produz, vive de especulação com títulos e moedas. Não é difícil associá-lo à grande corrupção que envolve todo mundo contemporâneo: nos negócios, nos Estados, nos esportes, em todas atividades humanas, pois tudo se resume ao lucro monetário e rápido (tempo de retorno)."
Brasil 247
segunda-feira, 23 de julho de 2018
Curso Para o Coxinha Esclarecido
por Luiz Carlos Azenha, no Facebook do Viomundo
AULA 1
Agora que você conseguiu derrubar uma presidente da República com premissas e argumentos falsos, é hora de sofisticar sua capacidade de debate.
Não seja confundido com um mero seguidor do intelectual pornô Alexandre Frota. Pega mal na turma.
Você certamente é muito mais sofisticado que isso.
Provavelmente você é admirador dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, do Estado Mínimo, escrito assim em maiúsculas para denotar a centralidade deste item na pauta neoliberal.
Nunca confunda uma coisa com outra. Por mais que a Miriam Leitão sugira isso, os Estados Unidos não são um Estado Mínimo.
Palavra de quem morou lá duas décadas e tem duas filhas novaiorquinas (na verdade, de tripla nacionalidade, dentre as quais preferem a brasileira), com direito a tirar proveito do estado de bem estar social dos Estados Unidos.
Você costuma confundir estado de bem estar social com comunismo (como em Bolsa Família, médicos cubanos, etc.). Nos Estados Unidos, ele é resultado do anticomunismo.
Preste atenção: quem implantou o estado de bem estar social nos Estados Unidos foi o presidente Roosevelt. O país vinha do crash econômico de 1929. Depressão econômica. Os sindicatos eram fortes.
Para cooptar os sindicatos e evitar a ascensão dos comunistas, Roosevelt resolveu implantar programas sociais e salvar o capitalismo. Portanto, as coisas que ele bolou e implantou eram uma forma de combater o comunismo. Logo, anticomunistas.
Chamar o Roosevelt de comunista é tão absurdo quanto chamar o Lula ou a Dilma ou o PT de comunista. Eles são social democratas.
No Brasil, o partido que tem social e democratas no nome não é nem uma coisa, nem outra.
Voltemos aos Estados Unidos. Por mais que a partir daquele seu grande herói, o Reagan, os EUA tenham dilapidado o estado de bem estar social, os pilares deles subsistem: Social Security, Medicare, Medicaid e Food Stamps.
Pode chamar de Previdência Social, Bolsa Terceira Idade, Bolsa Plano de Saúde e Bolsa Família.
Essa ideia, de que o Estado deve ajudar a cuidar dos mais fodidos, é uma coisa antiga, que surgiu em outro país que você admira muito, a Alemanha. Mas não quero dar overload de informação no seu cérebro.
Basta você registrar isso: por causa dos programas sociais acima — e de outros fatos que apresentarei em seguida — os Estados Unidos não são um Estado Mínimo.
Pelo contrário, os EUA se assentam sobre um Megaestado, muito maior que o brasileiro.
Se você quer alguns exemplos de Estado Mínimo, eu os ofereço: México, Honduras e Paraguai, países que você certamente despreza e nunca utiliza como exemplo para reforçar seus argumentos.
Portanto, sempre que você falar em Estado Mínimo, esqueça os Estados Unidos e diga: “Devemos fazer como lá no Paraguai, que…”
Acrescente, em seguida, os argumentos pelos quais o Brasil deve seguir o mesmo caminho. A gente quer coxinhas sofisticados e intelectualmente honestos!
AULA 2 - NTERVENCIONISMO ESTATAL
Caro amigo, você passou com louvor pela primeira aula. Para encarar a segunda, temos de voltar no tempo.
Vamos falar sobre intervencionismo estatal.
Anos 70. Você não tinha nascido. Eu estudava na Old Mill Senior High School, no condado de Glen Burnie, estado de Maryland. Fiz todas aquelas bobagens que você vê nos filmes de escola gringa, inclusive levar a linda Töve, estudante sueca, ao baile de formatura.
Meu pai americano era vendedor de seguros e trabalhava em Baltimore, cidade que visitei algumas vezes.
Os americanos, como a minha família, tinham se mudado em massa para loteamentos distantes, tipo Alphaville.
