Por Mauro Pitanga
Que a política brasileira é pragmática, nenhum analista especializado
tem dúvida. Uma prova desse pragmatismo é o loteamento que se faz dos
ministérios em Brasília. Poder-se-ia analisar essa prática sob o aspecto
da causa social desse costume.
A política brasileira é refém de um pacto simbólico forjado no
estabelecimento e manutenção das instituições políticas brasileiras que
perpetuam esse sistema e o poder nas mãos de poucos. Esse poder,
evidentemente, não é só simbólico é-o também real, porquanto está
inserido no quotidiano dos indivíduos, e exerce uma força coercitiva
sobre a sociedade, de maneira que todos o aceitam passivamente e, por
vezes, o reproduz ajudando a construí-lo.
Essa passividade se dá pela ausência de engajamento, de
comprometimento. Por outro lado, não seria correto afirmar que essa
inércia é consciente ou consensual entre a população em geral. O
indivíduo adentra à sociedade e já encontra um esquema de pensamento e
de práticas formulado pela elite nacional, pronto, no qual ele se vê
inserido e subjugado. Não seria difícil compreender porque é tão
trabalhoso ao cidadão comum repensar sua forma de atuar, ou atuar
criticamente em sociedade.
A realidade, pois, do indivíduo em sociedade é uma realidade
alienada, suas decisões não são oriundas de uma consciência livre,
crítica, autônoma.
Assim, a realidade é socialmente edificada, a mudança se faz com a
ressocialização, além disso, não é trabalho de um homem só. Uma nova
sociedade se faz com dissidentes e divergentes organizados para um
determinado fim. O pragmatismo continuará existindo na política
brasileira, enquanto todos forem omissos e desinformados.
http://jornalggn.com.br/blog/mauro-pitanga/pragmatismo-politico-e-alienacao-coletiva
Acrescentaria que o pragmatismo não é uma característica exclusiva da política do Brasil, e mais, trata-se de um modelo, paradigma, da sociedade atual.
ResponderExcluirEnquanto a ideologia do pragmatismo que, em miúdas palavras, quer dizer ser prático ou seguir uma praxe estabelecida, prometia a "adaptação" e com ela a "inserção" dos coadjuvantes na cena principal, ela funcionou. Agora o despertar chegou ao se perceber que esta "inserção" só se deu para bem poucos e estes fecharam as portas para que o resto da população continuasse em desvantagem frente aos que estavam dentro.
O grande problema é que os pragmáticos que entraram no salão e estão a auferir os lucros, tornaram-se apáticos, se acomodaram com a adaptação,....
Mas, esquecem que do outro lado da porta estão os milhões que foram excluídos da grande festa e estes estão a se rebelar pelo mundo afora.
Asa formas prometidas de levar todos à festa ficou restrito ao convite para a votação de quatro em quatro anos, na maioria dos países, para que apenas alguns entrassem noas salões representando os demais.
Só que passado o dia da escolha dos representantes para a festa, assim que ela começa as portas são fechadas e lacradas e aqueles que escolheram com seus votos ficam esquecidos.
O que causa mais surpresa é que alguns defendem a própria passividade e a ausência de engajamento dos que ficaram de fora da festa e esquecidos, ou engajamento "ordeiro" sem prejudicar a "liberdade de ir e vir da população", como se fosse possível reordenar a elitização da política, a quebra de um "status quo" sem retesamento.
O pedido de uma reforma política séria e abrangente e a resposta que o Congresso tem dado é o maior exemplo atual de como enganar a população com "propostas de mudanças cosméticas" para que nada se mude.
Para os que acreditam no voto, apenas cito que a mudança dos nossos representantes no congresso se deu em torno de 50% em todas as últimas eleições, e tudo continua no mesmo.