quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ou nação, ou neoliberalismo.

A sociedade tem sucubindo à nova realidade da subtração de direitos de forma bovina. Estamos permitindo que as coisas sigam o seu próprio curso de forma aleatória.

Já não há o engajamento promovido pelas forças populares. A distância entre as esquerdas parecem ter ficado intransponíveis. A busca do "poder pelo poder" fragmentou todos os segmentos da sociedade, exceto o clube da elite que se mantém coeso, e por isso mesmo, vitorioso.

Fica nítido a impressão que o pragmatismo adotado pelos governos de Lula e Dilma desencadeou a perda dos pontos de aglutinação dos grupamentos fora da elite.

Doze anos dos governos do PT e as classes média, mesmo daqueles que vieram da base da pirâmide, não entenderam que política deve ser a procura da forma de se buscar o equilíbrio da convivência em sociedade.

Não houve a disseminação da ideologia de que políticas redistributivas e de ações coletivas, tiram pessoas da marginalidade e trazem tudo o que o próprio liberalismo prega - liberdade e mais segurança.

A fragilidade, ou o abandono, do discurso nos governos do PT foi determinante para que a direita, em 2013 e segs., se apropriasse, com tamanha facilidade, do "movimento passe livre", e, pior, ainda, foi ver a direita desfilando cartazes de melhoria do transporte, educação, e saúde públicos - eles mesmos que defendem menos Estado e menos impostos; eles que preferem manutenção da segregação que assegura, mesmo pagando caro, mais vagas em hospitais e em escolas de qualidade, garantindo melhor atendimento e assegurando a "meritocracia" dos seus filhos para o acesso às universidades de ponta.

Agora, mais uma vez, a esquerda se inclina a fazer composições com o chamado centrão que é o que de mais retrógrado e antiético existe no quadro político; bem pior do que a extrema direita.

A esquerda pecou em não trazer o debate das ideias para o dia-a-dia do população. A noção da despolitização da sociedade é clara e nítida, então, como se obstacular a ideia geral de que todo político é igual?Veja, que o índice de rejeição de todos o candidatos a Presidente é altíssimo. Veja, que os menores índices de rejeição está nos candidatos fora da roupagem de políticos, como Huck e o próprio Bolsonaro.

Enquanto as esquerdas não questionarem essa realidade maléfica do pragmatismo, e ele for aceito como a única opção possível, não conseguirmos transformar o modelo brasileiro.

Não conseguiremos realizar as melhorias que o país precisa, pensando que a raiz dos problemas está no social e econômico.
O nosso erro está no modelo da nossa formação, portanto, cultural. Se não fizermos uma política que faça a classe média entender que melhorando as condições da base da pirâmide, ela (classe média) estaria tendo enormes benefícios:

- a nossa classe média deveria se perguntar por que países democráticos saíram de fortes crises e voltaram a se desenvolver com políticas de redistribuição como foi o "new dial" americano e a social democracia européia - talvez nem tenha esta informação -

1) diminuindo a pobreza, diminui-se a criminalidade, trazendo mais segurança (os governos de esquerda deveriam informar dessa forma clara a classe média);

2) melhoria nas escolas públicas que traria, de logo, uma queda nos preços das escolas privadas pela concorrência maior (a classe média deveria ser informada de que escolas de ensino fundamental e médio em quase todos os países do globo são gratuitas);

3) a melhoria da saúde pública, atingiria beneficamente toda a população (a classe média deveria ser informada de como é a saúde pública e privada dos países europeus);

4) a melhoria dos transportes coletivos traria mais opções de transportes de  qualidades o que faria o preço dos automóveis baixarem, pela concorrência, e traria melhoras mas condições de trânsito (a classe média deveria ser informada como o europeu usa comumente seu automóvel).

É urgente e imprescindível que o Brasil crie o seu sentido de nação - que faça florescer a cidadania do seu povo - que traga a noção de que um país é uma coletividade, a soma de todos, a ideia de que cada ator tem sua importância. Isso só ocorre com INFORMAÇÃO - PENSAMENTO - IDEOLOGIA - DEBATE DE IDEIAS - para que modifique a nossa CULTURA com suas leis de "Gerson", da "casa grande e senzala", da "quem pode manda, quem tem juízo obedece", a fatídica " aos amigos tudo, aos inimigos a Justiça", a corruptela de "é dando que se recebe".

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