A indústria de base tinha abandonado o país em busca de salários mais baixos em outros lugares do mundo.
Sem a grana dos impostos, as áreas metropolitanas tinham entrado em decadência profunda: prédios abandonados, crime, tráfico de drogas.
É óbvio que você, que prega o Estado Mínimo, defenderia para este caso uma solução tocada pela mão invisível do mercado.
Se você condena o BNDES, bote um isordil sob a língua para encarar o que vou te contar.
Os governos americanos enfrentaram o problema despejando bilhões de dólares na recuperação dos centros urbanos, em dinheiro vivo ou deixando de cobrar impostos.
Funcionou mais ou menos assim: os governos reduziram os impostos para empresas que se instalassem em áreas degradadas.
Em alguns casos, exigiram que as empresas contratassem moradores locais.
Com salário garantido, os moradores financiavam apartamentos em prédios reformados com dinheiro público, tipo Minha Casa Minha Vida.
Que horror! Puro dirigismo estatal.
Baltimore ganhou um lindo shopping center bem na marina. Cleveland, Detroit… aconteceu o mesmo num grande número de cidades dos Estados Unidos.
Mais tarde, foi assim no Harlem e no Times Square, em Nova York.
Quando conheci o Harlem, em 1985, parecia um bairro recém bombardeado. Hoje você pode até ir àquela missa gospel recomendada pelos reaças do Manhattan Connection, também defensores do Estado Mínimo (para os outros).
E você que pensou que o intervencionismo estatal nos Estados Unidos fosse coisa da crise de 2008, quando o Obama salvou os bancos e a General Motors!
AULA 3 - MANIPULAÇÃO DO LIVRE MERCADO COM AJUDA BILIONÁRIA AOS MAIS RICOS
Chegamos ao último capítulo: manipulação do “livre mercado”, aquele pelo qual você tem uma admiração quase religiosa.
Sabemos que você abomina o Bolsa Família: distorce a livre competição por mão de obra no mercado de trabalho.
Note, no entanto, que este não é um “problema” exclusivamente brasileiro.
Na tão admirada América — é assim que você chama os Estados Unidos — o número de usuários da versão local do Bolsa Família, os Food Stamps, está próximo de 45 milhões de pessoas.
Sabe por que os Food Stamps sobrevivem na América? Não é apenas por causa da compaixão dos conservadores.
O programa é defendido pela indústria da alimentação! Há restrições ao que pode ser comprado com o cartão, que foca nos produtos da indústria local de alimentos processados. Assim, ela fatura uma enormidade com os pobres.
Portanto, quando o Lula falava que o Bolsa Família fazia girar o comércio e a indústria locais, não é que ele tinha razão?
Mas, na terra do suposto Estado Mínimo, os Food Stamps são um exemplo menor de como o dinheiro público ajuda os mais ricos.
Nem sempre beneficiando os mais pobres.
Você já pensou o que representam para a indústria farmacêutica as compras governamentais dos Estados Unidos?
Elas são tão importantes para os lucros das companhias que o Congresso, cedendo ao lobby das farmacêuticas, proibiu — em alguns casos — o governo de negociar diretamente com as empresas para baixar o preço das drogas oferecidas nos programas públicos.
O Estado Mínimo paga o Preço Máximo!
É uma baita distorção do Livre Mercado, que vai parar direto no bolso de companhia farmacêuticas trilionárias.
Como exemplo final, os subsídios da agricultura. Você sabia que a América gasta U$ 45 bi anuais para bancar o plantio de trigo, algodão, milho, soja e arroz?
Sabia que a grana fica principalmente com as grandes empresas do agribusiness, em vez de ajudar os agricultores mais pobres?
Você, que sempre protesta contra os subsídios da Lei Rouanet, deveria protestar contra o David Rockefeller: o bilionário levou meio milhão de dólares em subsídios agrícolas do Estado Mínimo!
Curso Para o Coxinha Esclarecido
por Luiz Carlos Azenha, no Facebook do Viomundo
AULA 1
Agora que você conseguiu derrubar uma presidente da República com premissas e argumentos falsos, é hora de sofisticar sua capacidade de debate.
