Um mundo de pensamentos "rasteiros" se divide em
dois lados.
Maniqueísmo na veia.
Um entende que o governo deve priorizar a economia que ela,
por si só, alavancaria a desenvolvimento e diminuiria a pobreza.
O outro lado entende que o governo deve priorizar a
população, que ela alavancaria a economia.
Da mesma forma que uns acreditam que a democracia era um
"bom negócio", outros acreditaram que a ditadura seria "um bom
negócio".
As guerras são feitas quando alguns acreditam ser "um
bom negócio".
O negócio é o seguinte.
Sempre que se colocar a economia como precedente da política
aumentaremos as insatisfações, o desequilíbrio e a desigualdade.
O Estado nasceu para exercer "função política" da
qual a economia é apenas um dos seus braços.
Nas últimas décadas o Estado passa a exercer a "função
econômica", colocando a função política em segundo plano.
O desastre econômico mundial, a insegurança, o desequilíbrio
e a insatisfação das populações se intensificam.
Esse é o erro fundamental da política de "fazer crescer
o bolo" para depois reparti-lo.
O que vemos é que o bolo cresceu e não o repartiram. Ele
explodiu.
Em alguns momentos históricos, depois do bolo explodir
cataram o que sobrou e repartiram para a população. Nestes momentos o que se
viu foi o avanço da democracia, e em seguida o avanço da economia.
Sempre que se prioriza a economia evoca-se o lema crescer.
Quando o Estado exerce a sua função política o lema é desenvolver.
A social-democracia europeia e o "new deal"
americano são exemplos da função política como prioridade do Estado e a
característica de desenvolver.
Thatcher e Reagan,
exemplos do lema crescer e do estado exercendo prioritariamente a função
econômica.
O Brasil mesmo com crescimento de PIB baixo vem diminuindo a
cada ano a taxa de desemprego, melhorando os salários e direitos do que estão
na base social. Portanto, crescer é uma coisa, desenvolver é outra. Na década
de setenta o PIB brasileiro bombava e a taxa de desemprego aumentava, as
condições sociais pioraram muito, mesmo com o PIB recorde.
No momento atual do mundo
observa-se a economia dominando a política, submetendo governos para que
esses passem a agir em nome dela.
Não é mais o Estado criando políticas para o desenvolvimento
da economia, e sim a economia ditando de forma direta e incisiva como o Estado
deve agir.
A cultura de crescimento a qualquer custo, o paradigma do
individualismo, são os principais agentes incentivadores desta situação, onde o
Estado como organizador da vida em sociedade deixa de existir para em seu lugar
o Estado passe a ser o gerenciador de interesses das grandes corporações.
Para isso, ou por causa disso, e de forma proposital,
criou-se a "retórica do economês", (no Post "A retórica do
economês", onde se confunde economia, crescimento, política e Estado, cuja
intenção foi a de camuflar noções ideológicas diversas.
Assim, observa-se a predominância da economia sobre a
política, sobre o próprio Estado, onde o único instrumento de pacificação se dá
através da procura do crescimento do PIB, e não através da busca do
desenvolvimento via melhorias substanciais no IDH, na divisão mais justa da
riqueza do país, diminuindo o enorme fosso entre os ricos e pobres. (No Post
"A predominância da economia na política".
Mas, o mundo é outro. Se antes, e sempre, o crescimento de alguns se deu através da
exploração de populações e países mais pobres que a eles se submetiam, nos dias
atuais não existem mais aqueles que se submeteram de forma pacífica, ou não,
para que fossem explorados. No mundo já não existem mais inocentes que
acreditem em promessas vãs, enquanto que a informação circulando com muito mais
velocidade e pela liberdade proporcionada pela internet (ainda fora do domínio
de players) não permitirão a exploração que se dava por meio da enganação e da
surdina; o mundo está atento.
A expansão da economia de alguns se deu pelo fato de que
havia, (como uma bexiga quando é enchida), espaço para "ser enchida",
o que nos dias de hoje não será mais possível porque todos procuram ocupar o
mesmo espaço.
Neste sentido o bolsa família passa a ser condição
obrigatória para o "bom negócio".
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