sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Intolerância política

Idiotas reproduzem a crença de que a confusão no país se deve ao petismo X antipetismo. Os dois candidatos que foram ao segundo turno em São Paulo nada têm com o PT, e a guerra e intolerância entre eles e seus eleitores é muito mais aguda.
A intolerância política foi construída pela mídia que tanto bombardeou este setor que é o receptor da representação direta de nós da população.
Foi essa condução midiática, dentro dos seus referenciais de construção de audiência, que fez com que os debates fosse entre gladiadores que - já não falam mais de suas propostas políticas, econômicas e sociais - optaram pela campanha de apontar quem é mais filho da puta do que o outro .

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Preconceito e campanhas políticas

Sou do Nordeste, e digo, por aqui Ciro não teria nem a metade dos votos de Haddad.

O Nordeste é PT. A prova disso é que mesmo no Ceará a vitória de Ciro foi mínima, se é que ele ganhou por lá.

O resto do Brasil é antinordeste, é antiesquerda, é antifesenvolvimentismo, tudo isso ainda antes de ser antipetista.

No Brasil é claríssima a luta de classes.

Com tantos anos de poder da esquerda (Senzala) e muitas falhas, a Casa-Grande conseguiu se aglutinar fortemente.

O que se vê nessa campanha é o antinegro,  antigay, o antimulher, tudo isso dissimulado no anti-pt pela vergonha de se ver como arrogante, prepotente e preconceituoso, características da nossa classe média.

É como se o PT fosse o demônio, mas o mal, para eles, são os gays, os pobres, os negros e as mulheres, enfim os "frágeis" (minorias).

Não se iluda com a história do Brasil

Não se iluda.
A guerra brasileira não é de agora. Não é petismo e antipetismo. Basta ver na história o que era a UDN e seu partido rival PSD.

Não se iluda. A luta, desde sempre, é da "casa grande contra a senzala". Foi a Casa Grande quem derrubou Vargas, Jango e cortou os direitos políticos de Juscelino.

Sempre que a esquerda (Senzala) conseguiu chegar ao poder e fazer alguns avanços, imediatamente à direita corta qualquer um dos seus candidatos seja de que partido for e sempre na forças dos golpes.

Eles não permitiriam nunca a vitória de Ciro por que sabem ser ele mais perigoso do que Haddad. Foi assim que eles preferiram o Lula a Brizola lá na década de 80.

A casa grande quer qualquer um, menos a esquerda. Lembre que eles tentaram Luciano Huck, Dória, Joaquim Barbosa, Alckmin - o seu preferido, e agora tiveram que engolir e levar bolsonaro aos seus próprios caixões. Ciro como representante da esquerda sofreria um bombardeio ainda maior do que Haddad, seu telhado é mais frágil.

Bolsonaro, o Leopardo de Lampedusa

Bolsonaro, o Leopardo de Lampedusa

“Algo deve mudar para que tudo continue como está”

“O Leopardo”, de Tomasi di Lampedusa, publicado postumamente e popularizado pelo gênio do cineasta italiano Luchino Visconti, narra a decadência da nobreza e a ascensão de uma nova classe (e tão arcaica quanto a velha) na Itália do final do século 19, endinheirada, destituída de sangue azul, mas ávida para comprá-lo

Outro importante aspecto enfatizado pelo sábio florentino em seus escritos se refere a um momento em que uma velha ordem de valores é contestada e as sociedades entram em conflito para que surja uma nova ordem, diferente, mas com padrões semelhantes, da antiga.

Momentos assim são difíceis, não só porque geram instabilidades, mas sobretudo porque, na maioria das vezes, são como um pontapé numa já podre porta. Na maioria das vezes, tais situações exigem derramamento de sangue. É daí que surgem as guerras e as revoluções.

A história está aí para nos mostrar que isso é uma verdade.

Fanatismo Político

O Brasil de bolsonaro

Fanatismo político é uma forma de fanatismo caracterizada pela devoção incondicional, exaltada e completamente isenta de espírito crítico, a uma ideia ou concepção. Em geral o fanatismo também se caracteriza pela intolerância em relação aos demais pensamentos. Um fanático politico é, muitas vezes, um indivíduo disposto a se utilizar de qualquer meio para firmar a primazia da sua ideia sobre as demais.