Não seja confundido com um mero seguidor do intelectual pornô Alexandre Frota. Pega mal na turma.
Você certamente é muito mais sofisticado que isso.
Provavelmente você é admirador dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, do Estado Mínimo, escrito assim em maiúsculas para denotar a centralidade deste item na pauta neoliberal.
Nunca confunda uma coisa com outra. Por mais que a Miriam Leitão sugira isso, os Estados Unidos não são um Estado Mínimo.
Palavra de quem morou lá duas décadas e tem duas filhas novaiorquinas (na verdade, de tripla nacionalidade, dentre as quais preferem a brasileira), com direito a tirar proveito do estado de bem estar social dos Estados Unidos.
Você costuma confundir estado de bem estar social com comunismo (como em Bolsa Família, médicos cubanos, etc.). Nos Estados Unidos, ele é resultado do anticomunismo.
Preste atenção: quem implantou o estado de bem estar social nos Estados Unidos foi o presidente Roosevelt. O país vinha do crash econômico de 1929. Depressão econômica. Os sindicatos eram fortes.
Para cooptar os sindicatos e evitar a ascensão dos comunistas, Roosevelt resolveu implantar programas sociais e salvar o capitalismo. Portanto, as coisas que ele bolou e implantou eram uma forma de combater o comunismo. Logo, anticomunistas.
Chamar o Roosevelt de comunista é tão absurdo quanto chamar o Lula ou a Dilma ou o PT de comunista. Eles são social democratas.
No Brasil, o partido que tem social e democratas no nome não é nem uma coisa, nem outra.
Voltemos aos Estados Unidos. Por mais que a partir daquele seu grande herói, o Reagan, os EUA tenham dilapidado o estado de bem estar social, os pilares deles subsistem: Social Security, Medicare, Medicaid e Food Stamps.
Pode chamar de Previdência Social, Bolsa Terceira Idade, Bolsa Plano de Saúde e Bolsa Família.
Essa ideia, de que o Estado deve ajudar a cuidar dos mais fodidos, é uma coisa antiga, que surgiu em outro país que você admira muito, a Alemanha. Mas não quero dar overload de informação no seu cérebro.
Basta você registrar isso: por causa dos programas sociais acima — e de outros fatos que apresentarei em seguida — os Estados Unidos não são um Estado Mínimo.
Pelo contrário, os EUA se assentam sobre um Megaestado, muito maior que o brasileiro.
Se você quer alguns exemplos de Estado Mínimo, eu os ofereço: México, Honduras e Paraguai, países que você certamente despreza e nunca utiliza como exemplo para reforçar seus argumentos.
Portanto, sempre que você falar em Estado Mínimo, esqueça os Estados Unidos e diga: “Devemos fazer como lá no Paraguai, que…”
Acrescente, em seguida, os argumentos pelos quais o Brasil deve seguir o mesmo caminho. A gente quer coxinhas sofisticados e intelectualmente honestos!
AULA 2 - NTERVENCIONISMO ESTATAL
Caro amigo, você passou com louvor pela primeira aula. Para encarar a segunda, temos de voltar no tempo.
Vamos falar sobre intervencionismo estatal.
Anos 70. Você não tinha nascido. Eu estudava na Old Mill Senior High School, no condado de Glen Burnie, estado de Maryland. Fiz todas aquelas bobagens que você vê nos filmes de escola gringa, inclusive levar a linda Töve, estudante sueca, ao baile de formatura.
Meu pai americano era vendedor de seguros e trabalhava em Baltimore, cidade que visitei algumas vezes.
Os americanos, como a minha família, tinham se mudado em massa para loteamentos distantes, tipo Alphaville.
A indústria de base tinha abandonado o país em busca de salários mais baixos em outros lugares do mundo.
Sem a grana dos impostos, as áreas metropolitanas tinham entrado em decadência profunda: prédios abandonados, crime, tráfico de drogas.
É óbvio que você, que prega o Estado Mínimo, defenderia para este caso uma solução tocada pela mão invisível do mercado.
Se você condena o BNDES, bote um isordil sob a língua para encarar o que vou te contar.
Os governos americanos enfrentaram o problema despejando bilhões de dólares na recuperação dos centros urbanos, em dinheiro vivo ou deixando de cobrar impostos.
