sábado, 22 de abril de 2017

Verdade, a versão dos fatos

O que é a verdade senão a versão dos fatos que você dá a eles.

Verdade 1 - Lula é dono do triplex

Fatos
- Foi visto com D. Mariza algumas vezes no prédio,
- D. Mariza tinha cota de aquisição de um apartamento no imóvel,
- Houve reforma milionária no apartamento,
- O dono da OAS afirma, na segunda proposta de delação que o imóvel é de Lula,
- O referido triplex se encontra registado em nome das OAS,
- Em processo de recuperação judicial, o dono da OAS oferece o referido triplex como garantia judicial.

Verdade 2 - Lula não é dono do Triplex

Fatos
- a construção do prédio foi administrada inicialmente pela cooperativa Bancoop que por dificuldade financeira, a  repassou para a OAS empreendimentos,
- D. Mariza adquiriu cotas do empreendimento ainda no período das Bancoop, devidamente registrado nas suas declarações de renda à época,
- Nunca moraram no imóvel,
- Nunca o alugaram,
- Não venderam,
- O imóvel continua no nome das OAS,
- Não há nenhum documento, nenhuma escuta telefônica e nenhuma outra prova material que indique que o Triplex é de D Mariza.

Qual a verdade? A relacionada aos fatos 1, ou aos fatos 2?

Por isso, o ordenamento jurídico universal impõe restrições à interpretações de provas e à utilização de indícios de provas - salvo um amplo e insofismável conjunto deles.

A cautela na formação da ideia de aplicação justa do Direito é tamanha que, sabendo da condição "mastodonte" do Estado na acusação, foram preconizados princípios seguidos em todas as legislações pelo mundo de que na dúvida prevalece a argumentação do acusado.

É a chamada "presunção de inocência" considerada pelos juristas como um princípio fundamental de civilidade.

Ministros do STF que se autodenominam "garantistas", não podem ser furtar de orientar o segmento jurídico da sociedade de manter o princípio do "in dúbio pró reu" (mínimo do mínimo do garantismo),  para assegurar de que todos os inocentes, sem exceção, estejam a salvo de uma condenação equivocada, mesmo que isto acarrete na impunidade de alguns.

Trata- se de um princípio estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos promulgada pela Organização das Nações Unidas, em 1948, também assegurou tal garantia ao referir que:

“Art. XI. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente, até que a culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público, no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.”

É o nosso pátrio Supremo Tribunal Federal que, no mesmo sentido dá Declaração Universal dos Direitos Humanos, assim estabelece:

“O postulado constitucional da não culpabilidade impede que o Estado trate, como se culpado fosse, aquele que ainda não sofreu condenação penal irrecorrível. A prerrogativa jurídica da liberdade – que possui extração constitucional (CF, art. 5º, LXI e LXV) – não pode ser ofendida por interpretações doutrinárias ou jurisprudenciais, que, fundadas em preocupante discurso de conteúdo autoritário, culminam por consagrar, paradoxalmente, em detrimento de direitos e garantias fundamentais proclamados pela Constituição da República, a ideologia da lei e da ordem. Mesmo que se trate de pessoa acusada da suposta prática de crime hediondo, e até que sobrevenha sentença penal condenatória irrecorrível, não se revela possível – por efeito de insuperável vedação constitucional (CF, art. 5º, LVII) – presumir-lhe a culpabilidade. Ninguém pode ser tratado como culpado, qualquer que seja a natureza do ilícito pena (...)"

Portanto, há um nítido,

- conluio entre a mídia que massacra diariamente pessoas, acusados ou mesmo não acusados, com a participação do próprio aparato judicial do Estado municiando diariamente a mídia com vazamentos criminosos de parte dos processos,

- desrespeito às leis pátrias e dos princípios universais por parte das mídias, do Ministério Público e do judiciário no que toca aos vazamentos e à "presunção de inocência" do cidadão.

