terça-feira, 30 de agosto de 2016

Dois partidos com reais forças

Dois partidos com reais forças dominaram a cena política desde a redemocratização, o PT e o Partido da Grande Mídia.

Não é à toa que Boni, o ex - superpoderoso da Globo, em vídeo que circula no YouTube, declara que manipulou em favor de Collor o debate na TV :



Mais claro ainda ficou a partidarização política da Globo quando reagiu às insubordinações de Collor levando-o ao impeachment.

Neste mesmo sentido, de confissão de partidarismo político a declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:

"... e obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo." 

Essa mistiificação negativa do agente público levou a mídia a:

1) Legitimar-se como detentora da verdade;
2) Tornar-se agente principal do jogo político;
3) Direcionar as decisões dos governos;
4) Influenciar para o desmonte da máquina pública;
5) Submeter governos, parlamentos e o judiciário. 

Com essas características a mídia não apenas influencia a vida pública e os poderes do país, como passa a determinar decisões do judiciário, políticas públicas e ações do nosso Congresso.

Se antes a mídia usava de partidos políticos como intermediário, agora ela passa a exercer a participação política partidária de forma direta.

Temer jamais teria capacidade de conceber e formular um golpe tão bem realizado.

A criação de vários tentáculos na sociedade é ação complexa e articulada.

As várias raízes de apoio ao golpe, dos movimentos de rua ao apoio do judiciário, passando pela FIESP, pelos logistas, etc., foi gerado por ações em cadeia que pelo curto espaço de tempo seria impossível analisar o golpe sem apontar as redes de mídia como responsáveis direito e principais.

Note - se que a cirúrgica resposta de Dilma à pergunta de Aécio, no dia de ontem, aponta o bombardeio midiático de oposição desde quando o Partido da Grande Mídia não conseguiu eleger o seu representante, Aécio Neves.

Primeiro a mídia alegou fraude nas urnas e pediu recontagem, depois massificou a informação de erros na arrecadação da campanha de Dilma, mesmo tendo o órgão judicial maior, o TSE, aprovado as contas e, prestem atenção, diplomado a presidenta Dilma. Ato que só se concretiza com reconhecimento da lisura do pleito eleitoral em todos os seus aspectos.

Depois desta tentativas de derrubada de Dilma pelas vias legais eleitorais que restaram frustradas, a mídia que já tinha elegido Cunha como presidente da Câmara, e vinha guardando a dívida do seu fantoche para uma oportunidade de ouro, determina que Cunha acabe com o governo Dilma.

As ações de Cunha, todas elas, guardaram total sincronicidade com as matérias jornalísticas da mídia. Desde as pautas bombas, até a abertura do processo de impeachment, tudo foi articulado, conduzido e dirigido pela mídia tradicional.

Nós outros tentáculos se viu igualmente a participação marcante da mídia. No judiciário, as informações manipuladas das denuncias conta Lula e Dilma. No mundo empresarial os passos dos patinhos clonados da FIESP conduzidos pelos holofotes da Globo.

Com tanta moagem de reputações, com tanta força, poder e penetração do Partido Grande Mídia, os frágeis personagens da nossa história atual pularam do barco, um à um, e covardemente entregaram a democracia e a justiça nas mãos da imprensa tradicional. É a mídia que determina quem vai a julgamento e qual será o veredito. É a mídia que diz quais destinos do país, é a mídia que diz quais leis serão aprovadas pelo congresso.

Portanto, não foi a fraqueza política de Dilma a causa da sua derrubada. Hoje  no seu depoimento ficou bem claro a sua estrutura ética e moral. Ficou claro a força que concerne à liderança de qualquer pessoa. Ficou claro o alto grau de conhecimento que ela tem sobre os problemas do país e os caminhos para as soluções.

As intrigas não eram pela inapetência ou  incompetência da nossa representante eleita, ninguém melhor do que ela para esses momento em que os políticos estão desmoralizados, ela que não transmite a carapuça dos politiqueiros.

O que o Partido da Grande Mídia, opositor ao governo, não poderia permitir era a continuidade das políticas sociais e inclusivas, não podia permitir a volta do sentimento de nacionalismo. Era preciso abrir, mais uma vez, as nossas riquezas para o capital estrangeiro.

Dilma não foi derrubada por ser Dilma, assim como Goulart não foi derrubado por ser Goulart. Getúlio não se matou por ser Getúlio. Nenhum deles foi derrubado porque era fraco, incompetente ou leniente. Foram derrubados por aquilo que representavam. Para os que poderiam pensar que, no momento atual, com Lula, ou com outro, seria diferente, apenas aponto que Lula foi defenestrado pelas forças do sistema ainda antes de assumir como Ministro da Casa Civil.

Mas, a história é cruel no resgate das verdades. E, tanto quanto ocorreu com Joaquim Silvério e com Tiradentes, os que hoje são apontados como salvadores serão futuramente, e bem próximo, graças à internet, reconhecidos como traidores, e os que hoje são considerados traidores serão resgatados pela história, tal como ocorreu com Tiradentes, como heróis.

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