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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Um conto

Moacir Scliar em um artigo seu relata uma história contada por Simone de Beauvoir onde uma mulher, maltrada pelo marido, arranjara um amante, a cuja casa ia uma vez por semana. Para visitar o amante tinha de atravessar um rio e podia fazê-lo de duas maneiras: por barca ou por uma ponte. Ocorre que nas vizinhanças havia um conhecido assassino, motivo pelo qual a mulher a evitava. Um dia, demorou-se mais que de costume, e quando chegou ao rio, o barqueiro não quis levá-la, dizendo que seu expediente tinha terminado. A mulher pediu ao amante que a acompanhasse até a ponte, mas este recusou, alegando cansaço. A mulher resolveu arriscar, e o assassino a matou.

        Simone então pergunta: quem é o culpado? O barqueiro burocrata? O amante negligente? Ou a própria mulher, por adúltera? E comenta:

        - Em geral, as pessoas culpam um destes três, mas ninguém se lembra do assassino. É como se fosse normal para um assassino assassinar.

domingo, 7 de junho de 2015

Um conto

Era uma vez um rei muito amado pelos seus súditos. O povo adorava-o pela sua sabedoria e ponderação. Um dia, a tragédia atingiu a sua cidade. A água poluída enlouqueceu a todos, homens, mulheres e crianças. Apenas o rei que tinha uma nascente particular foi poupado. Pouco depois da tragédia, os moradores, enlouquecidos, passaram a notar que o rei estava agindo de maneira estranha, que seus julgamentos eram inadequados e sua sabedoria, falsa. Muitos chegaram a dizer que o rei estava louco. Em pouco tempo a sua popularidade decresceu. O rei, solitário no topo da colina, não tinha companhia. Um dia, decidiu descer e fazer uma visita à cidade. Era um dia quente, e ele bebeu a água do vilarejo. Nessa noite houve uma grande comemoração. As pessoas regozijavam-se, porque o rei bem amado recuperara a sanidade.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O que é mito?

"Mito" vem do grego antigo mythos, que significa simplesmente "palavra", "narrativa", "conto" ou "discurso". Para os gregos antigos, era a antítese do logos, o termo para uma forma objetiva de descrever um evento, observadas as regras especificas da logica. Filósofos, em geral, procuram chegar a verdade por meio do logos, enquanto poetas, historiadores e artistas de qualquer tipo tentariam chegar a verdade através de mythos.
Ao longo de milhares de anos, a palavra "mito" passou por uma metamorfose etimológica e é, agora, muitas vezes usada para descrever uma mentira ou crença estúpida. "Isso é um mito" é uma forma de dizer que alguma coisa não é verdade, quando, na realidade, "mito" é "verdade". As pessoas vem contando essas historias sagradas há milhares de anos, não apenas para compreender a si mesmas, mas para compreender melhor o mundo e o significado por trás da existência.

Mito como reflexo
Mitos são muito diferentes de fábulas ou lendas. As últimas geralmente lidam com aspectos da moralidade em uma determinada sociedade ou cultura, e estão mais preocupadas com os valores intrínsecos a um determinado fato, civilização, sistema de crenças, ou era. Normalmente, estão ligados a fatos históricos ou decorrem das aventuras, obras ou realizações de uma pessoa real.
Mitos, por outro lado, são estórias que dizem respeito ao nosso relacionamento interior com o divino ou com o "desconhecido". Eles são reflexos de nossos desejos, necessidades e medos, particulares e coletivos. Como espelhos, eles nos lembram quem somos, e também de quão pouco nós, como seres humanos, mudamos desde os tempos antigos. Mitos foram relatados muito antes do advento da escrita e formam a base da maioria das religiões, filosofias, literatura e arte do mundo. Revelam a poderosa expressão da imaginação humana por meio de uma forma narrativa para criar uma linguagem universal.
Sonhos públicos
Os mitos são historias sagradas que usam símbolos para contar sua verdade. Eles não só descrevem nossa percepção do mundo, mas oferecem uma chave para perguntas como "Quem sou eu?", "Como eu me encaixo em minha cultura/sociedade?" e "Como devo viver minha vida?". Na verdade, os mitos são a expressão atemporal da imaginação, tanto coletiva como individual, e da nossa necessidade de compreender quem somos no universo. Como o famoso professor de mitologia e escritor americano, Joseph Campbell, escreveu: "Mitos são sonhos públicos; um sonho é um mito privado".

