quarta-feira, 6 de junho de 2018

Como se forma o verdades a partir de mentiras criadas pelo Estado

Como se formam verdades (a partir de mentiras criadas intencionalmente), para ações criminosas de governos ou na orientação de processos judiciais.

As armas de convencimento da população com a utilização da imprensa na massificação de notícias inventadas; pelo uso de gráficos e outros instrumentos de cunho fascistas que não permitem contraprovas.

Trago matérias de dois conceituados jornais estrangeiros a "BBC" de Londres e o alemão "Deustche Welle",

demonstrando como foi criada a imagem coletiva de que o Iraque tinha armas de destruição em massa, a partir do uso de gráficos pelo General Colin Powell em uma entrevista,

mesmíssimo instrumento usado pelo procurador Dallagnol para formar um movimento catártico contra Lula - catártico que foi, termina por atingir todos os políticos e partidos - e que a partir dele (gráfico) já não seria mais necessária a apresentação de provas. Apenas o gráfico, com a massificação da mídia, já era suficiente como prova, independente de fatos reais; é a chamada , pós-verdade.
Não é à toa que os principais "operadores" da Lava Jato tomaram vários cursos pagos pelo governo e entidades americanas.

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Não entendo e fico muitas vezes me perguntando porque que a classe média é tão ingênua, ou se ela sorrateiramente acredita no que lhe é conveniente sem se preocupar com a busca da verdade.

Ingênua ao ponto de acreditar sem reflexão, sem uso da razoabilidade, das notícias que lhe são trazidas pela mídia.

Nesse assunto que trago abaixo, as mentiras criadas pelo Estado e exaustivamente divulgadas pela mídia sobre os motivos da invasão no Iraque, inclusive o imperdível "mea culpa" do general Colin Powell.

Havia o outro lado de informações, inclusive da "Organização Internacional Para A Proibição De Armas Químicas" da qual o próprio Estados Unidos faziam parte. Este órgão que foi autorizado a fazer inspeções internas em nome da OTAN e dirigido a época pelo Embaixador José Maurício Bustani, onde afirmava categoricamente não haver armas de destruição em massa no Iraque. Esse relatório foi divulgado no Brasil talvez pelo fato do embaixador Bustani ser brasileiro.

Outro relatório do ex-chefe dos inspetores de armas da ONU (Organização das Nações Unidas) Hans Blix, fazendo uma análise posterior dos fatos, disse à BBC:

"Tenho uma opinião sólida de que a Guerra do Iraque foi ilegal. Existem casos em que, mesmo com uma margem de dúvida, pode ser possível fazer guerra", disse ele

"Mas na minha opinião, o conflito no Iraque não foi um destes casos."

"The UN's former chief weapons inspector Hans Blix has said it is his "firm view" that the Iraq war was illegal."

Ainda assim, a nossa classe média por ingenuidade preferiu acreditar nas informações da mídia, sem reflexão. Preferiu acreditar e apoiar uma invasão bárbara, violenta e de interesses exclusivos econômicos como ficou demonstrado com as empresas americanas que lá foram "corrigir" a destruição e ganhar muito dinheiro.
Tudo isso deveria colocar na mente das pessoas, principalmente daquelas que acreditaram nas mentiras, de que o interesse de levar democracia (ou a justiça) é uma mentira, uma farsa, um canalhismo.
E aqui está a gravidade; essa mesma classe de média continua acreditando nas mentiras que ouviu, mesmo hoje com várias matérias como a da Deustche Welle, a seguir:

"(...) Uma coisa, entretanto, se sabe com certeza: a justificativa por trás da incursão armada foi baseada em mentiras. Há ainda uma segunda imagem da guerra do Iraque que faz parte da memória coletiva: a do secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, durante seu discurso perante o Conselho de Segurança da ONU no dia 5 de fevereiro de 2003.

Seis semanas antes do início da guerra, Powell fazia um discurso de 76 minutos para convencer a opinião pública mundial da necessidade de uma guerra. O conteúdo central de seu discurso: Saddam Hussein possuía armas biológicas e químicas de destruição em massa; seu regime apoiava o terrorismo internacional e buscava construir armas nucleares.
(...)
O discurso de Powell permanece na memória sobretudo por uma razão: todas as afirmações eram erradas. O próprio Powell classificou em 2005 este seu discurso como uma mácula em sua carreira.

"As informações de inteligência não estavam simplesmente erradas, eram forjadas", aponta Ray McGovern, veterano de 78 anos do ramo de inteligência, que trabalhou 27 anos para a CIA (...)

Diz ainda o jornal Deustche Welle:

"Em maio de 2005, o Sunday Times of London noticiou sobre o conteúdo de um memorando altamente secreto cujo assunto era uma reunião sobre o Iraque com o então primeiro-ministro britânico Tony Blair, em 23 de julho de 2002. Estiveram no encontro, entre outros, o então secretário do Exterior britânico, Jack Straw, o secretário de Defesa, Geoff Hoon, o procurador-geral Lord Goldsmith e o chefe do serviço de inteligência britânico MI6, Richard Dearlove.

Dearlove relatou sobre uma reunião em Washington em que Tenet, chefe da CIA, afirmou que "intervenção militar é agora considerada inevitável” e que "Bush quer remover Saddam com um ataque militar justificado pela combinação de terrorismo e armas de destruição em massa”. Ele observou ainda que as informações de serviço secreto e os fatos serão arranjados politicamente. O secretário do Exterior Straw ponderou, com razão, que as evidências são poucas, que Saddam não ameaçava nenhum de seus vizinhos e que suas capacidades para armas de destruição em massa eram ão menores que as de Líbia, Coreia do Norte e Irã.

O procurador-geral Goldsmith observou que "o desejo por uma mudança de regime não é uma base legal para uma operação militar". Essas preocupações, no entanto, não impediram que Blair entrasse na guerra, em nome das "relações especiais" com os EUA."

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