O fanatismo geralmente é organizado por um líder messiânico que leva seus adeptos a pensar que o “Mal” está sempre fora do seu meio, que é sempre um perigo que vem do outro lado e que deve ser combatido.

O fanatismo escolhe o seu líder messiânico onde seu discurso separa aqueles do seu lado como do bem, e todos que não fazem parte do seu grupo do mal.

O seu líder é sempre um intolerante, segregador, da luta do bem contra o mal, apelando para o nome de Deus para justificar todas as suas mazelas e violências.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Hitler e bolsonaro, como chegam ao poder

Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, Hitler sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Hitler usava um linguajar simples, espalhava fake news, e os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absurdo. Hitler era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. Como escreveu em seu livro "Minha Luta":

Toda propaganda deve ser apresentada em uma forma popular (...), não estar acima das cabeças dos menos intelectuais daqueles a quem é dirigida. (...) A arte da propaganda consiste precisamente em poder despertar a imaginação do público através de um apelo aos seus sentimentos.

Em terceiro lugar, muitos alemães sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Hitler prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte moderna e os costumes culturais progressistas que surgiram por volta de 1920, época em que as mulheres se tornavam cada vez mais independentes, e a comunidade LGBT em Berlim começava a ganhar visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a antiga ordem. Os conselheiros de Hitler eram todos homens heterossexuais brancos. As mulheres, ele argumentou, deveriam se limitar a administrar a casa e ter filhos. Homens inseguros podiam, de vez em quando, quebrar vitrines de lojas, cujos donos eram judeus, para reafirmarem sua masculinidade.

Em quarto lugar, apesar de Hitler fazer declarações ultrajantes – como a de que judeus e gays deveriam ser mortos -, muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos alemães que tinham amigos gays ou judeus votaram em Hitler, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Hitler poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

Em quinto, Hitler ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aplicando a pena de morte com mais frequência e aumentando as sentenças de prisão. Problemas econômicos, segundo ele, eram causados por atores externos e conspiradores comunistas. Os judeus - que representavam menos de 1% da população total - eram o bode expiatório favorito. Os alemães "verdadeiros" não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado em slogans fáceis de lembrar: "Alemanha acima de tudo", "Renascimento da Alemanha", "Um povo, uma nação, um líder."

Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Hitler porque ele prometeu -- e implementou -- um atraente regime clientelista, cleptocrata, que beneficiava grupos de interesses especiais. Os industriais ganharam contratos suculentos, que os fizeram ignorar as tendências fascistas de Hitler.

Em sétimo, mesmo antes da eleição de 1932, falar contra Hitler tornou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que apoiavam Hitler, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abuso verbal, mas logo passando para a violência física. Muitos alemães que não apoiavam o regime preferiam ficar calados para evitar problemas com os nazistas.

Doze anos depois, com seis milhões de judeus exterminados e mais de 50 milhões de pessoas mortas na Segunda Guerra Mundial, muitos alemães que votaram em Hitler disseram a si mesmos que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao mundo. “Se soubesse que ele mataria pessoas ou invadiria outros países, eu nunca teria votado nele ”, contou-me um amigo da minha família. “Mas como você pode dizer isso, considerando que Hitler falou publicamente de enforcar criminosos judeus durante a campanha?”, perguntei. “Eu achava que ele era pouco mais que um palhaço, um trapaceiro”, minha avó, cujo irmão morreu na guerra, responderia.

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os alemães caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas da Alemanha em 1932. Diferentemente do que se ouve hoje em dia, Hitler não era um gênio. Não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade alemã.

Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas ou anti-semitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.
Oliver Stuenkel

O movimento Bolsonaro, o "macho alfa".

O movimento bolsonaro é fantástico. É catártico, tirou as pessoas do armário deixando claro a característica preconceituosa, machista/misógina, agressiva, segregadora, e falseadora de verdades/fake da sociedade brasileira.

Mas, não foi a primeira vez que esse movimento aconteceu no país. Quando lições não são aprendidas elas têm que ser repetidas.

O conluio entre igreja e política é evidente e não vê apenas aqueles sem conhecimento de história ou com mentes incapacitadas de reflexão. O próprio discurso central nos mostra a similitude do discurso de 64 com base na "Tradição, Família e Propriedade" com o pensamento do Bolsonaro tal qual ele abriu sua fala na noite ontem no Jornal da Globo mencionando a família, a moralidade, elogiando e agradecendo às igrejas que apoiam seu movimento.