Introdução a mitologia
A maioria dessas historias sagradas foi inicialmente transmitida em forma de narrativa, passada oralmente de geração em geração, evoluindo e se desenvolvendo ao longo do tempo até se tornarem a base de muitas religiões. Os mitos que foram passados na forma escrita são normalmente encontrados em civilizações altamente organizadas. Exemplos desses registros incluem as estelas e hieróglifos dos egípcios e um pouco da mitologia mesopotâmica, os Rig-Vedas da mitologia pré-hindu, a torá judaica, bem como a vasta literatura dos antigos gregos.

Temas universais
O psicólogo suíço do século XX, Carl Jung, famoso por sua teoria do inconsciente coletivo, acreditava que a mitologia reflete as memorias e imagens compartilhadas por toda a humanidade. E revela temas comuns, como a maneira com que o universo teve inicio, explicações das forças da natureza, as origens das pessoas, buscas e comportamentos pessoais, regras sociais e crenças, bem como crescimento psicológico pessoal e coletivo. A mitologia é diversificada em seus detalhes devido à geografia local e as necessidades regionais das pessoas, mas a paridade de imagens e ideias que abrangem grandes extensões geográficas e espaços de tempo é extraordinária, também.
Por exemplo, o ovo universal ou cósmico aparece em muitas historias da criação, assim como agentes de transformação, como pássaros como o Gaio Azul; deuses chifrudos como Pã, o Minotauro e Pashupati eram todos associados com a natureza selvagem. A mitologia também responde a questões como "Como o mundo ou o universo começou?" e "Por que somos mortais?". Muitas culturas acreditavam que a mortalidade era uma punição dos deuses para as transgressões humanas ou para a nossa capacidade de ser corruptos. Temas e ideias semelhantes que aparecem em lugares muito distantes devem ter viajado através dos continentes como mercadorias, do mesmo modo que as línguas indo-europeias que se encontram na raiz da maioria de nossos "modernos" idiomas europeus.
Muitos contos e divindades, com seus vícios e virtudes, tocam-nos profundamente em um nível "mítico". Ainda encaramos os mitos antigos como paralelos de nossa própria historia de vida e podemos nos identificar facilmente com os diversos fios condutores e conceitos nas narrativas, sejam quais forem os personagens e o comportamento ou resultado do conto. Esses mitos capturam o amago do dilema humano - seja o coração solitário ou a busca para provar a si mesmo.

O proposito do mito
Basicamente, deuses e deusas tem um potencial "arquetípico" - em outras palavras: eles evocam sentimentos, imagens e situações com os quais todos nos identificamos. São sugestivos de várias experiências em nossas próprias vidas, como lutas de poder, o bem contra o mal, ou as escolhas que temos de fazer. O mundo simbólico da mitologia pode ser visto como um espelho de nossa própria paisagem interior.
Muitas culturas há muito perderam a crença em deuses e deusas desse tipo. Isso, ironicamente, tem um preço. Se formos sábios e abertos o bastante para perceber que a mitologia é um espelho maravilhoso da natureza humana, um mundo inteiro no qual projetamos nossos medos, duvidas, sentimentos, ideias e desejos, então ela pode oferecer um potente recipiente para autoconsciência individual e inspiração coletiva.

