domingo, 10 de novembro de 2019

A classe média e as novas derrubadas de governo

A classe média brasileira é historicamente conhecida como protetora e babadora da elite.  Qualquer estudo irá apontar que os invasores que por aqui chegaram vieram para enviar nossas riquezas para Portugal. Para o apoio desses invasores e para ficar com a sobra do esbulho, selecionavam seus Capitães do Mato, os capatazes. Os invasores (colonizadores, para os servis) se utilizavam também de formas mais sofisticadas de "colonizados" como os juízes, introduzidos ao poder para resguardar os interesses dos ricos "colonizadores". 
Quem há de negar que essa formação com base na casa grande e senzala, que perdura até hoje, derrubam governos e criam ditaduras?

A sabuja classe média

A classe média brasileira desconhece os benefícios para ela própria de reformas da social democracia. Aceita e aplaude a teoria da social democracia, mas derruba qualquer governo que tente aplicar os instrumentos inclusivos.

A nova forma de golpe

Outros defensores dos privilégios desses "colonizadores", perpetuados na formação da nossa elite, são as Forças Armadas que além de dar guarita para que se mantenha o "status quo" da nossa elite, atuam para realizar golpes políticos como o de 64. Não vamos nos esquecer que a imprensa é defensora dessa elite e também do golpe de 64,  reconhecendo sua estupidez em Editoral recente da Globo.

Nesta atualidade, quem se alia aos interesses exclusivistas e produz golpes são os parlamentos - que em 64 não foi autor, mais reafirmou cada um dos atos da ditadura. Agora os parlamentos atuam como autor e com auxílio do poder judiciário, por óbvio que fica muito mais fácil à elite falsear a verdade e justificar a "forma democrática" da derrubada de um governo eleito.

Trata-se de uma forma clara e meticulosamente preparada de novas derrubadas de governos, que um estudo realizado em 2007 por Aníbal Pérez-Liñán pela Universidade de Cambridge, cujo título foi enfático e premonitório,  "O Impeachment Presidencial e a Nova Política de Instabilidade na América Latina"', descreve: "após os regimes militares na América Latina, a opção foi por golpes não violentos, travestidos de impeachment".

terça-feira, 22 de outubro de 2019

16 sinais de que você é uma pessoa extremamente sensível

Você percebe que reflete sobre as coisas mais do que outras pessoas? Que se preocupa com o que os outros estão sentindo? Você prefere ambientes mais quietos e menos caóticos?

Se essas coisas parecem lhe descrever, talvez você seja uma pessoa extremamente sensível. Esse traço de personalidade – que foi pesquisado a princípio por Elaine N. Aron, Ph.D. no começo da década de 90 -é bastante comum, sendo que até uma em cada cinco pessoas possui essa característica. Aron, que já escreveu vários livros e estudos sobre a sensibilidade aguçada, incluindo o livro “Use a Sensibilidade a Seu Favor”, desenvolveu uma autoavaliação (em inglês aqui) para ajudar as pessoas a descobrirem se são altamente sensíveis.

Ainda que o recente interesse na introversão – impulsionado em grande parte por publicações bastante divulgadas sobre o assunto, incluindo o livro “O Poder dos Quietos” por Susan Cain – tem resultado em uma maior consciência dos traços de personalidade que valorizam menos estímulo e maior sensibilidade, Aron destaca que pessoas com alto grau de sensibilidade ainda são consideradas como uma “minoria”.

Mas ser “minoria” não é algo ruim – na verdade, ser altamente sensível implica em possuir várias características positivas. Veja aqui algumas das características das pessoas extremamente sensíveis.

1. Elas sentem as coisas de forma mais profunda. Uma característica que distingue as pessoas altamente sensíveis é a habilidade de sentirem mais profundamente as coisas do que seus pares menos sensíveis. “Elas gostam de processar as coisas profundamente”, disse Ted Zeff, Ph.D., autor do livro "The Highly Sensitive Person's Survival Guide" (O Guia de Sobrevivência da Pessoa Altamente Sensível) e de outros livros sobre pessoas sensíveis, em entrevista ao HuffPost. "Elas são muito intuitivas e mergulham fundo em si mesmas para entender as coisas”.

2. Elas têm reações mais emotivas.

Pessoas com alto grau de sensibilidade reagem de forma mais intensa às situações.

Por exemplo, elas demonstrarão mais empatia e sentirão maior preocupação com os problemas de um amigo, afirma Aron. Elas também podem ficar mais preocupadas sobre como outra pessoa irá reagir ao enfrentar um acontecimento negativo.

3. Elas provavelmente estão acostumadas a ouvir as frases "Não encare isso de forma tão pessoal" e "Por que você é tão sensível?"

