segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Um presente que se confundiu

Me olhava com a desconfiança de quem teme mais uma última vez, mas ainda assim já a espera.

Transbordava em silêncio os sentimentos barulhentos.

Guardou meu rosto em suas mãos e aproximou-se tanto que nossos cílios se beijavam.

Então me sussurrou meia dúzia de palavras nas quais fiz questão de ecoar em minha memória afim de torná-las permanentes.

A trouxe ainda pra mais perto, mais comigo. Mais nós.

Fechou seus olhos enquanto me abraçava. Morou em mim um pouco mais.
(...)

Éramos um futuro que não nos pertencia num presente que se confundiu.

Um contratempo extasiado de quem não estava procurando pelo amor.

http://carolinascaldelai.blogspot.com.br/2017/04/a-tal-da-indiferenca.html?m=1

domingo, 17 de fevereiro de 2019

O Tempo Passou e me Formei em Solidão

"O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão.
Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, internet, e-mail, Whatsapp ... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

Que saudade do compadre e da comadre!

Créditos: José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

Não existe pior prisão do que uma mente fechada

Carl Jung disse certa vez que “Todos nós nascemos originais e morremos cópias”.

Ao analisar a frase de Jung à luz da contemporaneidade, poderíamos encontrar um enorme problema, uma vez que vivemos em um mundo regido sumariamente pela liberdade. Isto é, o fundamento maior da nossa sociedade. É a liberdade, que se ramifica em diversos aspectos, desde o econômico até o comportamental. Entretanto, se olharmos com profundidade, perceberemos que essa estrutura de mundo “livre” existe tão somente no plano teórico e, assim, somos só reprodutores da ordem vigente ou simplesmente cópias, como argumenta Jung.

Obviamente, a nossa cosmovisão sofre influências externas, esse é um processo natural. Da mesma maneira que a vida em sociedade necessita de regras a fim de manter o convívio social dentro de certos limites éticos. Sendo assim, pensar no exercício da liberdade como algo ilimitado é impossível, já que todas as coisas possuem o seu contraponto e limitações. Apesar disso, a existência de pontos limitadores não implica a inexistência da liberdade e o condicionamento irrestrito a valores passados por uma ordem “superior”.

Todavia, é isso que tem acontecido, temos sido escravizados ou, lembrando o João Neto Pitta, “colonizados pelo pensamento alheio”. E pior, por uma ideologia extremamente nociva para nós enquanto seres humanos. Fomos reduzidos a estatística, na qual somos divididos entres os condicionados e os condicionáveis. Ou seja, não existe nessa estrutura a concepção de um ser livre, que exerce a capacidade de raciocínio e afeto para discernir sobre o que quer e deseja. Todos são domesticáveis em potencial.

Esse controle é feito por meio da conversão à sociedade de consumo e seus valores fundamentais, que reduz tudo a um valor mercadológico precário, rotativo e obsoleto. A mídia com todos os seus tentáculos está a serviço do grande capital, que não visa outra coisa a não ser a conversão de mais pessoas, contemplando o deus consumo em seu templo maior: os shoppings centers. Lugar de alegria, satisfação, preenchimento de vazios e liberdade irrestrita, pelo menos teoricamente ou midiaticamente. Mas, em um mundo regido também pelas aparências, pelo espetáculo, o importante não é o que é, e sim, o que aparenta ser, sobretudo, aos olhos dos outros.

Aliás, nesse esquema, não basta ter, é necessário parecer que tenha, expor, mostrar, iludir, ganhar aplausos, tapinhas nas costas, sorrisos falsos e olhar invejosos. Em outras palavras, é preciso confessar ao mundo que você é um vencedor, que é um bom filho de “Deus”, que é recompensado por seguir os seus preceitos, ir ao seu templo e contemplá-lo 24 horas por dia. E existem ferramentas muito úteis para isso, as redes sociais que o digam.