Desconexão espiritual
A perda da mitologia, particularmente na sociedade ocidental, criou uma espécie de desconexão espiritual. Estamos separados de uma parte de nós mesmos que é conectada com algo mais do que o mundo material. Como Jung destacou:
"Desde que as estrelas caíram do céu e nossos mais altos símbolos empalideceram... o céu se tornou para nos o espaço cósmico do físico".
Entretanto, décadas depois de Jung ter escrito isso, estamos retornando a essa rede simbólica como fonte de alimento tanto espiritual quanto psicológica. O que o cientista esta descobrindo agora é o que o antigo contador de historias sempre soube.
Muitos eruditos tem tentado encontrar um proposito racional para os mitos. Uma teoria defende que os criadores de mitos eram cientistas primitivos que desejavam explicar como o mundo passou a existir. Os mitos também eram usados para explicar os rituais e cerimonias relativos aos ciclos da natureza entre os povos antigos. As sociedades estabeleciam lei e ordem por meio das tradições orais da mitologia, e uma hipótese é a de que os mitos eram criados para que os seres humanos pudessem ascender, ou tentar ascender, ao nível dos próprios deuses.
Mas, provavelmente, foi a ideia revolucionária de Jung que explica a nossa redespertada consciência do proposito dos mitos. Essas estórias sagradas são simplesmente as vozes de nossos antepassados e, portanto, a nossa própria voz interior. Por meio do mito podemos nos reconectar com a natureza universal de nos mesmos. Não importa quão independentes acreditamos ser como indivíduos, é a mitologia que revela a urdidura subjacente que nos entrelaça em uma tapeçaria de totalidade que é o universo, que permeia todas as coisas.

Temas compartilhados
Morte e renascimento eram, obviamente, temas importantes, assim como a justaposição entre o mundo inferior e o mundo superior. Mitos sobre a criação satisfazem a necessidade de uma noção sobre de onde viemos, nossas raízes e origens; mitos da fertilidade foram gerados por uma necessidade de estabilidade econômica e para garantir a continuidade da vida na Terra; mitos de heróis forneciam modelos para o comportamento humano. Algumas culturas estavam interessadas apenas em mitos que explicassem seu próprio povo e cultura. Por exemplo, os iorubás tinham uma explicação estruturada para sua cidade-estado sagrada, assim como os navajos e sua jornada espiritual pelos quatro mundos.

Sazonalidade e criação
A maioria das culturas tinha mitos a respeito da natureza cíclica das estações, do desenvolvimento da agricultura ou da evolução de uma forma selvagem para uma maneira mais civilizada de vida. Os filhos do Sol foram levados para Cuzco pelos deuses incas Manco e Mama; a estória de Demeter e Core na mitologia grega é tanto uma explicação poderosa para as estações e as forças da natureza como um mito cíclico altamente complexo. Parece que a mente antiga e a moderna caminharam para as mesmas conclusões sobre como tudo começou. Seja o ovo universal que eclodiu, o homem cósmico que se dividiu em muitas partes ou a teoria do Big Bang dos cientistas, o cosmos foi colocado em movimento de alguma maneira. Mitos da criação oferecem respostas básicas a questões fundamentais, mas profundas. Deuses criadores criam outros deuses, surgem conflitos e isso da origem a heróis e suas aventuras. Historias de amor dramáticas e missões heroicas definem a natureza da humanidade, tanto para o coletivo como para o individuo.
Deuses e divindades pelo mundo todo, quer sejam representados em forma humana ou animal, são "antropomórficos" - em outras palavras, agem, pensam e falam como seres humanos. Alguns deuses são solidários ou preocupados com o progresso dos mortais, como na Grécia, índia, Egito e América do Norte. Ao passo que outros são indiferentes ao destino humano, como nas mitologias da Babilônia e da Suméria.

Heroi
Os heróis e suas missões são enormemente importaçõs e se tornaram ícones sagrados em todas as culturas, fornecendo uma base útil ou formula para a perpetuação de costumes e crenças. Geralmente, eles ensinam a humanidade a pescar, curar e caçar, ou como destruir os demônios e monstros que ameaçam suas comunidades. Os heróis conduzem seu povo a um maravilhoso mundo novo ou lhes dão fogo e demonstram novos rituais.
Parece que o herói se tornou um individuo distinto por conta própria apos a dissolução da adoração a Grande Mae ou Grande Deusa. Isso provavelmente ocorreu perto do final da Idade do Bronze, por volta de 2500 a.e.c. e próximo ao inicio da Idade do Ferro, cerca de 1250 a.e.c. Esses mãos de heróis aparecem em um período de ênfase patriarcal nas civilizações, durante o desenvolvimento da agricultura e também no estabelecimento de impérios e cidadelas.

