sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Kierkegaard já tinha avisado como a era da comparação tornou sua ansiedade pior

Kierkegaard já tinha avisado como a era da comparação tornou sua ansiedade pior

A discussão sobre ansiedade na sociedade contemporânea costuma ser associada às redes sociais, à exposição constante e à comparação permanente.

Redação O Antagonista

Muito antes da internet, porém, o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard já tratava da ansiedade como experiência central da existência humana, ajudando a entender por que tantas pessoas relatam sensação de insuficiência e cobrança interna permanente.

O que é ansiedade para Kierkegaard

No livro O Conceito de Angústia (1844), Kierkegaard descreve a ansiedade como uma “tontura da liberdade”.

Ela aparece quando o indivíduo percebe que não há caminho garantido, que cada decisão envolve riscos e que ele poderia sempre ter escolhido de outro modo.

Diferente do medo, ligado a um objeto definido, a ansiedade existencial se conecta ao futuro aberto e ao desconhecido.

Surge no intervalo entre o que a pessoa é hoje e o que poderia se tornar, funcionando como sinal de responsabilidade por suas escolhas.

Como a era da comparação intensifica a ansiedade

A chamada era da comparação é marcada pelo acesso contínuo à vida de outras pessoas por meio de redes sociais.

Em vez de lidar apenas com suas próprias possibilidades, o indivíduo passa a se medir o tempo todo pelos recortes idealizados da realidade alheia.

Esse cenário amplia a sensação descrita por Kierkegaard: estar entre o que se é e o que se poderia ser, mas agora com um padrão aparentemente sempre melhor nas telas dos outros.

A liberdade vira fonte de angústia, inadequação e cobrança silenciosa por desempenho e sucesso.
Quais elementos aproximam Kierkegaard da cultura da comparação

A relação entre ansiedade existencial e cultura digital pode ser observada em mecanismos que reforçam a comparação e a sensação de insuficiência.

Eles moldam como o indivíduo enxerga suas possibilidades e avalia a própria trajetória.

    Idealização da vida alheia: imagens editadas criam padrões quase inalcançáveis.
    Métricas de aprovação: curtidas e seguidores funcionam como validação social constante.
    Pressão por rapidez: histórias de sucesso acelerado fazem qualquer atraso parecer fracasso.
    Medo de ficar para trás: a comparação frequente alimenta a sensação de estar sempre aquém.

Como a interioridade kierkegaardiana ajuda a lidar com a ansiedade

Para Kierkegaard, a existência autêntica começa quando a pessoa deixa de viver apenas segundo papéis sociais e expectativas genéricas.

Em vez disso, passa a cultivar uma relação mais consciente consigo mesma, valorizando a interioridade.
(...)
Entender a ansiedade não só como distúrbio, mas também como sinal de escolhas significativas, pode favorecer decisões mais conscientes e menos guiadas pelo olhar alheio.

Artigo completo: 
https://oantagonista.com.br/ladooa/entretenimento/kierkegaard-ja-tinha-avisado-como-a-era-da-comparacao-tornou-sua-ansiedade-pior/

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