quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Verdade - Medidas de Excessão - Direito Penal. A busca do inimigo.

Verdade - Medidas de Excessão - Direito Penal.  A busca do inimigo.

"O verdadeiro é somente um expediente na nossa maneira de pensar"
William James 1912

A verdade simboliza nos nossos usos uma determinada atitude que adotamos, para com o que é dito ou acreditado. Mas, é, acima de tudo, aquilo que desejamos ou esperamos que outros adotem.

Assim, a noção de verdade pertence a retórica do poder.

A verdade se origina da disputa de determinadas crenças, e, simultaneamente o debate acerca do direito de alguns de falar com autoridade sobre o ponto de vista de outros. Auto inferir o título de detentor da verdade é tentar impelir a obediência aos discordantes.

Querer estalecer padrões de verdade só é possível se partindo do princípio da crença de superioridade e inferioridade, de noção de dominação e submissão.

Nietzsche falava dos "sacerdotes ascéticos" - que eram aqueles que viviam em busca de algum procedimento purificador que possa torná-los aptos para comunicação como detentores da verdade.

Ainda que se busque uma ideia para se chegar à verdade, como a noção de Kant de fixar a razão no papel de um tribunal, "são somente os princípios da razão que podem conferir a fenômenos concordantes a validade das leis", não a encontraremos.

Dentro deste conceitos de concordantes, como valores absorvidos e assimilados por todos os seres racionais,  "nada mais seria necessário a não ser uma força policial, um gabinete de censura e seus porta-vozes, funcionários de relações públicas para recolher todas as ovelha desgarradas".

Absorver e assimilar, seduzir e conquistar as mentes é a ideia núcleo da verdade.

É extirpar completamente a capacidade da multiplicidade filosófica, criando a sociedade de mente comum, ou  da "consciência corrente".

Parafraseando Heidegger; a sociedade não pode nunca refutar o senso comum, pois este é surdo como linguagem da sociedade. Nem pode sequer desejar fazê-lo, uma vez que o senso comum é cego ao que a sociedade expõe à sua visão essencial, a visão da multiplicidade.

Sugerir que determinados grupo seja o detentor da verdade é o mesmo que obrigar populações à surdez, mudez e  cegueira típicas dos mais aterrorizantes controles dos Estados Totalitários.

Releitura do capítulo "Sobre a verdade, a ficção e a incerteza", no livro "O Mal Estar Da Pós-Modernidade", de Zygmunt Bauman

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