domingo, 19 de agosto de 2018

O moralismo escroto de um povo chamado Brasil

Sou um crítico ao moralismo, principalmente com suas influências católicas em terras tupiniquins.

O moralismo Cristão brasileiro é tão nefasto quanto nosso modelo econômico colonialista que nos mantém fornecedores de commodities.

É tão segregador quanto ao modelo social da Casa-Grande e Senzala, que mantém milhões de brasileiros em situação de pobreza e alguns poucos na Casa Grande. Este é o modelo que até hoje perdura na nossa sociedade e elemento-chave que provocou a derrubada dos presidentes que foram degolados aqui no Brasil, exatamente aqueles que tentaram criar uma social-democracia, formar uma grande classe média.

No mais, não se pode esperar moralidade em um país onde não se exerce a cidadania, que não conseguiu formar uma nação.

Se convença, irmão, a sociedade brasileira é muito mais primitiva do que uma organização indígena (dentro dos adjetivos que nós "homens brancos" julgamos estes povos).

Somos na terra de ninguém, com sentimento de coletividade zero; de respeito ao próximo, zero.

Somos um povo de um canalhismo tão grande que botamos pra fora do governo uma presidenta (que foi eleita) por "pedaladas fiscais" e mantivemos um presidente (não eleito) e que praticou vários crimes gravíssimos relatados em três processos do Ministério Público, que estão engavetados, com apoio de todos nós que não fomos às ruas pedir a derrubada do governo, "patrioticamente" vestidos de amarelo, como fizemos contra Dilma, e o anteparo da mídia convencional que não fez uma cobertura sistemática sobre esses crimes atribuídos pelo PGR a Temer, como fizeram, descaradamente, contra a "pedalada fiscal" de Dilma.

Desculpe, irmão, mas esse não é um país onde poderíamos discutir o moralismo, a moralidade comportamental, e menos ainda a justiça.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A diferença de um país honesto para um país como o Brasil. Para o debate sério sobre o tema das reformas.

Cartas de Berlim: A justiça social na Alemanha começa pelos impostos

O Globo,  Ricardo Noblat

O imposto de renda pode chegar a 45%, mas fortalece a classe média do país

03/01/2017

Além de todas as festas e datas importantes, o fim do ano na Alemanha é também a data limite para declarar o imposto de renda do ano anterior. E semana passada foi o momento de correr por aqui para conseguir entregar toda a papelada do ano de 2015. São tantas regras, tarifas e peculiaridades que eu prefiro contratar um contador para a tarefa que sabe o que pode ser deduzido. O custo dele no fim das contas quase se paga com os abatimentos.

As diferenças entre Brasil e Alemanha na área tributária já começam daí, no contador. O código de conduta do contador alemão é muito duro e eles levam tão a sério, que muitas vezes se tem a sensação de que ele não trabalha para você, mas sim para o estado alemão. Diante de qualquer irregularidade, ou má fé, ele é obrigado a denunciar o cliente para o fisco.

O imposto de renda na Alemanha varia de 14% a 45%. Por isso é que os milionários alemães costumam tentar se mudar para a Suíça e Luxemburgo na esperança de pagar menos impostos.

Vamos aos números: na Alemanha, você entra na chamada área da Spitzesteuersatz (a área de imposto superior) se você ganhar mais de 52.882 euros (mais de 181 mil reais). Neste caso, você tem que pagar 42% de IR. Se os seus rendimentos ultrapassarem os 250.731 euros por ano (cerca de 861 mil reais) o imposto de renda sobe para 45%.

Por outro lado, se você ganhar menos de 8.652 euros por ano (cerca de 30 mil reais),  você não precisa pagar nenhum imposto de renda.

Uma forma de pagar menos tributos por aqui é casar-se e ter filhos. Existem namorados, inclusive, que aderem ao matrimônio simplesmente pelos benefícios fiscais.

No entanto, estas discussões sobre carga tributária mundo afora costumam se limitar a reclamações de excesso de impostos e acaba por não se falar do mais importante, na minha opinião, que é a natureza deles. Na Alemanha, como a maioria dos tributos varia de acordo com a renda, a carga tributária é altamente progressiva. Trocando em miúdos, quanto mais você ganha, mais paga e isto somado com os programas de auxílio social força toda a sociedade a convergir para a classe média.

Enquanto classe média-alta e classe alta pagam mais impostos. Se você vive na pobreza, recebe auxílio social (um tipo de bolsa família daqui). Ou seja, o estado paga o seu aluguel, plano de saúde e ainda te dá um dinheiro por mês, mas cobra que você corra atrás de empregos e se qualifique para tal.