Dependo da cultura, a sensibilidade pode ser percebida como uma vantagem ou como uma característica negativa, explica Zeff. Em algumas de suas próprias pesquisas, Zeff afirma que homens extremamente sensíveis de outros países– por exemplo, Tailândia e Índia – raramente ou nunca eram alvos de brincadeiras, enquanto os homens altamente sensíveis da América do Norte que ele entrevistou eram frequentemente ou sempre zombados. “Então é algo bastante ligado à cultura – a mesma pessoa que ouve ‘Ah, você é sensível demais’ em certas culturas, poderia ser vista de forma positiva em outra”, ele diz.

4. Elas preferem fazer exercícios sozinhas.

Pessoas extremamente sensíveis tendem a evitar esportes em grupo, onde existe a sensação de que todos estão observando cada movimento que elas fazem, diz Zeff. Em suas pesquisas, a maioria das pessoas altamente sensíveis entrevistadas por ele preferiam praticar esportes individuais, como o ciclismo, corrida e trilha, ao invés de esportes coletivos. No entanto, essa regra não vale para todos – existem algumas cujos pais criaram um ambiente de compreensão e apoio de forma que tornou a participação em esportes coletivos mais fácil para elas, afirma Zeff.

5. Elas demoram mais a tomar decisões.

Pessoas altamente sensíveis possuem uma percepção maior das sutilezas e detalhes que poderiam dificultar a tomada de decisões, diz Aron. Ainda que não haja uma decisão “certa” ou “errada”— por exemplo, é impossível escolher um sabor “errado” de sorvete – mesmo assim pessoas altamente sensíveis tendem a demorar mais para escolher, pois estão pesando cada resultado possível. O que Aron aconselha para lidar com isso: “Leve o tempo que a situação permitir para escolher e peça mais tempo se precisar e estiver disponível”, ela escreveu em uma edição recente da sua newsletter chama Comfort Zone. "Durante esse período, tente imaginar por um minuto, hora, dia ou mesmo semana, que você tomou certa decisão. Como se sente com isso? Muitas vezes, depois de tomarmos uma decisão temos uma visão diferente e esse exercício lhe permite imaginar de forma mais real que você já está na situação”. Uma exceção: Uma vez que uma pessoa muito sensível chega à conclusão de qual é a decisão certa e qual é a errada a tomar em uma determinada situação, ele ou ela conseguirá tomar a decisão “certa” mais rapidamente no futuro.

6. Por outro lado, elas ficam mais chateadas se tomam uma decisão “ruim” ou “errada”.

Você já conhece aquela sensação incômoda quando se dá conta de que tomou uma decisão ruim. Para pessoas altamente sensíveis, “essa sensação é ampliada devido à reação emocional exacerbada”, explica Aron.

7. Elas são extremamente detalhistas.

Pessoas extremamente sensíveis são as primeiras a perceber os detalhes em um ambiente, os sapatos novos que você está usando ou uma mudança no clima.

8. Nem toda pessoa altamente sensível é introvertida. Na verdade, aproximadamente 30% das pessoas altamente sensíveis são extrovertidas, de acordo com Aron. Ela explica que, muitas vezes, pessoas sensíveis que também são extrovertidas foram criadas em uma comunidade onde as pessoas eram próximas, seja um bairro, uma cidade pequena - o que lhes proporcionava interação com muitas pessoas.

9. Elas trabalham bem em equipe.

As pessoas muito sensíveis são ótimas profissionais e trabalham bem em equipes devido ao seu pensamento profundo, diz Aron. Porém, talvez se encaixem melhor desempenhando funções em equipes onde elas não tenham que tomar a decisão final. Por exemplo, se uma pessoa altamente sensível faz parte de uma equipe médica, ele ou ela contribuiria muito na análise dos prós e contras de uma cirurgia para o paciente, enquanto outro profissional tomaria a decisão final sobre a realização ou não da cirurgia no paciente.

10. Elas estão mais propensas à ansiedade ou depressão (mas só se tiveram muitas experiências negativas no passado). "Se você teve várias experiências ruins, especialmente no começo da vida, você não se sente seguro no mundo ou em casa ou na escola. O seu sistema nervoso está sempre no modo ‘ansioso’”, explica Aron. Mas isso não significa que todas as pessoas altamente sensíveis continuarão sendo ansiosas – e na verdade, ter um ambiente de apoio pode ajudar bastante a prevenir isso. Pais de crianças muito sensíveis precisam ter uma consciência maior “de que ela são fantásticas, mas precisam ser tratadas da maneira correta”, diz Aron. “Você não pode protegê-las demais e nem de menos. Você precisa achar o ponto certo, quando elas são pequenas, para que possam sentir confiança e lidar bem com isso”.

11. Aquele som irritante provavelmente irrita muito mais uma pessoa altamente sensível. Ainda que praticamente ninguém goste de ruídos irritantes, em geral, pessoas extremamente sensíveis têm maior sensibilidade ao caos e ao barulho. Isso acontece por elas ficarem mais facilmente sobrecarregadas e excessivamente estimuladas com muita atividade, afirma Aron.