Funcionou mais ou menos assim: os governos reduziram os impostos para empresas que se instalassem em áreas degradadas.
Em alguns casos, exigiram que as empresas contratassem moradores locais.
Com salário garantido, os moradores financiavam apartamentos em prédios reformados com dinheiro público, tipo Minha Casa Minha Vida.
Que horror! Puro dirigismo estatal.
Baltimore ganhou um lindo shopping center bem na marina. Cleveland, Detroit… aconteceu o mesmo num grande número de cidades dos Estados Unidos.
Mais tarde, foi assim no Harlem e no Times Square, em Nova York.
Quando conheci o Harlem, em 1985, parecia um bairro recém bombardeado. Hoje você pode até ir àquela missa gospel recomendada pelos reaças do Manhattan Connection, também defensores do Estado Mínimo (para os outros).
E você que pensou que o intervencionismo estatal nos Estados Unidos fosse coisa da crise de 2008, quando o Obama salvou os bancos e a General Motors!
AULA 3 - MANIPULAÇÃO DO LIVRE MERCADO COM AJUDA BILIONÁRIA AOS MAIS RICOS
Chegamos ao último capítulo: manipulação do “livre mercado”, aquele pelo qual você tem uma admiração quase religiosa.
Sabemos que você abomina o Bolsa Família: distorce a livre competição por mão de obra no mercado de trabalho.
Note, no entanto, que este não é um “problema” exclusivamente brasileiro.
Na tão admirada América — é assim que você chama os Estados Unidos — o número de usuários da versão local do Bolsa Família, os Food Stamps, está próximo de 45 milhões de pessoas.
Sabe por que os Food Stamps sobrevivem na América? Não é apenas por causa da compaixão dos conservadores.
O programa é defendido pela indústria da alimentação! Há restrições ao que pode ser comprado com o cartão, que foca nos produtos da indústria local de alimentos processados. Assim, ela fatura uma enormidade com os pobres.
Portanto, quando o Lula falava que o Bolsa Família fazia girar o comércio e a indústria locais, não é que ele tinha razão?
Mas, na terra do suposto Estado Mínimo, os Food Stamps são um exemplo menor de como o dinheiro público ajuda os mais ricos.
Nem sempre beneficiando os mais pobres.
Você já pensou o que representam para a indústria farmacêutica as compras governamentais dos Estados Unidos?
Elas são tão importantes para os lucros das companhias que o Congresso, cedendo ao lobby das farmacêuticas, proibiu — em alguns casos — o governo de negociar diretamente com as empresas para baixar o preço das drogas oferecidas nos programas públicos.
O Estado Mínimo paga o Preço Máximo!
É uma baita distorção do Livre Mercado, que vai parar direto no bolso de companhia farmacêuticas trilionárias.
Como exemplo final, os subsídios da agricultura. Você sabia que a América gasta U$ 45 bi anuais para bancar o plantio de trigo, algodão, milho, soja e arroz?
Sabia que a grana fica principalmente com as grandes empresas do agribusiness, em vez de ajudar os agricultores mais pobres?
Você, que sempre protesta contra os subsídios da Lei Rouanet, deveria protestar contra o David Rockefeller: o bilionário levou meio milhão de dólares em subsídios agrícolas do Estado Mínimo!
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Ética e moral
Qual a diferença entre ética e moral?
A diferença entre ética e moral é que a moral refere-se ao conjunto de normas e princípios que se baseiam na cultura e nos costumes de determinado grupo social, já a ética é o estudo e reflexão sobre a moral, que nos diz como viver em sociedade.
Uma maneira fácil de lembrar da diferença entre moral e ética é que a moral se aplica à um grupo, enquanto a ética pode ser questionada por um indivíduo.
Ética e Moral - definição
A ética é o estudo e a reflexão sobre a moral, das regras de conduta aplicadas a alguma organização ou sociedade.
A moral se refere às regras de conduta que são aplicados à determinado grupo, em determinada cultura. De onde vemIndividual. Sistema social.Porque seguimosPorque acreditamos que algo é certo ou errado.Porque a sociedade diz que é a coisa certa a fazer. Flexibilidade
A ética é normalmente consistente, embora pode mudar caso as crenças de um indivíduo mudem ou dependendo de determinada situação.