Defeitos e testes
Os mitos de herói tem muito em comum. O herói normalmente é fruto da união de um ser divino e um mortal. Se não for de ascendência divina, então o herói, em geral, é criado por um deus, como no caso de Odisseu, criado por Atena, ou adquire status divino como resultado de suns conquistas e sucesso. O herói raramente e perfeito, mas deve ter sempre uma missão. Na verdade, por possuir fraquezas humanas, é mais fácil para nós nos identificarmos com ele. Suas imperfeições frequentemente são tão esclarecedoras quanto suas qualidades heroicas. Como ele é submetido a vicissitudes e provas, a jornada do herói simboliza a progressiva consciência do potencial psicológico não utilizado em nos mesmos. Também representa o desenvolvimento da consciência e o crescimento interior, e a própria jornada da vida.

Missão impossível
Quando o herói enfrenta o monstro, salva a desventurada princesa ou desce ao Mundo Inferior, ele finalmente vence o mal e ou ascende ao céu ou é endeusado pelos deuses. Hércules é um excelente exemplo de herói que enfrenta uma série de monstros no decurso de seus trabalhos. O oráculo de Delfos prediz sua imortalidade, como parte do panteão olímpico, mas apenas se puder concluir todos os trabalhos com êxito. Hércules consegue realizar suas provas, sobe ao céu e se casa com Hebe. Ironicamente Hebe é filha de Hera, que odeia Hércules porque ele é fruto do caso de Zeus com uma mortal, Alcmena; na verdade, Hera é a responsável por sua missão quase impossível.

O Grande Diluvio
Outro tema comum na mitologia do mundo é o Grande Diluvio, que geralmente destrói a raça humana para que um deus ou criador possa purificar o mundo de sua corrupção e começar do zero. Há também historias de diluvio com base em necessidade geográfica e as inundações anuais perto de rios como o Nilo e o Eufrates. Mitos de inundação são encontrados praticamente em todo o mundo, da Europa continental ao Peru, onde o deus criador inca Viracocha destroi sua primeira raça de humanos gigantes com um diluvio e transformou-os todos em pedra.
No mito grego, Deucaliao foi avisado por seu pai Prometeu, que fora acorrentado ao Monte Cáucaso, que Zeus estava prestes a destruir toda a vida por meio de um Grande Diluvio. Prometeu disse a ele que construísse um barco, enchesse-o com comida e vivesse nele até que as aguas houvessem baixado. Depois, Deucaliao e sua esposa Pirra desembarcaram no Monte Párnaso, em uma paisagem totalmente deserta e árida. Pediram a Gaia para repovoar a Terra e, de repente, surgiram arvores e pássaros começaram a cantar. Para criar seres humanos, eles lançaram a terra pedras e seixos, que viraram homens e mulheres.

Os construtores de embarcações
Utnapishtim foi um antepassado do herói Gilgamesh e o único ser humano a sobreviver ao Grande Diluvio enviado por deuses furiosos para destruir a humanidade. Prevenido pelo deus Enki, ele encheu um barco em forma de cubo com plantas e criaturas de todo tipo e, em seguida, partiu com sua família enquanto as aguas subiam. Após uma semana, ele enviou uma pomba para procurar terra seca; no oitavo dia, ele mandou uma andorinha e, então, um corvo no nono dia. Como o corvo não voltou, seguiu na mesma direção, encontrou terra seca, libertou todos os animais e plantou as plantas. Os deuses recompensaram-no por sua bondade concedendo a ele e sua esposa a imortalidade, e eles se tornaram os ancestrais da nova raça humana. Desnecessário dizer que este mito guarda mais do que uma notável semelhança com a Arca de Noé do Genesis, no antigo testamento da biblia, e mais tarde no alcorão.
Outros mitos de diluvio incluem as historias do deus chinês Yu, o egípcio Hapi, e Nu'u, no mito polinésio, que ao ouvir que o deus Tane iria inundar o mundo com uma onda, construiu uma cabana em uma embarcação e encheu-a com suínos e cocos. Ele acabou encalhando no topo de uma montanha.

