quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Jornalismo, neoliberalismo e dependência

O neoliberalismo atual já não luta para reduzir o Estado. O que esse pensamento pretendia no passado, já foi alcançado; a privatização de serviços essenciais como os médico-hospitalares e educativos, o controle da infraestrutura tais como rodovias, portos, aeroportos, e telefonia, todos de primeira necessidade para a população e altamente lucrativos.

Após essa vitória, o objetivo do neoliberalismo se transmuta para tornar o Estado forte para que reprima com eficiência todo e qualquer movimento popular que pretenda inserir mais democracia direta na sociedade, limitando a arena política ao voto.

Por isso a pressão para que os governos elaborem leis draconianas, como a Lei de Segurança Nacional, Lei do antiterrorismo e outras que criminalizam os movimentos populares, classificando qualquer excesso como terrorismo, e alterações na legislação para aumentar desproporcionalmente as penas.

O neoliberalismo quer o Estado forte não para regular as relações em sociedade, objetivando o equilíbrio e a justiça, mas para que resguarde o “status quo” e para socorrer o capital em determinados momentos, como se faz no Brasil com as altas taxas de juros ou como fez o governo americano que comprou as dívidas de bancos e empresas, na crise de 2008, “para restabelecer o funcionamento normal do mercado financeiro”, através de pacotes bilionários de financiamento público.


Para manter o controle do Estado, o capital se utiliza da mídia que além de manter os governos nas rédeas pelos noticiários direcionados e tendenciosos, induz a população ao erro, principalmente através dos conhecidos mecanismos:

1 - Jornalismo de matilha.

É quando um assunto só é considerado digno de interesse se for tratado por uma grande agência ou pelo principal veículo. Então, mesmo que seja matéria requentada ou sem importância, todos seguem, feito matilha, o meio alfa.

2 - Jornalismo de pensamento único.

Quando os meios de comunicação não veiculam senão as opiniões de um pequeno grupo, privilegiando demasiadamente uma ideologia.

Durante um dia, uma semana, ou mais, o assunto é o mesmo em quase toda mídia, por vezes causando danos irreparáveis para indivíduos, pessoas ou mesmo para o país.

Através de uma seleção de conteúdos, a mídia tem o poder da construção da realidade, que é um poder simbólico. Esse poder simbólico procura reproduzir uma ordem homogeneizada do pensamento, com um objetivo, a formação de uma ideia única. O leitor ou ouvinte será apenas mais uma peça articulada para o consumo, engolindo, sem perceber, uma programação inócua a princípio, mas nefasta em longo prazo. 

Com isto, criam sujeitos incapazes de contestar o que se lhes é apresentado como verdadeiro, pronto e acabado, tornando-os submissos e dominados.
Com essas características a mídia influencia as decisões do Judiciário, orienta as ações do Congresso e do Executivo, determinando como deve ser a política pública e como devem funcionar os poderes da República.

 Quando o jornalismo de matilha e o jornalismo de pensamento único se arvoram demais em defensores da ordem pública, provocam crises, muitas vezes difíceis de serem sanadas.

A grande mídia noticia mal também na cobertura das eleições, e qualquer estudo pode confirmar que os eleitores têm pouca noção das posições reais dos candidatos e as propostas do lado ideológico de cada coligação.

O controle da informação, pelo jornalismo de matilha e pelo jornalismo de pensamento único, é tão grande que empurrou o atual governo da presidenta Dilma, para não ser derrubado, a exercer, na economia, a plataforma do candidato da oposição, substanciosamente contrária ao prometido em sua campanha, a politica neoliberal de contração, sem que a população perceba as diferenciações e suas consequências das escolas de pensamento de economia.

Sem pluralismo de correntes ideológicas na grande mídia, a população perde o poder de reflexão, e se torna livre atiradora,  formando grupos que atuam a esmo, sem rumo e sem horizonte, formando o que se chama de manada, direcionados por qualquer berrante, sem saber ao certo o que se reivindica, quais as consequências das mudanças de polo na politica, tirando da população a capacidade de indagar livremente e criar o novo.

Um comentário:

  1. Será que existem faces, por trás do capital?

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