A moral tende a ser consistente dentro de um determinado contexto, sendo aplicado da mesma forma a todos. Porém, ela pode variar de acordo com cada cultura ou grupo.Exceções
Uma pessoa poderá ir contra sua ética para se ajustar a um determinado principio moral, como por exemplo, o código de conduta de sua profissão.
Uma pessoa que segue rigorosamente os princípios morais de uma sociedade pode não ter nenhuma ética. Da mesma forma, para manter sua integridade ética, ele pode violar os princípios morais dentro de um determinado sistema de regras.SignificadoÉtica vem da palavra grega "ethos" que significa conduta, modo de ser.Moral vem da palavra latina "moralis" que significa "costume".OrigemUniversal.Cultural.TempoPermanente.Temporal.UsoTeórico.Prático.Exemplo
João teve uma atitude antiética ao furar a fila do banco.
No Brasil é imoral ter mais de uma esposa, enquanto em alguns países como a Nigéria é moralmente aceito.
O que é Ética?
A ética se refere ao conjunto de valores e regras definidas por determinado grupo ou cultura, e que é comum a todos. Sendo assim, a ética é o que define como o homem deve se portar no meio social.
O conceito de ética também pode significar o conhecimento extraído da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional. Sendo assim, a ética pode refletir e questionar valores morais.
A ética é responsável por definir certas condutas do nosso dia-a-dia, como no caso dos códigos de ética profissional, que indicam como um indivíduo deve se comportar no âmbito da sua profissão.
O que é Moral?
Moral é o conjunto de regras que orientam o comportamento do indivíduo dentro de uma sociedade. Ela pode ser adquirida através da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano.
Tais regras norteiam os julgamentos de cada indivíduo sobre como agir, de acordo com o que foi previamente aceito como norma entre determinado grupo. Quando falamos de moral, as definições do que é certo ou errado dependem do local onde você se encontra, da tradição e cultura.
De onde vêm os princípios morais e éticos
A moral é um padrão externo que pode ser fornecido por instituições, grupos ou cultura a qual um indivíduo pertence. Ela também pode ser considerada um sistema social ou uma estrutura para um comportamento aceitável.
A ética, apesar de ser influenciada pela cultura e pela sociedade, são princípios pessoais criados e sustentados pelos próprios indivíduos.
Consistência e Flexibilidade
A moral é muito consistente dentro de um determinado contexto, mas pode variar entre culturas ou época. Por exemplo, algo moralmente aceito na sociedade de hoje poderia ser imoral nos anos 70.
Já a ética é como o individuo reflete sobre determinada moral, sendo possível que certos eventos modifiquem radicalmente as crenças e valores pessoais de um indivíduo.
Origem do conceito de ética e de moral
Grande parte da confusão entre estas duas palavras vem de suas origens. A palavra "ética" vem do francês antigo “etique”, do latim “ética” e do grego “ethos” e se refere às condutas, ao modo de ser. Já a palavra “moral” vem do latim “moralis”, que se refere os costumes. Então, originalmente, os dois têm significados muito semelhantes.
A moral e a ética do indivíduo foram estudadas filosoficamente há mais de mil anos. Porém, a ideia de ética como princípios que são definidos e aplicados a um grupo é relativamente nova, datada em 1600.
Exemplo do uso de ética
O conceito de ética é utilizado quando refletimos sobre a moral aceita em determinada sociedade, podendo aceitar ou questioná-la.
João foi antiético pois não se levantou para que o idoso pudesse ocupar o seu lugar no ônibus.
Exemplo do uso de moral
A moral se refere à determinadas normas e condutas criadas e aceitas em determinado grupo social, podendo variar de acordo com o local ou o tempo. Como no caso:
Antigamente, era imoral as mulheres usarem calças, mas hoje é moralmente aceito.
Site: significado.com
segunda-feira, 12 de março de 2018
Estado de colapso
O mundo surpreendido pela eleição de Trump. A europa em nocaute pela aprovação do Brexit inglês. Analistas estarrecidos com a ascensão de líderes de extrema-direita, como Marienne Le Pen na França e Bolsonaro no Brasil.