12. Filmes violentos são os piores. Devido ao alto nível de empatia e à facilidade de ficarem excessivamente estimuladas, talvez filmes violentos ou de terror não sejam a melhor pedida para pessoas altamente sensíveis, diz Aron.

13. Elas choram com mais facilidade.

E por isso é importante que pessoas muito sensíveis não se exponham a situações em que sentirão vergonha ou onde não é ‘permitido’ chorar facilmente, diz Zeff. Se amigos e familiares entendem que a pessoas é simplesmente assim – que ela chora facilmente – e apoiam essa forma da pessoa expressar-se, então “chorar com facilidade” não será uma coisa vergonhosa.

14. Elas são extremamente bem-educadas. Pessoas altamente sensíveis também são pessoas altamente conscientes, diz Aron. Por isso, elas provavelmente são atenciosas e agem de maneira educada – e também estão mais propensas a perceber quando alguém não tem consideração pelos outros. Por exemplo, pessoas muito sensíveis podem ter consciência maior de onde deixam o carrinho parado no supermercado – não por medo de alguém passar e pegar algum produto, mas para evitar serem mal-educadas e deixar o carrinho atrapalhar a passagem de outra pessoa.

15. Os efeitos das críticas são ainda maiores para pessoas extremamente sensíveis. Elas reagem de forma mais intensa às críticas do que as pessoas menos sensíveis. Como resultado disso, elas podem usar certas táticas para evitar tais críticas, talvez tentando sempre agradar às pessoas (para que não haja o que criticar), criticando a si mesmas primeiro ou evitando totalmente a origem das críticas, de acordo com Aron.

"As pessoas podem falar coisas negativas e uma pessoa que não é altamente sensível pode responder dizendo ‘E daí?’ e isso não lhes afeta”, diz Zeff. “Mas uma pessoa altamente sensível sentiria aquilo de forma muito mais profunda”.

16. Cubículo = bom. Escritório amplo = ruim.

Da mesma forma que pessoas altamente sensíveis gostam de fazer exercícios sozinhas, elas também preferem ambientes em que trabalham a sós. Zeff diz que muitas pessoas extremamente sensíveis gostam de trabalhar em casa ou serem autônomas, porque podem controlar a quantidade de estímulos no ambiente de trabalho. Para as pessoas que não podem se dar ao luxo de ter horário (e ambiente) flexível, Zeff observa que costuma ser mais vantajoso trabalhar em um cubículo – onde terão mais privacidade e menos barulho – do que em um escritório com layout mais aberto

Texto de Amanda L. Chan                            No Huffpost


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Reforma tributária precisa taxar a riqueza

Reforma tributária precisa taxar a riqueza
folha.uol| 20 de Setembro de 2019

É muito preocupante que o foco principal da reforma tributária em discussão no Congresso não seja a péssima distribuição de renda no nosso país. Claro que diminuir a burocracia, eliminar a imensidão de tributos e garantir mais recursos para estados e municípios são todos temas muito importantes, mas reduzir a desigualdade é fundamental, e o melhor mecanismo para isso seria uma taxação mais justa do Imposto de Renda. Não podemos perder essa oportunidade.

São raros os países do mundo como o nosso, onde um quarto da renda total existente fica nas mãos de apenas 1% da população. É vergonhoso, mas estamos na lista dos dez piores países do mundo em matéria de distribuição de renda. Pior é quando verificamos que nossos colegas de lista são quase todos países africanos muito pobres. Somos o único país economicamente relevante a figurar nesse ranking.

Em um momento de discussões é vital que nossos parlamentares examinem os sistemas tributários que prevalecem em outros países. Assim vão constatar que uma regra seguida por todos é que quanto mais rica a família maior a taxação e, consequentemente, o imposto pago.

Infelizmente, não é o que acontece por aqui, onde as famílias muito ricas ganham acima de R$ 320 mil por mês e pagam uma taxa efetiva de apenas 6% sobre o que recebem —enquanto isso, uma família classe média, com renda em torno de R$ 20 mil por mês, paga mais que o dobro, ou seja, 13% de imposto.

O problema se deve ao fato de que a grande maioria da classe média e dos mais pobres vive de seus salários, enquanto os muito ricos vivem do lucro de suas empresas e dos dividendos obtidos com aplicações no mercado de capitais. Acontece que, no Brasil, ao contrário da grande maioria dos países, lucros e dividendos são taxados somente no Imposto de Renda das empresas.

Há mais injustiças: o principal imposto no Brasil é o ICMS, que é estadual e recai sobre todos os produtos e serviços. Medicamentos, por exemplo, pagam uma alíquota de 18% e são consumidos por ricos e pobres. Mas, para o pobre, ao contrário do rico, o sacrifício para pagar esse imposto é enorme. É injusto, e é por isso que nos países desenvolvidos o Imposto de Renda é sempre a principal fonte de arrecadação dos governos. Ao não fazê-lo, o sistema tributário brasileiro perpetua a desigualdade. Nessa nova reforma isso poderia ser facilmente corrigido.