Para concluir,

O massacre diário de Lula na imprensa, visa municiar o Ministério Público a criar a sua verdade, mesmo sem fatos suficientes para fundamentar minimamente uma denúncia, e com isso influenciar a sociedade a aceitar ilações como verdades e blindar o juiz para a suas decisões antidemocráticas, injustas e ilegais.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Há meio século, tropicália chegava para 'arrombar a festa'

Marcos Augusto Gonçalves
Na Folha de São Paulo

RESUMO Autor lembra o caldo cultural em que o tropicalismo eclodiu. Por incorporarem o imaginário estrangeiro e temas da sociedade de consumo, seus artífices destoavam da canção engajada em voga nos anos 1960. Segundo o artigo, ecos do movimento ressoam ainda hoje na arte do país.

(...)
"Baby" foi gravada em 1968, um ano depois da explosão de "Alegria, Alegria" e "Domingo no Parque" no festival da Record, que marcou o lançamento dos tropicalistas na cena nacional.

Com formações inusitadas para a época, Caetano se fazia acompanhar de um grupo pop argentino, chamado Beat Boys, e Gil aparecia escoltado pelos moderníssimos Rita Lee e Os Mutantes.

Assim como "Alegria, Alegria", "Baby" destoava da nota nacionalista dominante na canção engajada que prosperava no país e atraía os corações e ouvidos de grande parte da juventude de esquerda, na onda de protestos contra a ditadura militar brasileira.

A canção de Caetano revestia-se de um internacionalismo "cool", enganosamente ingênuo, que repetia palavras do universo do consumo pop e dizia que você precisava ouvir Roberto Carlos e aprender inglês.

A letra, influenciada por conversas do compositor com sua irmã Maria Bethânia, citava também outra música, que não era da jovem guarda: a "Carolina", de Chico Buarque, que surgia justaposta à "margarina" e à "gasolina" –deixando transparecer a dimensão mercadológica da música popular, fosse ela escrita por um compositor de esquerda em registro poético elevado, fosse feita por um cabeludo do iê-iê-iê escapista. Os tropicalistas sabiam de onde estavam falando.

A ambição internacionalista do movimento decolava da plataforma de lançamento da bossa nova, uma síntese bem-sucedida e sofisticada do samba com as lições do jazz, que, ao ritmo único do violão de João Gilberto, musicou um projeto de país.

Em 1966, num depoimento à "Revista Civilização Brasileira", Caetano disse: "João Gilberto, para mim, é exatamente o momento em que isto aconteceu: a informação da modernidade musical utilizada na recriação, na renovação, no dar-um-passo-à-frente da música popular brasileira".

MODERNISMO

O tropicalismo valeu-se também da pista aberta pelo modernismo brasileiro dos anos 1920, embora os baianos ainda não soubessem inteiramente dessa conexão. Foi o poeta Augusto de Campos quem os apresentou à obra de Oswald de Andrade (1890-1954) e a suas teses sobre a antropofagia.

As relações com o grupo concreto são um capítulo importante da inscrição mais ampla do tropicalismo em São Paulo, que foi a cena fundamental do movimento. Na época dos festivais, Caetano e Gil moraram na capital paulista, e o tropicalismo suscitou nos meios intelectuais da cidade, dentro e fora da universidade, uma extensa e qualificada fortuna crítica.

Augusto de Campos foi um observador entusiasmado da primeira hora do movimento, identificando-se com sua inclinação vanguardista e seu interesse pelas linguagens da cultura de massa. O livro "O Balanço da Bossa" (2005) é um registro vivo desses encontros –e a canção "Batmacumba", do álbum "Panis et Circensis", de 1968, exemplifica muito bem a atração exercida pela poesia concreta.

Outro paulista, Roberto Schwarz, que tem seus atritos com o concretismo, tornou-se também, por caminhos diferentes, um interlocutor relevante no debate. Seu ensaio "Cultura e Política, 1964-1969", publicado no calor da hora, em 1970, na revista francesa "Les Temps Modernes", fazia uma avaliação crítica da tropicália que marcou época e continua a ser uma referência para as discussões sobre o movimento.

Mais recentemente, em comentário ao livro "Verdade Tropical" (1997), Schwarz escreveu sobre o internacionalismo tropicalista: "Caetano foi precoce na compreensão da política internacional da cultura, em que o influxo estrangeiro –inevitável– tanto pode abafar como trazer liberdade, segundo o seu significado para o jogo estético-político interno, que é o nervo da questão".