Pessoas informadas com dificuldades em enxergar as consequências de um mundo que atravessa uma grave crise de identidade.
Desde Margareth Thatcher e Ronald Reagan a concentração de renda no mundo cresceu vertiginosamente; oligarquias, verdadeiras plutocracias, surgem substituindo as democracias.
Este é o motivo central de tanta desordem, insatisfação, crises, violência e ascensão de líderes radicais pela extrema direita.
Esses líderes radicais da extrema direita têm sido eleitos pelo discurso anti-sistema, anti-mercado.
Ou seja - e no dizer de uma forma muito mais clara ainda - está existindo um combate entre as populações (que ganham as eleições através do voto) e o mercado (que pressionam e chantageiam eleitos, quando não os derrubam como aconteceu com a presidente Dilma.
O recente livro de Thomas Piketty, "O Capital no século XXI", considerado o melhor livro de economia das últimas décadas pela consistência da pesquisa e profundidade dos dados extraídos de diversos órgãos governamentais de países espalhados pelo mundo, esclarece de forma inquestionável esta violenta concentração de renda no mundo.
A vitória de Donald Trump nos EUA, a necessidade de Merkel compor, para formar seu governo, com a extrema direita alemã, a ascensão de outros líderes radicais pelo mundo e mesmo o Brexit indica de forma insofismável que a população, além de aceitar as ações dos seus governos, se movimenta contra o sistema dominante do neoliberalismo, com suas leis pró-mercado.
Cada vez mais fica estampada a constatação de que a democracia nunca existiu, ou deixou de existir desde que os governos adotaram os princípios do neoliberalismo, da "Escola de Chicago",
e suas leis de mercado.
O povo elege os seus mandatários pelo discurso de que farão seus governos com formulas contrárias aos princípios do neoliberalismo, e o mercado impede que a vontade da democracia, expressa no "sufrágio universal", seja realizada. Este é um chamado preciso e claro para a explosão de conflitos.
A partir de 2008, com a crise dos EUA, vários países aumentaram seus endividamentos, quando a crise financeira de alguns setores se transformou em uma "crise de dívidas soberanas". Ao mesmo tempo, aumentavam os lucros auferidos pelo chamado mercado, notóriamente o sistema bancário e financeiro, concentrando ainda mais a renda.
O poder democrático sendo usurpado e substituído pelo poder plutocrático, depois de um longo tempo em que a mídia marginalizou tudo o que é ligado ao coletivo, ao popular, inclusive as suas representações.
O grupo restrito que detém o alto capital, domina a mídia e através dela promove pressões e chantagens contra as instituições representativas das populações; os poderes legislativo, executivo e judiciário, como afirmou o Decano do STF, Ministro Celso de Mello entrevista à jornalista Mônica Bergamo:
“Eu honestamente, em 45 anos de atuação na área jurídica, como membro do Ministério Público e juiz do STF, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação sociais buscando, na verdade, pressionar e virtualmente subjugar a consciência de um juiz".
O povo já não organiza a sociedade, através do executivo. O povo já não equilibra a sociedade, através da formulação de princípios legais votados pelo legislativo. O povo já não faz mais cumprir essas orientações legais, através de judiciário.
Só dessa forma é possível exercer as democracias. Todas as constituições democráticas estabelecem logo no seu início que: "todo poder emana do povo e em seu nome é exercido de forma direta ou indireta através do seus representantes". Os representantes do poder (emanado do povo) de uma nação são o legislativo, executivo e judiciário.
Por isso, é possível perceber a desorganização intensa das sociedades nas últimas décadas, o desequilíbrio institucional impera.
A equação é clara:
população desequilibrada e desorganizada = instituições desequilibradas e poder desorganizado.
Se o poder está desorganizado e as instituições desequilibradas é impossível estabelecer a ordem.
O Estado colapsa, deixa de funcionar.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
Brasil, A batalha entre os flancos.
Se o governo que será eleito pretender realizar transformações reais no país, e não apenas mudanças cosméticas, o primeiro movimento terá que ser mexer no vespeiro dos setores da informação e conhecimento da população brasileira.
O sistema centralizado de informação do país se utiliza dos meios de comunicação para manter uma batalha (ilusória e inócua) entre os flancos deixando o chamado "centrão" solto, sem controle.