A outra discrepância está no imposto sobre herança. O Brasil ostenta uma das mais baixas alíquotas no mundo para o mesmo. Heranças no Brasil são tributadas pelos governos estaduais, e sobre elas incide um imposto de apenas 4%, ou um décimo do valor da alíquota do Reino Unido, onde esse tributo é um dos mais importantes. Assim mesmo, no Brasil, em 2016, os governos estaduais arrecadaram com ele R$ 7,2 bilhões. Se a alíquota fosse a mesma do Reino Unido e o imposto passasse a ser federal, teríamos uma arrecadação de R$ 72 bilhões, mais da metade do déficit fiscal anual do ano passado.

Segundo relatório do banco Credit Suisse, divulgado por esta Folha em 18 de outubro de 2018, havia no Brasil 154 mil adultos que possuíam um patrimônio pessoal de mais de US$ 1 milhão. Suponhamos, conservadoramente, que esse patrimônio seja, em média, de US$ 2 milhões. Isso significaria um patrimônio total de R$ 1,2 trilhão. Um imposto de apenas 2% sobre essa riqueza daria ao governo uma arrecadação adicional de R$ 24 bilhões. Somando-se um novo imposto sobre herança com um pequeno imposto sobre riquezas teríamos cerca de R$ 96 bilhões, o que por si só seria suficiente para eliminar nosso déficit fiscal anual.

Os exemplos acima servem para mostrar que não é tão difícil promovermos justiça fiscal condizente com um país que pretende combater a desigualdade.

Taxar os ricos e as grandes fortunas nos tornará um país um pouco mais justo e abrirá caminho para o efetivo desenvolvimento de milhões de brasileiros que hoje sobrevivem com migalhas e esmolas —as quais chamamos de programas sociais.

https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/09/reforma-tributaria-precisa-taxar-a-riqueza.shtml

O crescimento vigoroso

Por que cortar gastos não é a solução para o Brasil ter crescimento vigoroso?
folha.uol| 14 de Setembro de 2019.

Vivemos a mais longa crise econômica da nossa história e o ritmo de recuperação segue muito lento, apesar da enorme capacidade ociosa da nossa indústria, mantendo um alto nível de desemprego, incertezas sobre o futuro do país e um processo de empobrecimento de amplos setores da população.

Nesse ambiente de demanda reprimida, o governo deveria estar agindo como a experiência internacional nos ensinou após a grande crise de 2008/2009, oferecendo estímulos fiscais para que o país volte a crescer de forma consistente.

Contudo, nossas autoridades e muitos economistas ortodoxos parecem continuar reféns de um diagnóstico que dominou a narrativa política nos últimos quatro anos: a ideia de que o desequilíbrio fiscal é a raiz dos problemas econômicos e o excesso de gastos públicos é a sua causa.

Além de tal diagnóstico não ser confirmado pelos números, ele tem sido usado para defender uma política de ajuste fiscal, que reduziu o investimento público ao menor nível em 50 anos e não obteve sucesso em controlar o déficit público.

Apesar do evidente insucesso dessa política e dos prejuízos sociais que dela decorrem, alguns economistas, dos quais deveríamos esperar menos dogmatismo, insistem em manter de pé o teto de gastos --a regra fiscal que congela por 20 anos o gasto público na esfera federal, uma regra que não encontra precedentes no mundo desenvolvido e que está ameaçando paralisar a máquina pública.

O que nos remete à seguinte pergunta: a insistência em um diagnóstico e uma política equivocada reflete apenas uma fé cega ou estaria a serviço de determinados interesses econômicos e políticos?

O diagnóstico está errado: a culpa não é do gasto público

A ideia de que o governo precisa cortar gastos para voltar a crescer ganhou status de mantra. Argumentos falsos e mesmo um tanto infantis como "acabou o dinheiro" e "o Brasil quebrou", em conjunto com as frequentes comparações do Orçamento do governo com o orçamento de uma família têm promovido um ambiente que deixa pouco espaço para o debate qualificado.

Não, o país não quebrou. Não, o dinheiro não vai acabar enquanto o Estado puder exercer suas funções fiscais na sua própria moeda e alocar recursos a partir das escolhas da sociedade.
(...)
Portanto, o suposto excesso de gastos públicos não explica a evolução da dívida.

Os aumentos recentes da dívida pública decorrem principalmente dos gastos com juros e da queda do crescimento econômico, que, conforme veremos, é em parte explicada pelo corte de gastos públicos.

Não obstante, há outro mito que ronda o debate público: o mito do "crescimento acelerado dos gastos obrigatórios", pleiteado por Marcos Lisboa, Marcos Mendes e Marcelo Gazzano em artigo publicado na Folha no dia 8 deste mês (Por que o governo deve cortar gastos para o Brasil crescer?).