Assim, a carga tributária tem uma função de distribuição de renda e passa uma mensagem de justiça social. E com o fortalecimento desta classe média, o Estado também garante um equilíbrio na arrecadação de impostos. Já que é sabido por todo mundo que quem paga os tributos e sustenta o fisco do país, é sempre a classe média.

http://noblat.oglobo.globo.com/cronicas/noticia/2017/01/cartas-de-berlim-justica-social-na-alemanha-comeca-pelos-impostos.html

terça-feira, 14 de agosto de 2018

A periferia está ditando as regras

A cultura, grande irmão, é o elemento-chave para mudança de paradigmas.

Vou te dizer uma coisa, grande irmão, eu que ando diariamente nas ruas e em terminais de ônibus urbanos fazendo meus trajetos a pé ou de transporte coletivo.

E digo, com base nessas andanças, e a periferia que está alavancando este país.

É a periferia que tomou as rédeas e está ditando as regras. A música, mais profundamente ainda, o movimento funk domina os jovens de todas as classes sociais, e sabe a sua origem? A periferia, a base da sociedade.

Os cortes de cabelo, sobretudos os masculinos, que os nossos jovens estão usando são oriundos da periferia. A magreza masculina, como estilo, já é uma realidade na periferia e já chega aos jovens da nossa classe desmoronando a cultura apolínea de academia.

A classe média se iludiu quando pensou que conseguiria expurgar esses jovens na periferia.

Era uma questão apenas de tempo e eles estão chegando.

Nenhuma novidade para quem pensa o país. O grande geógrafo baiano Milton Santos já alertava 20 anos atrás:

“Os atores que vão mudar a história são os atores de baixo. Vão agir de baixo para cima. Os pobres em cada país, os países pobres dentro dos diversos continentes, os continentes pobres em face dos continentes ricos. De tal forma, não teremos uma revolução sincronizada: haverá explosões aqui e ali em momentos diferentes, mas que serão impossíveis de conter”.

Os que não sabem votar

Para aqueles que se acham e gostam de atribuir que a 'massa ignorante" não sabe votar.

A massa ignorante sabe que a esquerda defende o Estado Social Democrático - a política da social-democracia.
A massa ignorante sabe que a direita defende o mercado, o entreguismo das empresas brasileiras.

A massa ignorante não é burra, ao contrário, ela sabe perfeitamente o país que ela quer. Um país que intervenha fortemente, direcionando o desenvolvimento para as regiões mais pobres, como Lula fez.

A massa ignorante sabe o que ela quer. Ela quer que o governo atue para quebrar a política do usufruto das riquezas nacionais direcionadas para as regiões Sudeste e Sul como historicamente foi feito neste País.

Talvez burros são aqueles que vestiram amarelo e pediram escolas, saúde e transporte públicos de melhor qualidade, fazendo o movimento que colocava Temer no poder com seu plano neoliberal, devidamente escrito à época, onde declarava que o seu governo seria de menos Estado e menos investimento nas áreas de saúde e educação, estas foram as áreas que receberam maiores cortes orçamentários.

Talvez não saibam votar aqueles que não sabem diferenciar o que é um país com empresas nacionais fortes, públicas e privadas, dos países onde sua economia é dominada por empresas estrangeiras.

Talvez não saibam votar aqueles que se dizem instruídos mas não sabem que todas as grandes democracias chegaram a tal envergadura graças a política de Estado nacional forte e direcionador do seu desenvolvimento, como foram os Estados Unidos no New Deal e a Europa na sua Social-Democracia. Será que nossos instruídos sabem o que é o New Deal americano e a Social-Democracia Europeia?

domingo, 5 de agosto de 2018

Lições de filmes

“Aprenda a lidar com a solidão. Aprenda a conhecer a solidão. Acostume-se a ela, pela primeira vez na sua vida. Bem-vinda à experiência humana. Mas nunca mais use o corpo ou as emoções de outra pessoa como um modo de satisfazer seus próprios anseios não realizados.” (Comer Rezar e Amar)

sábado, 4 de agosto de 2018

PT do pedestal

A direção do PT precisa ter humildade e descer do pedestal para fazer sua análise e reconhecer que foi derrotado pela forças que optou por trazer para dentro do seu próprio governo.

Talvez estejam certos alguns analistas quando atribuem às esquerdas a alcunha de "polianas".

