Como é difícil de se ver análise de conteúdo, salvo
pouquíssimas exceções, na grande mídia, neste sentido os blogs alternativos
dão um show.
Essas poucas e abrangentes linhas de Nassif demonstram que a
concentração:
1) causa da má qualidade informativa;
2) caminho para a politicagem partidária;
3) Não traz "produções bem acabadas, programas
educativos, campanhas cívicas, espaço para a diversidade.";
4) desvirtua a função da imprensa e favorece "a
interferir no jogo político, na política econômica, no próprio caráter
nacional".
5) destruiu a informação local, interferindo negativamente
na formação da cidadania ao relegar ao último plano as manifestações regionais;
6) destruiu as para as produções regionais;
7) desvirtuou as funções estabelecidas nos contratos de
concessão pública;
8) formou uma força mastodonte que cala qualquer
questionamento em debates diversos, sobretudo em relação às funções das
concessões e calando os órgãos de justiça;
9) passaram a acreditar que não são concessões públicas,
portanto sujeitas às regras e regulamentações.
Essas situações foram decisivas para a grande imprensa:
1) Legitimar-se como detentora da verdade;
2) Tornar-se agente principal do jogo político;
3) Direcionar as decisões dos governos;
4) Influenciar para o desmonte da máquina pública;
5) Submeter governos, parlamentos e o judiciário.
Para alcançar tais objetivos a mídia promove o
emburrecimento de suas matérias onde notícias que necessitariam de mais
informações são oferecidas sem profundidade visando fixar nos seus ouvintes e
leitores a matéria de forma pronta e acabada impossibilitando qualquer
reflexão.
Esse formato limita a formação de uma ideia própria e quem
consome as informações diárias realmente acredita que está em dia com a notícia
ou com a realidade nacional, quando, na verdade, está sendo levado pela
correnteza de um pensamento único, direcionado, pronto e acabado. O leitor ou
ouvinte será apenas mais uma peça articulada para o consumo, engolindo, sem
perceber, uma programação inócua a princípio, mas nefasta em longo prazo.
Essa construção ideológica é realizada ao mesmo tempo em que
a grande mídia exerce o seu papel de noticiar os fatos, documentar, fiscalizar
os poderes, denunciar abusos, e vai até ao ápice de criar boatos, versões,
insinuações, entre outras modalidades de cerceamento do conhecimento.
Com essas características a mídia não apenas influencia a
vida pública e os poderes do país, como passa a determinar decisões do
judiciário, políticas públicas e ações do nosso Congresso.
Basta observarmos as valorizações ou quedas de ações na
bolsa de valores de determinado grupo e das moedas em função de especulações
muitas vezes iniciadas e/ou estimuladas pela mídia, recentemente enormes
oscilações ocorreram com empresas como a Petrobrás após bombardeio midiático de
má gestão e com as de energia elétrica por “quebra de contrato” e “insegurança
jurídica”.
Basta observarmos como subiram os juros Selic nos últimos
meses, contra a política econômica do governo, mesmo estando dentro da margem
estabelecida e aceitável e em trajetória, ainda que lenta, de queda.
A mudança de lado da grande imprensa em relação à cobertura
do Movimento Passe Livre foi emblemática. Se no início a cobertura foi de
condenação ao movimento atribuindo aos participantes os motes de vândalos,
classe média desordeira, inclusive insuflando as ações violentas da polícia, a
partir do momento em que pressentiu que poderia tirar proveito próprio pela
musculatura que o movimento adquiriu passou a apoiá-lo e tentar direcionar as
bandeiras defendidas, mesmo com as constantes manifestações contrárias à forma
de atividade da grande mídia.
Na área da justiça a forma do julgamento do mensalão do PT e
a leniência do STF em relação ao mensalão tucano, exatamente em consonância com
a cobertura da mídia falam por si só.
A determinação do que a sociedade deve acreditar e consumir
levada a cabo pela mídia atinge até mesmo a cultura do país, a era dos
pagodeiros e a mais recente do sertanejo universitário servem de exemplo.
Para concluir, espero que a sociedade não caia nos mesmos
erros acima e que crie um marco civil da internet que mantenha a diversidade,
garantindo a "neutralidade da rede – isto é, o direito de qualquer pessoa
ou empresa ter acesso às linhas de dados em igualdade de condições",
independentemente do número de acessos, força do lobby, ou qualquer tipo de
"compra", "locação", ou favorecimento "familiar".
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