Um crescimento acelerado é uma referência ao aumento da taxa de crescimento. No entanto, ao contrário do que os autores argumentam, os dados mostram que a taxa de crescimento do gasto público caiu desde 2011, tanto os discricionários quanto os obrigatórios.

A taxa de crescimento real das despesas primárias do governo federal desacelerou de 5,2% ao ano no período de 2003 a 2010 para 3,5% no período de 2011 a 2014 e, finalmente, para 0,5% no período de 2015 a 2018. No entanto, a desaceleração das receitas nesses períodos foi maior, o que resultou na deterioração do resultado primário.

Ao analisar a evolução da composição das despesas entre 2002 e 2014, apontada por alguns como o período de "gastança", não se verifica um aumento substantivo dos gastos do governo federal em relação ao PIB, tampouco da proporção do gasto com pessoal, que se reduz em 0,7 p.p. do PIB.

As despesas que aumentam são as transferências para as famílias (0,6 p.p. do PIB), Educação (0,5 p.p.), investimentos (0,3 p.p.) e despesas correntes (0,3 p.p.).

Portanto, o maior aumento relativo foi dos investimentos públicos. Os investimentos cresceram em média 8,5% ao ano entre 2003 e 2010 e caíram 31% em média por ano, entre 2015 e 2018.

Remédio errado: corte de gastos não gera crescimento

Para além dos mitos criados em torno do excesso de gastos públicos, o debate brasileiro também está preso à ideia de que o ajuste fiscal e o corte de gastos contribuem para o crescimento econômico, a chamada tese da "contração fiscal expansionista", formulada por Alberto Alesina e outros economistas italianos na década de 1990.

Essa tese passou a ser desconstruída, desde 2012, pelos fatos e por novos estudos, até mesmo do FMI (Fundo Monetário Internacional), demonstrando as falhas da metodologia usada para embasar a conclusão.

Como argumentou Paul Krugman, a austeridade é um culto em decadência e a pesquisa que lhe dava suporte foi desacreditada. Há estudos que mostram que, além do efeito recessivo, a austeridade também provoca um aumento da dívida pública e uma piora da desigualdade social.
(...)
Diante do exposto, a interpretação de que a crise brasileira é decorrente de excessos de gastos não faz nenhum sentido, assim como cortar gastos não contribuirá para a retomada do crescimento.

Não se quer com isso dizer que o desempenho macroeconômico, a partir de 2015, esteja relacionado exclusivamente ao corte das despesas públicas, pois a crise brasileira deve ser estudada a partir de suas múltiplas determinações.

Entretanto, todas as evidências mostram que a virada na política econômica para a austeridade em 2015 contribuiu para o aprofundamento da recessão.

Consequências e aspectos políticos da austeridade

Como mostrado no livro "Economia para Poucos", os efeitos sociais da austeridade já podem ser notados na restrição de acesso a saúde, educação, moradia e à deterioração do ambiente. Dada a sua seletividade, tais políticas impactam mais fortemente alguns grupos, especialmente negros e mulheres.

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/09/por-que-cortar-gastos-nao-e-a-solucao-para-o-brasil-ter-crescimento-vigoroso.shtml

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Transformações

1.
Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio…
Estou perdido… Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio… É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5.
Ando por outra rua.

Texto extraído de O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche

Almas Antigas – O poder transformador

Texto imperdível para quem tem filhos muito sensíveis e amigos sensitivos.

Almas Antigas – O amor transformador

Existe um tipo especial de pessoa neste mundo que é, muitas vezes, incompreendido. Essas pessoas tendem a ser solitárias, espíritos livres, amantes inocentes. Elas olham o mundo como poderia ser – e como deveria ser – embora o mundo raramente as enxergue.

São as almas antigas, os sonhadores, as pessoas em sintonia com a vida, tão intuitivas de emoções que nos assustam. Nos assustam não por causa de quem são, mas por causa de quem nós não somos, do que nos falta.

Almas antigas atingem profundidades que não podemos compreender. Elas têm uma conexão com Deus, com o Universo, com a Natureza, e é por isso que elas são as pessoas que vão mudar o mundo.

É preciso ser uma pessoa confiante para amar uma alma velha. Mas vale muito a pena. Isso irá mudar sua vida.

1. Elas são românticas
Apreciam os nossos corações e fazem isso com estilo: com piqueniques e velas e elementos surpresa. As Almas antigas têm um dom para se divertir, para a paixão e aventura, e só se revelam para aqueles a quem amam.

2. Elas são leais
Dê a uma alma antiga amor, respeito, paixão, e ela será fiel a você para sempre. Almas antigas não estão atrás de amizades superficiais, ou encontros de uma noite. Elas valorizam o interior. A Verdade. A Autenticidade. E se você atender a essa necessidade, o amor que ela tem por você nunca vai morrer. Ela estará junto com você quando seus sonhos se estilhaçarem, quando a vida ficar difícil, na alegria e na tristeza.