Toda essa teatralidade da vida cotidiana, montada com cortinas que nunca se fecham, é apresentada como verdade e nós — com nossa psique altamente fragilizada — a compramos com extrema facilidade. Para os mais duros na queda, nada que mil repetições não sejam capazes de construir, afinal, como disse Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Apesar disso, a grande maioria de nós não está revoltada com a sua condição, pelo contrário, aceitamos o jugo de bom grado. Ou pior, o buscamos. É claro que não possuímos o domínio das relações de força na sociedade, não controlamos as leis, o sistema jurídico, tampouco, a mídia. Somos “apenas” espectadores vorazes de uma batalha desigual e opressora. Entretanto, será que não há o que ser feito? Será que não existem alguns pontos de luz que tentam nos iluminar? Eu sei o quanto é difícil se libertar e quão alto é o preço que se paga pela liberdade. Mas de que adianta ter o conforto de uma vida “segura”, se é por meio dessa “segurança” que a servidão e os males decorrentes desta se tornam possíveis?

Como disse Rosa Luxemburgo: “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”. É preciso, então, se movimentar, correr, gesticular, falar, até que o som das correntes seja insuportável e nós consigamos despertar de um sonho ridículo que apresenta um espetáculo celestial em meio a um inferno cercado de grades manchadas com sangue, suor e sofrimento. Se uma mente que se abre jamais volta ao tamanho original, a que se liberta jamais aceita retornar à prisão; porque por mais que as condições sejam adversas, o princípio da autonomia está dentro de nós, quando decidimos romper o medo de abrir os olhos e passamos a enxergar. Sendo assim, o cárcere não é criado do lado de fora, é criado do lado de dentro, já que a chave que prende é a mesma que liberta, pois não existe pior prisão do que uma mente fechada.

Por Erick Morais
No site "Pensar Contemporâneo".

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Sentimento infantil

"Retome o seu sentimento infantil de admiração e reverência pelo mundo ao seu redor. Veja o mundo como um lugar mágico. Lembra-se de quando você era criança e como o mundo parecia mágico? Esta sensação de encantamento é o espírito da sua criança interior e a mensagem de hoje se trata de encontrar este lugar dentro de você e trazer esta criança para se divertir novamente."

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Aprenda a se amar

Dez passos para se amar

1 - Parem com toda a crítica

- A crítica nunca muda coisa alguma. Recusem criticar-se.
Aceitem-se exatamente como vocês são. Todos mudam.
Quando vocês se criticam, suas mudanças são negativas.
Quando se aprovam, suas mudanças são positivas.

2 - Não se alarmem

- Parem de se aterrorizar com seus pensamentos.
Encontrem uma imagem mental que lhes dê prazer e imediatamente desviem os seus pensamentos para algo agradável.

3 - Sejam gentis, bondosos e pacientes

tratem-se com paciência, gentileza e bondade.
Tratem-se como fariam com alguém a quem amassem.

4 - Sejam gentis com sua mente

Odiar-se é somente odiar os seus próprios pensamentos.
Mudem gentilmente os seus pensamentos para pensamentos mais amorosos.

5 - Elogiem-se

A autocrítica deprime o espírito interior.
A exaltação o edifica.
Afirmem a vocês mesmos como é apropriado o que estão fazendo com tudo.

6 - Apoiem-se

Aproximem-se dos amigos e permitam com que eles os ajudem.
Ser forte é pedir por ajuda quando mais precisam.

7 - Sejam amorosos com seus pontos negativos

Reconheçam que os criaram para satisfazer uma necessidade.
Agora estão encontrando novas maneiras positivas de preencherem estas necessidades.
Liberem os velhos padrões.

8 - Cuidem do seu corpo

Aprendam sobre nutrição.
O que o seu corpo necessita para ter a energia e a vitalidade ideal?
Aprendam sobre exercícios.
Estimem o templo em que vocês vivem.