Nessa dinâmica, a influência estrangeira ou diretamente norte-americana, ainda que problemática, poderia servir como um caminho esperto para questionar o conformismo político e o preconceito cultural brasileiro –de direita, mas também de esquerda.

"O que conta não é a procedência dos modelos culturais, mas a sua funcionalidade para a rebeldia, esta sim indispensável ao país atrasado", escreveu Schwarz.

Como atitude política e estética, o tropicalismo assumiu antes a perspectiva do rebelde do que a do militante marxista, sem que isso necessariamente representasse um muro intransponível.

A politização da arte de vanguarda no pós-guerra, que ecoava a boa fórmula de Vladimir Maiakóvski ("não há arte revolucionária sem forma revolucionária"), disseminava-se em movimentos como a Nouvelle Vague francesa e se materializava no Brasil do energético 1967, em realizações potentes associadas ao tropicalismo, como o filme "Terra em Transe", de Glauber Rocha, a montagem de "O Rei da Vela" pelo Oficina ou a instalação "Tropicália", de Hélio Oiticica, que foi exposta no Rio de Janeiro em abril e emprestou seu título à canção-símbolo do movimento.

CONTRADIÇÕES

Atuando no território da música popular, exposto às complicações (mas também às vantagens) da cultura comercial e dos veículos de massa, Caetano e Gil tomaram partido de construções alegóricas e paródicas para criticar e, ao mesmo tempo, exaltar, de maneira sarcástica, carnavalesca e, por vezes, melancólica, as contradições de um país onde arcaísmos e modernidades conviviam e se entrechocavam.

O efeito dessas colagens bombásticas e cinematográficas, que confrontavam referências eruditas e vulgares nos arranjos e nas letras das canções, rompia com o programa nacional-popular, inclinado a separar, e não a justapor, o que seriam polos antagônicos e excludentes –esquerda x direita, consciente x alienado, militante x desbundado, popular x elitista, nacionalismo x imperialismo.

Em 1967, em uma entrevista, Caetano respondeu aos que lhe cobravam mais compromisso com as "raízes" da cultura nacional: "Nego-me a folclorizar meu subdesenvolvimento para compensar dificuldades técnicas. Ora, sou baiano, mas a Bahia não é só folclore. E Salvador é uma cidade grande. Lá não tem apenas acarajé, mas também lanchonetes e hot dogs''.

O compositor dizia-se cada vez mais interessado "pela vitalidade natural da música vulgar e comercial" do que pelo "intelectualismo" em que teriam caído "todos os que se acreditavam continuadores de Caymmi, Noel e outros". E completava: "Estou me esforçando para respeitar meu público, que é jovem como eu, e está também interessado em que sejamos gente do mundo de agora''.

A figuração paródica e fragmentada do país levada adiante pelo tropicalismo, embora criticada à esquerda por ser supostamente incapaz de resolver a equação e projetar o resultado para o futuro, tinha, sim, um vetor progressista e, a seu modo, nacionalista.

Um nacionalismo, no entanto, que se via tolhido pela plataforma hegemônica da esquerda e que veio a se encontrar nas imensidões históricas, afetivas, críticas e utópicas de Nabucos, Freyres, Bonifácios e Jobins.

O tropicalismo, disse Caetano certa vez, "foi uma maneira de arrombar a festa". Esquematicamente, foi uma intervenção atinada e anárquica no ambiente politizado da cultura brasileira da década de 1960, sintonizada com a cultura pop da juventude internacional.

Renovou a sintaxe, a semântica e o aspecto visual da música popular. Abriu o leque para uma atitude inconformista, transversal e cosmopolita, que questionava o obscurantismo autoritário, os moralismos, os tabus da "intelligentsia" e os códigos do bom-gostismo.

A bossa e a palhoça, Brasília e Carmen Miranda, Beatles e Vicente Celestino, Batman e macumba. A cultura brasileira contemporânea sem a tropicália seria imensamente mais pobre.

HERANÇA

Mesmo num país já bastante diferente, o tropicalismo continuou a despertar interesse nas novas gerações. A aproximação entre Chico Science e Gil ou, mais recentemente, entre Caetano e os rapazes da Banda Cê, são amostras dessas relações, atualizada pelos tribalistas Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown.

