Desculpe, mas quem conhece a origem da criação da concepção
das agências reguladoras, o momento histórico, o pensamento
"mainstream" da economia,
jamais poderia deixar de imaginar que o modelo que prega "menos
Estado", que propagandeava o "autoequilíbrio", a"disciplina
de mercado", "o mercado livre",
iria criar monopólios privados.
A concepção das agências reguladoras foi um engodo, um
sofisma, uma retórica criada para calar o discurso de que as privatizações, a
liberdade, a livre concorrência iriam favorecer o descontrole do setor, a
concentração e a "competição animal" dos grandes comendo os pequenos.
Da mesma forma que se utilizaram dos termos:
1) "Reforma" – para reverter mudanças
progressistas e restaurar os privilégios de monopólios privados. Portanto
"reforma" agora significa restaurar privilégios, poder e lucro para
os ricos.
2) "Mercado" - o qual é dotado de características
e poderes humanos. A realidade do “mercado” de hoje é definida por corporações
e bancos multinacionais gigantescos.
3) "Austeridade" – utilizado para encobrir os
cortes em salários, pensões e bem-estar público. Medidas de
"austeridade" significam políticas para proteger e mesmo aumentar
subsídios do Estado a negócios e negociatas, criar lucros mais altos para o
capital e maiores desigualdades entre os 10% da “casa grande” e os 90% da
“senzala”. Significa que fundos públicos
podem ser desviados numa extensão ainda maior para pagar altos juros aos
possuidores de títulos ricos enquanto sujeitam a política pública aos ditames
dos senhores do capital financeiro.
4) "Mudanças estruturais" – eufemismo para esmagar
as instituições públicas.
5) "Disciplina de mercado" – Este eufemismo visa,
sobretudo, à condição de despedirem trabalhadores e intimidar os empregados
remanescentes para maior exploração e excesso de trabalho, produzindo,
portanto, mais lucro por menos pagamento. Ela também cobre a possibilidade dos
neoliberais de elevarem seus lucros cortando os custos sociais, tais como
proteção ambiental e do trabalhador, cobertura de saúde e pensões.
6) "Mercado livre" – Um eufemismo que implica
“competição livre, justa e igual em mercados não regulados” encobrindo a
realidade da dominação do mercado por monopólios e oligopólios dependentes de
maciços salvamentos do Estado em tempos de crise. "Livre" refere-se
especificamente à ausência de regulamentações públicas e intervenção do Estado
para defender a segurança dos trabalhadores bem como a do consumidor e a
proteção ambiental. Por outras palavras, "liberdade" mascara a
destruição desumana da ordem através do exercício desenfreado do poder
econômico.
7) "Recuperação econômica" – Esta frase significa
a recuperação de lucros pelas grandes corporações. Ela disfarça a ausência
total de recuperação de padrões de vida para as classes trabalhadora e média, a
reversão de benefícios sociais e as perdas econômicas de detentores de
hipotecas, devedores, os desempregados e proprietários de pequenos negócios em
bancarrota. O que é encoberto na expressão "recuperação econômica" é
a pauperização em massa que se torna uma condição chave para a recuperação de
lucros corporativos.
8) "Privatização" – O termo descreve a
transferência de empresas públicas, habitualmente aquelas lucrativas, para o
setor privado a preços bem abaixo do seu valor real, levando à perda de serviços
públicos, emprego público estável e custos mais elevados para os consumidores
pois os novos proprietários privados elevam preços e despedem trabalhadores –
tudo em nome de outro eufemismo: "eficiência".
9) "Eficiência" – Este termo é usado para maquiar
as privatizações. Frequentemente, responsáveis públicos, que estão alinhados
com neoliberais, diminuem os investimentos deliberadamente em empresas públicas
e nomeiam compadres políticos incompetentes como parte da política
clientelista, a fim de degradar serviços e fomentar o descontentamento público.
Isto cria uma opinião pública favorável a "privatização" da empresa.
Por outras palavras, a "privatização" não é um resultado das
ineficiências inerentes das empresas públicas, como os neoliberais gostam de
argumentar, mas um ato político deliberado destinado ao ganho do capital
privado à custa do bem-estar público.
10) "Agências reguladoras" – foi um engodo, um
sofisma, uma retórica criada para calar o discurso de que as privatizações, a
liberdade, a livre concorrência iriam favorecer o descontrole do setor, a
concentração e a "competição animal" dos grandes comendo os pequenos.
Conclusão
Linguagem, conceitos e eufemismos são armas importantes
usadas pelos senhores do andar "de cima" concebidos por jornalistas e
economistas capitalistas para maximizar a riqueza e a eficiência do
neoliberalismo. Na medida em que críticos progressistas e de esquerda adotam
estes eufemismos em seu quadro de referência, as críticas e alternativas que
propõem ficam limitadas pela retórica do sistema.
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