É o "centrão" que mantém o comando do país desde a colonização, mantendo todo os nossos sistemas retrógrado e arcaico. O "centrão" foi o núcleo central do governo Sarney. Foi o núcleo de maior influência nos governos FHC e Lula. Foi, também, um grupo de grande influência nos governos militares, naquela época representado por políticos do naipe de Maluf, ACM, Sarney, Color, entre outros. Esse "centrão" é o núcleo central do atual governo. O poder do "centrão" é tão grande que Lula, mesmo eleito com propostas antagônica ao governo FHC, mantém a mesma base de apoio.
Qualquer pessoa ou grupo descomprometido com o sistema arcaico do "centrão" reconhece a necessidade urgente de se promover reformas estruturais que são clamadas por quase todos, principalmente a reforma política e a reforma tributária.
São chamadas reformas estruturantes por provocar uma mudança radical nas formas utilizadas. Elas estão em trâmite no congresso há muitos anos, atravessando governos de vários naipes. E não são aprovadas exatamente por que os flancos se debatem em problemas menores, em picuínhas setorizadas, deixando livre o "centrão" para manter a estrutura arcaica e retrógrada que atrasa o país e que mantém os benefícios aos grupos que eles representam.
As reformas estruturantes centrais que os flancos (esquerda e direita) entendem como necessárias e urgentes, são elas:
(1) que reforme todo o sistema político eleitoral, que faça diminuir os custos das campanhas, que permita uma melhor representatividade dos diversos segmentos da sociedade, que coíba os vários desmandos, que crie medidas que agilizem os processos de interesse da sociedade; (2) que quebrem o padrão colonialista da nossa economia, para que o Brasil saia do modelo arcaico de fornecedor de matérias-primas e se torne uma economia avançada de produção industrial e de tecnologia de ponta; (3) que reforme nosso sistema social desagregador, padrão "casa grande e senzala"; (4) que redistribua os tributos desonerando a classe média, e que se crie mecanismos que incentive o dinheiro sair do rentismo para a produção.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Impeachment para a volta do modelo colonial
Um dos frutos podres da globalização foi a separação entre poder e política.
Essa separação foi conseguida pelo maquiavélico bombardeio diário feito pela imprensa a mando do mercado contra tudo o que fosse relacionado com a política.
A ideia era tornar o Estado enfraquecido para o subsequente abandono de suas funções tradicionais. A forte concentração de renda inerente à globalização fez com que o domínio do capital vergasse o Estado ao poder do chamado "mercado".
Essa foi a maneira mais fácil que o neoliberalismo da Escola de Chicago encontrou para submeter povos e países periféricos para que estes não encontrarem os seus próprios caminhos para o desenvolvimento com independência.
A desmoralização do Estado pelo bombardeio midiático levou ao desmantelamento das suas funções básicas. No caso do Brasil, a desconstrução da qualidade das escolas públicas foi o mecanismo criminoso para impedir a livre competição entre as classes mais abastadas e as de menos poder econômico.
Com o sucateamento das escolas públicas, a classe média migrou seus filhos para as escolas particulares de muito mais qualidade e com isso garantia o acesso de seus filhos às Universidades.
Desse fruto podre, aumentou - se em muito a dificuldade de acesso dos mais pobres às universidades e com isso veio a recrudescer o abismo social no país.
Com essa ação intencional de manter a nossa formação social na base de castas, ficava garantido uma mão de obra de baixa qualificação e consequentemente muito barata. O que não se previu, foi que com tantos excluídos, esta segregação, faria a divisão territorial e a formação de guetos, que nos colocaria uma insegurança recorde no mundo.
Assim, o lado perverso (como magistralmente demonstrou Milton Santos) da Globalização manteve os países periféricos sob dependência - cada vez maior, pelas novas tecnologias dos países centrais, impedindo o desenvolvimento.
A falta de desenvolvimento e a segregação impedem que a população exerça a cidadania. Sem cidadania não se forma um Estado-Nação.