O legado está vivo, não apenas na figura lendária de alguns dos personagens centrais dessa história, como Caetano, Gil, Zé Celso ou Tom Zé, que continuam ativos e criativos, mas também na incorporação natural de questões levantadas àquela época ao fluxo da cultura contemporânea.

Ninguém imagina que se possa, no Brasil de hoje, organizar protestos contra a guitarra elétrica ou considerar que a bossa nova seja uma intromissão imperialista para descaracterizar o genuíno samba brasileiro.

Os desdobramentos estão aí, tanto nas margens, como informação e alimento para novos artistas, quanto na consagração do "mainstream" –basta dizer que "Tropicália" tornou-se música de abertura de uma novela da Globo.

sábado, 15 de abril de 2017

Ária a Ópera La Mamma Morta

Ária La Mamma Morta, da ópera Andrea Chenier.

Eles mataram minha mãe
Perto da porta que leva ao
Meu quarto.

Na morte, ela salvou minha vida.
Então, tarde da noite.
Eu deixei a casa com Bersi,

E à distância,
As chamas se elevaram atrás de nós;
Fortes línguas de fogo
clarearam o céu,
Iluminando nosso caminho.

Meu lar, meu tão amado lar,
Foi queimado até as cinzas.
Eu estava sozinho.
Não tinha teto.
Faminto e necessitado,
o perigo perseguia meus passos.

Então fiquei doente, e Bersi, pobre
fiel criatura,
Ela não me deixaria:
Ela negociou sua beleza para manter-me vivo.

Eu trouxe azar até mesmo para aqueles.
que me amam.

Em todo esse sofrimento,
Meu pobre coração despertou para o amor.

Em uma voz de suave compaixão ele
murmurou: "Ouça aquele que
vos chama. Vida é dito, vos abraça!
Em meus braços, nenhum mal pode
recair sobre vós,

Eu estou aqui, ao vosso lado.
Vossas lágrimas de desespero, eu banirei
ainda assim guiarei vossos passos vacilantes,

Eu estarei perto de vós!
Deixe a alegria preencher vossa existência,
Pois eu sou o próprio amor!
Mesmo que vosso caminho esteja escuro com terror,
Eu trarei consolo.

Pegue o coração novamente!
Erga seus olhos e me veja;
Eu venho até vós da abóbada
do céu,
Transformando a terra em paraíso.
O deus do amor sou eu!

O anjo pairou perto de mim
E me beijou com o beijo frio
da morte.
Então pegue este corpo sem valor, aqui
à sua frente.
"Isso como você deseja... pois já estou morto"

“Rentistas ou empresários”

Carlos Bresser-Pereira, professor da FGV

“O capitalismo foi um capitalismo de empresários capitalistas e trabalhadores. Havia luta pela distribuição da renda entre eles – a luta de classes – porque os empresários eram liberais, mas havia também solidariedade, porque, como os trabalhadores, eram nacionalistas, porque sabiam que o mercado interno era seu grande ativo, que precisava ser protegido da cobiça do Ocidente.

A combinação dialética entre liberalismo e nacionalismo econômico ou desenvolvimentismo era o segredo político do capitalismo. Porque este envolvia um compromisso, uma coalizão de classes, cuja expressão maior e melhor foi a socialdemocracia”.

“O capitalismo não é mais um capitalismo de empresários e trabalhadores, mas um capitalismo de rentistas, financistas e executivos das grandes empresas. O empresário é uma figura em extinção”.

Papa Francisco

“Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham sua fragrância para si. Viver para os outros é uma regra da natureza. (...) A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa”.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Dor

TAO – A Sabedoria do Silêncio Interno

Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.

Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projectem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi.

Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflicta a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e acções, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.

Se se identifica com o êxito, terá êxito. Se se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e reflectindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.

Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reacções emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluída.

Não se dê demasiada importância, e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões. Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO.

Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.

Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incómodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe.

Evite julgar ou criticar. O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.

O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projecção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles.

Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afectam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz. O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo.

Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio.

Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre… O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente.

Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser. Por outras palavras, viva seguindo a via sagrada do TAO.