9 - Trabalho do Espelho

- Olhem dentro dos seus olhos frequentemente.
Expressem o sentido crescente do amor que sentem por vocês mesmos. Perdoem-se por tudo, enquanto se fitam no espelho.
Uma vez ao dia digam -
"Eu amo você" para vocês mesmos no espelho.

10- Façam-no Agora

- Não esperem até que vocês fiquem bem, percam peso ou recebam um novo emprego.
Comecem agora, façam o melhor que puderem.

Louise Hay - do livro "Criando uma Abordagem Positiva

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

A genialidade de Eduardo Galeano

"A utopia lá do Horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte copie dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia?
Serve para isso:  para que eu não deixe de caminhar."

"Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me diz que somos feitos de histórias.“

"O que são as pessoas de carne e osso? Para os mais notórios economistas, números. Para os mais poderosos banqueiros, devedores. Para os mais influentes tecnocratas, incômodos. E para os mais exitosos políticos, votos.“

"A realidade dá os cursos práticos, A TV se encarrega da teoria.“

"Esse foi o mandamento que Deus esqueceu: Serás parte da Natureza. Obedecerás a Natureza da qual fazes parte.“

"A história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi, anuncia o que será.“

"Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas."

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Saturno, regente de Capricórnio

Saturno, regente de Capricórnio, e o seu ciclo de 36 anos que começou em 2017.

Na mitologia, Saturno ou Cronos, é o poderoso Titã, senhor do tempo, filho de Gaia, a deusa Terra.

Na astrologia, rege o signo de Capricórnio e representa a seriedade, a maturidade e a prosperidade, através do trabalho honesto, incansável e eficiente. Pelo seu rigor era conhecido antigamente como o “grande maléfico”, mas na verdade é o grande professor cósmico.

A força de Saturno tem o papel de restringir, limitar e reprimir as ações dos filhos da Terra, pois para que aja crescimento emocional, amadurecimento e sabedoria, às vezes, é necessário parar e aprender a introspecção, a reserva e a observação de si mesmo.  

Este poderoso titã, não brinca em serviço e será nosso Mestre zen nos próximos 36 anos.

Em vez de nos assustarmos com isso, devemos celebrar e dar-lhe as boas vindas, pois essa mão de ferro proporcionará, aos que tiverem abertura para entender, uma boa dose de amadurecimento, sabedoria, honestidade e transparência.

Se fizermos a nossa parte, teremos como recompensa a nossa consciência expandida, de acordo com a realidade dos fatos que nos rodeiam.

Receberemos todas as bênçãos que decorrem de um posicionamento mais sábio, maduro e responsável. Desenvolveremos a capacidade de perseverar em nossas metas e objetivos de vida, com maestria, determinação e coragem, doa a quem doer.

Então é isso, pessoal, o ciclo de Saturno nos convida a muitas reflexões, estruturação de ideias, disciplina e comprometimento.

Vamos arregaçar as mangas e resolver as pendências, em todos os aspectos da nossa vida, com propósitos definidos e estratégias inteligentes.

Organizar melhor a vida pessoal e profissional, curtir a vida de forma mais consciente e prazerosa, amar mais a si mesmo e as pessoas a nossa volta.

O ciclo de Saturno nos convida a muitas reflexões, estruturação de ideias, disciplina e comprometimento.

Trechos retirados do link
http://numeroastrosflorais.blogspot.com/2016/12/vem-ai-o-grande-ciclo-de-saturno.html?m=1

O Silêncio

-O Silêncio

Nós os índios, conhecemos o silêncio. Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento.
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.

Observa os animais para ver como cuidam de seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.

Sempre observa, primeiro com o coração e a mente quietos, e então aprenderás.
Quando tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.

Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando.
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões
nas quais todos interrompem a todos,
e todos falam cinco, dez, cem vezes.
E chamam isso de "resolver um problema".
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos.
Precisam preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.
Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo, mas não vou interromper-te.
Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.

Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.

Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio.

Neither Wolf nor Dog. On Forgotten Roads with an Indian Elder" - Kent Nerburn.