3. Elas nos ajudam a crescer
As Almas antigas têm mentes curiosas. Elas se inspiram facilmente e desejam aprender o máximo possível sobre o mundo e aqueles ao seu redor. Elas não temem a mudança ou a aventura. Estão abertas a novas ideias e novas maneiras de fazer as coisas. Desejam crescer como pessoas (espiritualmente, emocionalmente e fisicamente) para nos inspirarem a crescermos e mudarmos também.

4. Elas não são materialistas
As Almas antigas se preocupam mais com as experiências, com a qualidade do tempo que passam juntos. Não se preocupam com joias caras e flores, nem nada que o dinheiro compra. Elas valorizam você, a pessoa maravilhosa que você é, a pessoa pela qual se apaixonaram.

5. Elas compreendem as profundas conexões da vida
As Almas antigas podem parecer, às vezes, distantes, quase sobrecarregadas com o estresse do mundo ao seu redor. Elas, muitas vezes, refletem sobre o amor, a dor e a preocupação. Suas mentes estão trabalhando duro para tentar resolver os problemas do mundo e os problemas de sua alma. Elas fazem isso por conta de seu forte desejo de curar o mundo. Ajudar aos outros e a si mesmas. Então, aprecie suas emoções ricas e mágicas, que são profundas. Valorize as profundezas de sua alma. Deixe-a voar para que possa compartilhar seu coração aberto com aqueles que precisam.

6. Elas são gratas
Porque o que é bom neste mundo pode dar a impressão de ser pouco e meio distante, porém as almas velhas buscam e apreciam a beleza. Elas procuram o melhor nas pessoas, a beleza a sua volta, pelas bênçãos da vida. E, muitas vezes, encontram. O que as tornam uma luz para tudo e para todos aos seu redor.

7. São exemplos de bravura
É incompreendido na vida, é desvalorizado, é visto como um estranho, é banido do grupo – e ainda assim sobrevive – UAU!!. As Almas antigas são as pessoas mais corajosas que eu conheço. Elas andam pelas estradas mais dolorosas desta vida, e ainda assim, de alguma forma, criam coragem de sorrir. Por serem altruístas. Por apoiarem os outros.

8. Elas são autênticas
As Almas antigas não são falsas. Eles não fazem jogos. E nem vão dizer o que você quer ouvir quando não concordarem. Delas você ouvirá a verdade, quer goste ou não. E, embora, às vezes, a verdade possa machucar, pelo menos é a verdade.
E sim, quando uma alma velha está triste, não consegue esconder. E pode ser um processo doloroso assistir sua tristeza, se você a amar. Mas lembre-se, nunca serão falsos.

9. Elas têm fé em nós
Elas enxergam o melhor de nós quando não conseguimos ver isso por nós mesmos. Nós podemos ser os maiores idiotas, ingratos, egoístas, e mesmo assim ela não desistirá de nós. Elas nos motivam a sermos melhores, mais fortes, mais autênticos. Elas nos lembram do que é belo neste mundo. Nos inspiram a seguirmos o nosso coração e perseguirmos nossos sonhos.
Elas são o tipo de pessoas das quais precisamos em nossas vidas, porque enxergam o potencial que ainda temos que ver.

10. Elas nos Amam
Ser amado por uma alma antiga é sentir as vastas extensões dos oceanos, dos céus e das estrelas, tudo de uma vez. O amor de uma alma velha é um fogo verdadeiro, ardente de amor profundo que inflama a depravação dentro de nossas próprias almas. É intenso e poderoso, altruísta e infalível. Amar e ser amado por uma alma velha nos cura, nos transforma e nos molda em pessoas mais apaixonadas.

Autor: Manoela Z. Bruscatto

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Irmãos Koch, os donos do mundo

(...)
Ao longo do século passado, os movimentos revolucionários de classe foram se tornando reformistas e, através da pressão sindical e ativismo político, foram conquistando melhorias que acabaram definindo o Estado de bem-estar europeu, essa mistura de economia de mercado, saúde e educação universais, igualdade perante a lei, governança democrática e impulso de progresso que até recentemente dávamos como certo.

Até mesmo nos Estados Unidos, desde a época do New Deal de Roosevelt, a crueza extrema do capitalismo e do individualismo a todo custo foi moderada graças às leis que limitavam o tamanho das grandes empresas, promoviam um nível básico de proteção social e asseguravam, graças à força dos sindicatos, condições salariais aceitáveis, serviços de saúde e aposentadorias decentes aos trabalhadores.

Os reformistas consideravam que as coisas poderiam sempre melhorar, que se poderia avançar na igualdade e nos direitos civis, que gradualmente, com um esforço contínuo, as mulheres poderiam ser iguais aos homens e as minorias marginalizadas e perseguidas alcançariam uma cidadania plena.