A história das esquerdas, no Brasil, está recheada de ter tomado uma série de golpes. Nada pode justificar a leniência deste segmento popular sobre os  acontecimentos nas últimas duas décadas que não seja atribuído ao sentido "poliana" dos seus dirigentes, ou arrogância e prepotência sem limites.

Tudo parece começar ainda em 2002, quando ao tempo em que Lula vencia as eleições, o PT sofria uma derrota política ao aceitar a tal "Carta ao Povo Brasileiro", onde o presidente eleito se comprometia a não mexer com a política que beneficiava o sistema financeiro. E tanto cumpriu com a promessa, que Lula em algumas ocasiões devolveu a cobrança da elite afirmando que os banqueiros nunca tinham ficado tão ricos quanto no seu governo.

O PT e a ala da esquerda do governo Lula não percebiam que mesmo cumprindo o pacto da "Carta ao Povo Brasileiro,  ainda assim ocorria reclamação do mercado. O apoio foi, desde o início, uma jogada farsante da direita, sabendo que a eleição de 2002 seria ganha, indubitavelmente, pelo candidato do PT.

Ainda nessa fase da primeira derrota do governo Lula e do PT, há um fato que provocou um grande desgaste interno no partido. Foi a queda de braço do grupo mais forte do PT, que por um lado queria aumentar as "negociações" com Daniel Dantas e do outro lado o saudoso Gushiken que titanicamente conseguiu impedir o avanço das negociatas para dentro dos fundos de pensão, como reportou a revista "Carta Capital" que disse:

"Havia uma divisão dentro do governo do PT. De um lado, o ministro Antonio Palocci era simpático à causa de Dantas. De outro, o ministro Luiz Gushiken, aliado dos fundos de pensão, era terminantemente contra."
https://www.cartacapital.com.br/politica/dirceu-e-o-mensalao

A segunda grande derrota de Lula e do PT, também ocorre como consequência do pragmatismo abraçado pelos chamados "governistas" do partido. Era o ano de 2005, quando começavam as primeiras denúncias do mensalão do PT. Para evitar consequências maiores e blindar o presidente Lula das gravíssimas denúncias no âmbito do chamado mensalão, o governo desesperadamente se abre para ampliar o seu leque de apoio, compondo com a outra ala do PMDB que na campanha presidencial tinha se alinhado ao candidato opositor. O governo Lula fica completamente agastado e entregue ao maior núcleo do corrupção destes país, que por força dos sordidos tentáculos das suas relações com a sociedade empresarial e financeira corrupta deste país, fez parte de todos governos brasileiros, pelo menos desde 1964; o chamado "centrão". Essa foi a armadilha deixada pelo governo Lula para Dilma que em do governo pouco pode fazer para desfazer o nó e reagrupar as forças mais democráticas.

Assim, chega ao governo o exato grupo que mais tarde faz a traição e desfere o golpe da derrubada de Dilma. É o grupo de Geddel que se torna, no início de 2007, Ministro da Integração de Lula, para surpresa e choque dos petistas baianos que conheciam muito de perto a veia falsa e traiçoeira de Geddel. Na mesma leva, Jucá que ainda em 2005 se torna ministro da Previdência Social do governo Lula, Moreira Franco que com Dilma se torna duas vezes Ministro, entre outros. A derrubada do governo do PT estrava em gestação.

A terceira grande derrota do governo e do PT se dá quando, já totalmente dominado por grupos conservadores, perde o comando do Congresso para Eduardo Cunha. Dilma, pelas coligações pragmáticas deixadas por Lula, tinha pouca ingerência no seu própio executivo, e, agora, perdia qualquer possibilidade mínima de convergência com o legislativo.

A quarta grande derrota do governo do PT, se dá quando Dilma, no início do seu segundo o governo, é coagida pelas forças de mercado que já vinham fortes nos governos do PT desde que Lula abriu seu governo para a banda mais podre do PMDB e cede, colocando na sua principal pasta da área econômica um homem de mercado, Joaquim Levy. Aqui é a senha para o golpe.

Sem força dentro do seu próprio governo, com o legislativo verdadeiramente inimigo, uma mídia nitidamente de oposição, e um STF extremamente fraco, fruto das irresponsáveis escolhas de Dilma e Lula,  acantando indicações à torto e à direita, e ainda pior do que estas condições apontadas está a perda do apoio organizado da forças populares, pelo, e isso é nítido e claro, distanciamento dos governos populares da suas bases; não há outra explicação.

