quarta-feira, 6 de junho de 2018

A Tramóia Brasileira.

Incrível como uma matéria curta e sintética tem a capacidade de desmascarar o padrão direcionado e partidário da mídia brasileira, além de estampar na nossa cara a continuidade do padrão "Casa Grande  Senzala" da sociedade, objeto de estudo de renomados autores.
E por aí vai...

Você acreditava que a corrupção era de um lado só. Mentira que a mídia e o ódio de classe lhe incutiram, já desmascarada.
Você que acreditava que só existia um demônio e o demônio usava barba, também terminou por ver Serra, Aécio, Alckmin e agora FHC.

Era apenas uma questão de prestar atenção na história do Brasil, na formação do Brasil. Era se antenar aos lemas que deram vitórias de candidatos a presidentes antes ainda do golpe de 64. Então, não se lembrou, porque lhe foi conveniente, do famoso jingle "varre, varre, varre vassourinha...)? Não lembrou do tão estudado, por nós, que o segundo mote mais importante que justificou o movimento de 64 foi acabar com a corrupção? Nem lembrou - bem mais recente - o mote  da campanha que o levou a votar em Collor, "o caçador de marajás"?

Não houve preocupações sequer de prestar atenção na base de apoio -  imprescindível a todos os governos - inclusive dentro do período dos militares, para poder perceber qual a origem, ou pelo menos qual o ninho, que campeia a verdadeira bandalheira brasileira.

Ah! o centro!!!!  O centro direita do Brasil que colocou no colo dos militares personalidades mais do que conhecidas das tramóias brasileiras; Maluf, ACM Sarney, Collor e tantos outros, nomeados graciosamente para chefe dos executivos dos seus estados pelos militares. (Collor no município).

Não percebeu que o PMDB do governo Sarney - o primeiro governo eleito (indiretamente) após abertura política - é o mesmo que formou a principal base de apoio dos governos FHC e depois dos  governos Lula pós crise do mensalão?
Não teve discernimento para ver que os dois presidentes cassados, Collor e Dilma, foram os dois que não aceitaram, ou criaram dificuldades para esses parlamentares do chamado Centrão?

Não quiseram tomar conhecimento do denso e recheado de provas livro "A Privataria Tucana", onde cita uma série de desmandos do governo FHC e apontando os caminhos das provas.

Não quiseram perceber que essas grandes empreiteiras brasileiras citadas na Lava Jato são as mesmas que ganharam enorme musculatura nos governos militares. Ou acharam que esse crescimento assustador foi de graça?

Não quiseram criar um link em suas mentes que a Odebrecht, a Camargo Corrêa e outras empreiteiras são intimamente ligadas também a todos os governos Federal e estaduais do PSDB? Prefiram, por ignorância, má-fé,  informação direcionada e criminosa da mídia, acreditar que essas empresas só realizavam falcatruas com os governos do PT?

E agora que a verdade rasgou o cérebro biliar, ainda vão continuar raciocinando com o fígado, com o ódio? 
Com o sentimento de fé, irracional, de quem acredita em salvadores da pátria, em credo de homens de bem de um lado e homens do mal de outro?

Cuidado, que você poderá votar em Bolsonaro, reeditando o seu voto em Collor.

Leia a matéria que originou esse longo comentário: 

"E-mails de FHC pede dinheiro a Marcelo  
  Odebrecht. E se fosse Lula?

Pelo menos em duas mensagens eletrônicas, em 2010, Fernando Henrique Cardoso pediu dinheiro para campanhas tucanas, direta e explicitamente, a Marcelo Odebrecht. Em um dos pedidos, em favor do candidato ao senado pelo PSDB dp Mato Grosso, Antero Paes de Barros, o ex-presidente chega a enviar os dados bancários para o recebimento da “ajuda”, revela a Folha.

O pedido, tudo indica, não se restrigiu a dois tucanos – o outro mencionado é Flexa Ribeiro, do Pará – porque, na resposta, Marcelo Odebrecht diz a FHC  dará “o feedback [retorno] dos demais apoios e reforços que fizemos na linha do que conversamos”.

Houve, portanto, ao menos uma conversa sobre financiamento aos candidatos tucanos e a definição de quem seriam os agraciados com o dinheiro da empreiteira.

A ironia é que os registros da correspondência eletrônica estão anexados a um dos inúmeros processos abertos contra Lula, de quem, até agora, não existe nenhum pedido explícito e detalhado de ajuda da Odebrecht.

Ao contrário, é Fernando Henrique quem, hipocritamente, abre a boca para falar em “promiscuidade” no financiamento de campanhas petistas, enquanto ele próprio dava suas “facadas”  na Odebrecht para financiar o seu partido.

Se fossem de Lula, claro, os e-mails estariam agora nas manchetes de todos os jornais.

Como são de Fernando Henrique, tratam-nos discfretamente.

Não importa, o assunto vai ganhar a rua, porque é prova não só de como todos financiavam campanhas com dinheiro empresarial – que, claro, cobram por ele – como do cinismo e da hipocrisia com que se tratam as contribuições empresariasi quando se trata de atingir Lula e o PT.

Por Fernando Brito
06/06/2018

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