sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Do amor descontente

“Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito./Tenho me fatigado tanto todos os dias/ Vestindo, despindo e arrastando amor./ Infância, sóis e sombras.
Vou dizer coisas terríveis à gente que passa./ Dizer que não é mais possível comunicar-me. (Em todos os lugares do mundo se comprime.)/ Não há mais espaço para sorrir ou bocejar de tédio./ As casas estão cheias./ As mulheres parindo sem cessar,/ Os homens amando sem amar, ah, triste amor despedaçado”.

Versos do poema “Do amor contente e muito descontente”, de Hilda Hilst.

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