Por Larissa Carvalho
A ideia de modernidade líquida ganhou espaço nas últimas décadas para explicar um modo de vida marcado pela rapidez, pela instabilidade e pela falta de certezas duradouras, em que relações pessoais, vínculos comunitários e até projetos de vida parecem escorrer pelas mãos, substituídos por conexões frágeis, mediadas por telas e plataformas digitais.
O que é modernidade líquida e qual o sentido dessa metáfora
A expressão modernidade líquida remete à ideia de que, assim como os líquidos não mantêm forma fixa, também as estruturas sociais contemporâneas se tornaram mutáveis e incertas. Carreiras estáveis, casamentos duradouros, identidades fixas e comunidades de longa duração deixam de ser regra e cedem espaço a transições frequentes.
No lugar do sólido, surgem trabalhos temporários, relações afetivas intermitentes e identidades em constante reformulação. Bauman relaciona essa fluidez a um ambiente de consumo permanente, em que pessoas, produtos e experiências são apresentados como itens testáveis e descartáveis, o que dificulta compromissos de longo prazo.
Como o consumo e a tecnologia influenciam as relações na modernidade líquida
Bauman destaca que a lógica do consumo atravessa não só o mercado, mas também os vínculos afetivos e sociais. Fica mais fácil interromper uma relação do que enfrentar conflitos, trocar de grupo digital do que negociar diferenças, “deletar” alguém em vez de construir entendimento paciente.
As plataformas digitais potencializam essa dinâmica, oferecendo hiperconexão e, ao mesmo tempo, sensação de descartabilidade. Relações podem ser “otimizadas” por cliques e algoritmos, o que estimula contatos rápidos e substituíveis, reduzindo o espaço para laços que suportem frustrações e desacordos reais.
Por que a modernidade líquida intensifica a solidão contemporânea
Um dos pontos centrais do conceito de modernidade líquida é a análise da solidão não desejada. Para Bauman, não se trata apenas de estar fisicamente só, mas de experimentar a ausência de vínculos que ofereçam escuta, acolhimento e espaço para mostrar fragilidades, mesmo em ambientes cheios ou redes movimentadas.
A combinação entre hiperconexão e medo de exclusão cria um cenário paradoxal: acumulam-se contatos, curtidas e “amigos” virtuais, mas persiste a sensação de não pertencer a nenhum grupo significativo. Críticas públicas, rejeição nas redes ou afastamento de círculos sociais são vividos como ameaça, ativando antigos medos de isolamento.
Quais são os impactos da solidão na saúde física e mental
A psicologia e as ciências da saúde reforçam que a solidão persistente não é apenas um desconforto subjetivo, mas um fator de risco mensurável. Pesquisas recentes relacionam o isolamento social a maior probabilidade de depressão, ansiedade, doenças cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais, além da redução da expectativa de vida.
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Artigo completo:
https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/como-bauman-previu-o-maior-medo-de-todas-as-pessoas-na-modernidade/
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