Os reformistas, entretanto, não contavam com os revolucionários. Mas os revolucionários não eram os iluminados da extrema esquerda, místicos e sectários como cristão primitivos, adoradores de velhos tiranos e de burocracias esclerosadas. Os revolucionários de verdade, os radicais sem consideração, os adversários mais temíveis do estabelecido não eram os militantes intoxicados de catecismos ideológicos, os pobres que não tinham lugar na sociedade de bem-estar e os imigrantes forçados a arriscar a vida para fugir da fome e da opressão. Os revolucionários incorruptíveis a toda moderação reformistas foram os ricos, e com eles, seus porta-vozes e propagandistas.

Há pouco mais de dois anos Jane Mayer publicou um estudo corajoso e rigoroso sobre a maneira que alguns bilionários financiaram desde o começo dos anos setenta a guinada teórica e política que levou ao desmantelamento das conquistas sociais, às maciças diminuições de impostos a favor dos ricos e à eliminação das regulamentações que desde a época da New Deal limitavam a capacidade de especulação e manipulação dos grandes bancos e das agências financeiras de Wall Street.

Jane Mayer dedica em seu livros muitas páginas aos irmãos David e Charles Koch, dos quais pouca gente havia ouvido falar até então, mas que possuíam um dos grupos empresariais mais poderosos do mundo, e há décadas financiavam cadeiras universitárias, centros de estudo, campanhas políticas, toda uma máquina formidável dedicada a um único objetivo: o descrédito e a anulação da capacidade reguladora e de redistribuição do Estado, e de qualquer limite fiscal, social e ambiental à exploração dos recursos naturais e ao enriquecimento dos mais ricos.

Dark Money é um livro instrutivo e aterrorizante. Agora estou lendo outro que dá ainda mais medo, talvez porque se concentre exclusivamente na história desses dois irmãos, Kochland, de Christopher Leonard, e do gigante empresarial que levantaram. A Koch Industries tem negócios em 60 países e mais de 100.000 empregados. Possui refinarias, fábricas de gás natural, redes de oleodutos, fábricas de fertilizantes e de ração, de toalhas de rosto, de papel higiênico, até de cartões de aniversário. Entre os dois irmãos —um deles morreu meses atrás— reuniam uma fortuna de mais de 100 bilhões de dólares (414 bilhões de reais). Gastaram centenas de milhões em financiamentos de campanhas de candidatos extremistas hostis aos impostos, aos direitos sindicais e a qualquer tipo de controle de emissões de gases de efeito estufa. Em suas empresas fizeram todo o possível para minar qualquer tipo de ativismo sindical e implantaram métodos de controle e de produtividade que não dão respiro aos trabalhadores e que os forçam a competir uns com os outros. Pelo dinheiro e tráfico de influências, fizeram fracassar a lei de proteção ambiental bem moderada promovida por Barack Obama em seu primeiro mandato. Financiaram e organizaram campanhas contra qualquer projeto de transporte público colocado em andamento em qualquer grande cidade americana. Nos anos oitenta se descobriu que a Koch Industries roubava as tribos indígenas em cujas reservas explorava petróleo, declarando quantidades inferiores às que extraíam; também lançavam resíduos tóxicos e águas contaminadas nas matas e rios próximos a sua maior refinaria de petróleo. Pagaram multas ridículas.

Kochland não é um panfleto. Christopher Leonard é um jornalista econômico dotado desse invejável talento anglo-saxão para esclarecer o complexo sem simplificá-lo e para dar ímpeto narrativo à história do crescimento e da expansão de um grupo empresarial que está disposto a nunca aceitar o menor limite à vontade de enriquecimento e domínio de seus donos. Nos anos oitenta a Koch Industries sofreu contratempos por burlar as leis. A estratégia dos Koch a partir de então foi assegurar-se de que nenhuma lei ficasse em seu caminho, e de comprar quantos políticos fossem necessários para consegui-lo. São revolucionários porque só se contentam com tudo.

Anular a resistência dos trabalhadores sempre foi outro de seus objetivos principais. O episódio mais triste do livro de Leonard é a crônica de uma negociação entre os diretores de uma fábrica de tratamento de papel dos Koch e os representantes sindicais. O sindicato está dizimado e desmoralizado porque tem cada vez menos membros. Os salários são tão baixos que os trabalhadores não podem se arriscar a uma greve, sequer a uma sanção. Do modo reformista, os porta-vozes sindicais procuram uma modesta melhoria salarial, uma segurança de que poderão manter suas aposentadorias. Nem mesmo isso conseguem. A Koch Industries é uma empresa revolucionária: não querem vencer a negociação com o sindicato, querem destruí-lo. A produtividade aumentou mais de 70%, mas os salários continuam congelados e perdem valor há anos. É 2016 e nas primárias do Partido Democrata os trabalhadores sindicalizados votam em Bernie Sanders. Quando chegam as eleições, ainda que a diretoria sindical que não soube e não pôde defender seus direitos peça o voto em Hillary Clinton, a maior parte dos trabalhadores da fábrica, vencidos, amargurados, ressentidos, vota em Trump.

de Antonio Muñoz Molina, brasil.elpais.com.
23 de Setembro de 2019

Derrota nas eleições pode levar Macri ao banco dos réus

Derrota nas eleições pode levar Macri ao banco dos réus
folha.uol| 28 de Setembro de 2019

(...) A partir de 11 de dezembro, quando começa o novo mandato, o atual líder pode parar no banco dos réus.