A quinta grande derrota foi a soberba de se manter a candidatura de Lula mesmo com todas as ações de golpe acima enunciados, dificultando composições e isolando o PT. A consequência os observadores mais atentos já sabiam seria a continuidade do golpe com a manutenção da condenação e prisão de Lula, o tempo curto que sobraria para alavancar a campanha do sucessor de Lula como candidato e a derrota do partido nas eleições.

O PT precisa descer do pedestal para reconhecer que a derrubada do seu governo se deu por seus próprios atos nas escolhas erradas. Tem que parar de se fazer de vítima e deixar de colocar a culpabilidade em terceiros.

O PT precisa deixar de se fazer de "poliana" para aceitar que a semente do golpe foi plantada no primeiro governo de Lula, gestada no seu segundo governo, geminada no governo de Dilma.

O PT precisa reconhecer que o poder lhe conferiu um estado de inércia geracional e conformismo pragmático que levou suas bases à apatia. Não é possível explicar de outra forma o julgamento sem provas de Dirceu, a derrubada do seu governo eleito (Dilma) - a mais grave ofensa para um estado democrático de direito, a usurpação do sufrágio universal - sem que o país tivesse parado completamente, sem a luta aguerrida dentro do congresso, bloqueando votações, denunciando ininterruptamente o golpe, deixando saudades, muitas saudades, do tempo que nós tivemos um PT ligado às populações, às organizações base, de sangue nas ventas e fortemente aguerrida dentro dos debates, sobretudo dentro do Congresso.

É preciso que o  PT reconheça definitivamente que um golpe foi dado, e deixar de ficar fazendo jogo do "faz de conta", o jogo de cena, como se estivéssemos atravessando ainda uma democracia. Se tivesse reconhecido o movimento do golpe desde lá de trás, como apontamos aí durante o texto, o partido e seus aliados teriam resistindo muito mais fortemente, reagindo ao seus erros, e procurando outros rumos para solucionar os seus problemas, ao invés de ir cada vez mais se comprometendo com o "sistema", o próprio 'sistema" que o traiu, o engoliu e o derrubou.

Se um golpe foi dado, e de maneira tão sem resistência,  praticamente aceitado (por ação ou omissão) por todos os segmentos da sociedade, não será em 2 anos de usurpação, sob hipótese alguma, que o "sistema" e os golpistas deixarão retornar o poder para o seu grupo oposto. O PT parece não acreditar no Golpe,  estão lutando com armas apropriadas apenas para situação de normalidade democrática.

Um golpe não é um ato pronto e acabado.
Ele não surge do nada. Ele é fruto de precariedades.

Todo golpe é um ato continuado. Por isso muitos falam de golpe dentro do golpe.
Se preciso, para impedir qualquer possibilidade de vitória de uma candidatura do PT,  novos atos golpistas serão implantados, além de todos o que aconteceram recentemente, enquanto o PT ficava com "cara de paisagem".

O PT precisa botar a bola no chão e não ficar se vangloriando com o fato de que Lula tem 36% de preferência do eleitorado -  dados inquestionáveis -  no entanto, essa preferência popular pelo Lula é uma força disforme e desorganizada. O PT perdeu a característica da aglutinação da base, tanto que não conseguimos botar nem 100.000 pessoas para defender o governo de Dilma ou contra a condenação de Lula, enquanto a direita botou milhões nas ruas do Brasil para derrubar a presidenta. Não é lá, tão confortável assim,  esses índices de preferência à Lula. Não sabemos, com ele preso, de que forma ele conseguirá realizar algo que já difícil em situação normal, a transferência de votos.

Tempos de amor

Tempos de Amor
1) A boca em molhado círculo
envolvendo a pica
ou beijando com suavidade imensa a suada virilha
2) A língua tesa enfiada
na bunda
ou buscando em dança perfeita da buceta o salino sabor
3) Em dois tempos o desejo inunda
corpos marrons em marés de amor

Márcio Barbosa.

Mar Glu-Glu

Mar Glu-Glu
bunda que mexe remexe e me levanum belo novelo de apelo e chamego
me pego a pensar que essa vida
precisa envolver como tu
nesse dengo gostoso que nina e mastiga
meu olho que vai atrás
sonho carnudo embalando as ondas ou dunas colinas montanhas veludomoventes do caminhar
balanço de exuberância a marolar a distância…
a bunda é mergulho e murmúrio no mar glu-glu
a forma do espaço repleto e nu.

Cuti