Essa condição cultural mantém o país preso a sua estrutura arcaica, de modelo colonialista, de produção de matéria-prima. Por isso, nos mantivemos como um país primitivamente fornecedor de commodities, com o abismo necessário entre as classes, típico da Casa Grande e Senzala para manter a mão de obra barata - produtos sem valor agregado implicam mão-de-obra sem valor agregado.
O papel da mídia nos recentes episódios da vida brasileira explica a necessidade do mercado/globalização colocar no governo presidente que reforçasse a entrega de nossas riquezas às empresas estrangeiras, como é o caso da exploração do petróleo, e o desmantelamento das empresas nacionais referências, as empreiteiras brasileiras.
No caminho traçado pelos interesses dos que levaram Temer ao poder, estava a manutenção do sucateamento da educação, por isso tanto cortes nas verbas da educação, além de terem revogado a legislação que destinava verbas da exploração do petróleo para a educação pública, que faria o Brasil reverter s altíssima dependência do ensino fundamental e básico ao dinheiro privado familiar.
Todo este desmonte é com o objetivo de manter o padrão colonialista da nossa economia, a condição Casa Grande e Senzala da nossa estrutura social e a forma oligárquica e patriarcal da política.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Impeachment para a volta do modelo colonial
Um dos frutos podres da globalização foi a separação entre poder e política.
Essa separação foi conseguida pelo maquiavélico bombardeio diário feito pela imprensa a mando do mercado contra tudo o que fosse relacionado com a política.
A ideia era tornar o Estado enfraquecido para o subsequente abandono de suas funções tradicionais. A forte concentração de renda inerente à globalização fez com que o domínio do capital vergasse o Estado ao poder do chamado "mercado".
Essa foi a maneira mais fácil que o neoliberalismo da Escola de Chicago encontrou para submeter povos e países periféricos para que estes não encontrarem os seus próprios caminhos para o desenvolvimento com independência.
A desmoralização do Estado pelo bombardeio midiático levou ao desmantelamento das suas funções básicas. No caso do Brasil, a desconstrução da qualidade das escolas públicas foi o mecanismo criminoso para impedir a livre competição entre as classes mais abastadas e as de menos poder econômico.
Com o sucateamento das escolas públicas, a classe média migrou seus filhos para as escolas particulares de muito mais qualidade e com isso garantia o acesso de seus filhos às Universidades.
Desse fruto podre, aumentou - se em muito a dificuldade de acesso dos mais pobres às universidades e com isso veio a recrudescer o abismo social no país.
Com essa ação intencional de manter a nossa formação social na base de castas, ficava garantido uma mão de obra de baixa qualificação e consequentemente muito barata. O que não se previu, foi que com tantos excluídos, esta segregação, faria a divisão territorial e a formação de guetos, que nos colocaria uma insegurança recorde no mundo.
Assim, o lado perverso (como magistralmente demonstrou Milton Santos) da Globalização manteve os países periféricos sob dependência - cada vez maior, pelas novas tecnologias dos países centrais, impedindo o desenvolvimento.
A falta de desenvolvimento e a segregação impedem que a população exerça a cidadania. Sem cidadania não se forma um Estado-Nação.
Essa condição cultural mantém o país preso a sua estrutura arcaica, de modelo colonialista, de produção de matéria-prima. Por isso, nos mantivemos como um país primitivamente fornecedor de commodities, com o abismo necessário entre as classes, típico da Casa Grande e Senzala para manter a mão de obra barata - produtos sem valor agregado implicam mão-de-obra sem valor agregado.
O papel da mídia nos recentes episódios da vida brasileira explica a necessidade do mercado/globalização colocar no governo presidente que reforçasse a entrega de nossas riquezas às empresas estrangeiras, como é o caso da exploração do petróleo, e o desmantelamento das empresas nacionais referências, as empreiteiras brasileiras.
No caminho traçado pelos interesses dos que levaram Temer ao poder, estava a manutenção do sucateamento da educação, por isso tanto cortes nas verbas da educação, além de terem revogado a legislação que destinava verbas da exploração do petróleo para a educação pública, que faria o Brasil reverter s altíssima dependência do ensino fundamental e básico ao dinheiro privado familiar.
Todo este desmonte é com o objetivo de manter o padrão colonialista da nossa economia, a condição Casa Grande e Senzala da nossa estrutura social e a forma oligárquica e patriarcal da política.