Essa característica do discurso direcionado a "Tradição, Família e Propriedade" nada mais é do que o eufemismo para indicar de forma dissimulada o padrão segregador, machista e preconceituoso de uma linha de pensamento. Esse mesmo discurso foi visto nas campanhas  do golpe de 1964, na eleição de Collor, de Donald Trump nos Estados Unidos, e foi o mesmo discurso que levou o Hitler ao poder na Alemanha.

As consequências trágicas são vistas, e os casos citados, além de vários outros exemplos demonstram,  logo após essas lideranças chegarem ao poder.

Para os menos estudiosos, o maior líder do golpe de 64 foi o governador do Rio de Janeiro (que conhecidência, hein?) Carlos Lacerda que em apenas seis meses do ato que derrubou o presidente eleito viu o processo de retrocesso que se iniciava e rompeu com o governo militar e meses depois viu os seus direitos políticos cassados. O movimento moralista, dos mesmos princípios da "Tradição, Família e Propriedade", que elegeu Collor, teve desfecho semelhante, ou seja, logo após a vitória daquele movimento as pessoas perceberam, de fato, a distância entre discurso e realidade.

Esses movimentos moralistas são vitoriosos porque "retira do armário" todos aqueles sentimentos que são controlados pelas ferramentas de pesos e contrapesos das regras da sociedade, em momento de traumas profundos - condição que põe para fora tudo aquilo que socialmente temos vergonha de expressar. Saem do armário, tal qual a Caixa de Pandora aberta, os preconceitos, homofobia machismo/misoginia. São movimentos de segregacionismo, intolerância e divisão, como quase todos nós apontamos nas características de Donald Trump, mas, que não conseguimos enxergar quando toca o nosso próprio conjunto.

Como são movimentos de Catarse - contra sentimentos de frustração/decepção que fazem retirar do armário tudo aquilo que sabemos ruim e por isso os guardamos lá dentro -  é preciso que sempre surja um comandante Alfa, um macho Alfa que nos conduza "para o processo de limpeza da sociedade". Não é à toa que as características psicológicas e os discursos de Trump, Collor, Hitler e Bolsonaro são semelhantes, todos prometendo a "limpeza da sociedade" com o resgate dos padrões da tradição e da família, ditos perdidos.

O que também é inegável foi a constatação imediata - logo após esses movimentos serem colimados - da falta de preparo desses líderes de conduzirem a política, da incapacidade de fazer avançar a democracia provocando o retrocesso nas relações, e da tentativa de manietarem as instituições do Estado com o objetivo de controlá-las pelo uso da força. Esses líderes que apelam ao moralismo, nenhum deles, acredita no diálogo; portanto são antidemocráticas e antiliberais.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Brasil está com Alzheimer

O Brasil está de Alzheimer.

Certa vez um médica especialista me disse quando lhe pedi uma definição mais simplória sobre o que era Alzheimer:

"É uma situação que, por envelhecimento, a pessoa já não se comportamento com os princípios morais e éticos que nos moldam à convivência equilibrada e respeitosa. É como se botássemos para fora, sem ser temente a nenhuma regra, os nossos princípios mais elementais. Se uma pessoa tem, em sua essência, a agressividade que nunca, ou pouco, externou pelas regras de convivência agora, sem qualquer pudor, pelo Alzheimer,  externaliza tal sentimento. Se uma pessoa tem o seu preconceito recolhido, vai colocá-lo para fora. Você uma pessoa tem em sua essência a solidariedade e o carinho, se tornará meloso e compreensivo."

Uma outra característica do Alzheimer é o esquecimento do seu passado.

E o que vemos no Brasil de bolsonaro?

1) São os seus apoiadores agressivos, preconceituosos, arrogantes, misóginos segregacionistas, repetindo o discurso de intolerância e agressividade de Bolsonaro e do seu candidato a vice, o General Mourão.

2) O Brasil se esquecendo da história mundial de governos centralizadores e ditatoriais. Se esquecendo de líderes arrogantes com perfil, tal qual, Collor. Esquecendo da nossa ditadura que trouxe retrocesso ao país e que ao final do seu período deixou o Brasil com uma enorme dívida externa, muita pobreza e um enorme abismo social. Além de ter solidificado líderes como Maluf, Sarney, ACM e Collor de Mello todos eles dirigentes com cargos no executivo nomeados pelos Generais.