Já existem diversas causas relevantes sendo avaliadas ou mesmo com investigações avançadas que envolvem Macri e a cúpula de seu governo.

A principal delas é a dos Correios Argentinos, que remonta a um tempo anterior à chegada de Macri à Casa Rosada.

O Grupo Macri —conglomerado do qual a família do presidente é proprietária e que atua nas áreas de construção, engenharia, coleta de lixo, automóveis e outros—, decidiu em 1997 comprar os Correios.

A empresa estava sendo privatizada dentro de um amplo programa de desestatização promovido por Menem.

O Grupo Macri, à época comandado por Franco Macri (1930-2019), pai do atual presidente, manteve-se à frente dos Correios até 2003, quando a companhia foi novamente estatizada no governo de Néstor Kirchner (2003-2007).

Ocorre que, à época, os Correios estavam devendo ao Estado argentino US$ 296 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão).

O caso ficou parado por anos até que, em junho de 2016, com Mauricio Macri na Presidência, o grupo familiar fez uma proposta de pagamento à Justiça que transformava a dívida em pesos —com a cotação da época— e a dividia em 15 parcelas anuais.

Ou seja, favorecia de forma “abusiva”, como considerou a juíza do processo, os Macri.

O caso ganhou repercussão em 2017, quando detalhes do acordo não aceito pela Justiça foram revelados na imprensa local. Desde então, os advogados do grupo e a Justiça travam batalha nos tribunais.

Enquanto isso, um juiz federal recolhe evidências para um processo contra Macri e seus irmãos e primos, acionistas da empresa. Se o processo for adiante, eles serão acusados de não terem pago a dívida e, mais grave, Macri pode ser acusado de ter abusado dos poderes do cargo para amenizar a dívida da família.

Outro processo cuja investigação está em andamento é o do “dólar pós-primárias”. Assim como Cristina Kirchner responde a um processo por supostamente ter se aproveitado de informações sobre maxidesvalorizações do peso para comprar moeda estrangeira, há indícios de que Macri e outros membros do governo tenham feito o mesmo.

Isso teria ocorrido depois da derrota do governo nas primárias, em 11 de agosto.

Há, ainda, investigações sobre suposto superfaturamento de uma das obras-estrela da gestão Macri, o Paseo del Bajo, que transferiu vias de trânsito para o subterrâneo da cidade, e sobre o envolvimento de empresas que eram parte do Grupo Macri em escândalos de superfaturamento de outras obras.

Outro dos casos é o que envolve a companhia aérea Avianca. O Grupo Macri era dono da empresa de voos privados Macair e a vendeu para a firma colombiana. Porém, o negócio foi feito quando Macri já era presidente e tinha planos de abrir o mercado para voos de baixo custo na Argentina.

A Avianca, então, teria recebido, em troca da compra da Macair, informação privilegiada sobre acesso às concessões de companhias desse modelo. A Avianca chegou a ficar com mais da metade do mercado.

Por fim, está sendo colocada em questão por parte da Justiça argentina a lei de “branqueamento” decretada pelo governo Macri em 2017. Por meio dela, pessoas que tinham dinheiro ou bens nunca declarados à Receita no exterior seriam anistiadas caso repatriassem esse dinheiro.

Assim, milionários que nunca haviam pago nenhum imposto sobre bens e fortunas no exterior tiveram suas dívidas com a Receita perdoadas. Um dos primeiros a ter acesso à lei foi Gianfranco Macri, irmão do presidente e atual líder do Grupo Macri.

Os advogados da empresa negam que o presidente tenha usado o cargo para favorecer suas empresas. Macri alega ter entregue a gestão de seus negócios a um representante legal independente e, para evitar processos, transferiu quase todos os seus bens aos filhos.

Todas as causas terão andamento, e provavelmente mais rapidamente, se Macri for derrotado nas urnas. Na Argentina, porém, a Justiça tem relação próxima ao Executivo.

Portanto, se esses processos continuam ou não, dependerá, em boa parte, de como será a relação de Macri com o provável vencedor da eleição —Alberto Fernández— e com o peronismo.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/09/derrota-nas-eleicoes-pode-levar-macri-ao-banco-dos-reus.shtml