http://www.mitologia.templodeapolo.net/textos_ver.asp?Cod_textos=193&value=O%20que%20%C3%A9%20mito?&civ=Mitologia%20Chinesa#topo

sábado, 13 de abril de 2013

Cada um oferece o que tem

Era uma vez um velho sábio chamado Akbar.
Ele chegou a um pequeno povoado para passar os seus ensinamentos.
Só que os seus conselhos não conseguiram interessar à população e, depois de algum tempo, ele virou motivo de riso e ironia.

Um dia, um grupo de homens e mulheres começou a insultar o sábio, a dizer palavras baixas e humilhantes…
Ao invés de fingir que ignorava o que acontecia, o sábio foi até eles e desejou a todos um bom dia…

Fez-se um silêncio… E um dos homens comentou:
- Será que além de tudo, estamos diante de um homem surdo? Gritamos coisas horrí­veis e o senhor nos responde com uma saudação!

O velho sábio olhou a todos e disse calmamente:
- Cada um de nós só pode oferecer o que tem – virou as costas e foi embora…

domingo, 6 de janeiro de 2013

Um Elogio à Tartaruga

Ou a Arte de Libertar-se da Pressa

A ciência da administração do tempo é um dos maiores desafios de hoje. As pressões externas são tantas, e tão insistentes, que tiram de muita gente a capacidade de viver em paz.

Isso pode ser ilustrado pela história de uma  tartaruga, adaptada da cultura árabe.  Aliás, há seres humanos que têm forte admiração por estes animais, e aprendem com eles. Uma tartaruga pode viver mais de um século. Nos Estados Unidos, um indivíduo da espécie viveu 135 anos. Sua idade média oscila entre 80 e 100 anos, e pode ser  calculada pelo número de anéis do casco.

Conta a história que, um dia, os animais se reuniram em assembléia geral, e começaram a falar das coisas que os seres humanos tiravam deles.

― “Eles pegam o meu leite”, reclamou a vaca, com uma calma resignação na voz. “Quando não me matam”.

― “Colocam minha carne na panela para fazer canja”, disse uma galinha, nervosa.

― “Usam minha carne para fazer toucinho”, alegou o porco.

― “Querem caçar-me para ficar com o óleo”,  testemunhou a baleia.

― “Estão destruindo as matas nativas em que eu vivo”, afirmou o macaco.

Os testemunhos e constatações prosseguiam.  Até  que por último veio a tartaruga, e disse:
― “Eu  também  tenho algo que eles certamente tirariam de mim,  se pudessem. É  algo que eles necessitam acima de todas as coisas, mas também algo que desperdiçam e jogam fora. Eu tenho tempo: esta é minha grande riqueza.”
De fato, a tartaruga não tem pressa nem para respirar.  Respira lentamente, apenas três vezes por minuto, como se fosse algum grande mestre de ioga. Por isso ela vive em paz. Não está preocupada com nenhuma das superficialidades urgentes que preenchem a vida cotidiana de muitos cidadãos modernos.

 No folclore indígena brasileiro, segundo registra Rodolpho von Ihering, a tartaruga e o jabuti são símbolos de sabedoria,  e por isso a tartaruga ganhou algumas corridas realmente lendárias. 

Na tradição oral do folclore indígena brasileiro, o jabuti joga corrida com o veado, o bicho mais veloz da floresta, e coloca seus parentes nos diferentes pontos do trajeto. Durante a corrida, cada vez que o veado perguntava pelo adversário, um jabuti diferente respondia: “Estou aqui!”  O veado correu, surpreso, até cair morto. [1]

Na famosa fábula de La Fontaine, a tartaruga aposta corrida com a lebre, mas esta subestima o adversário e vai descansar. Descansando, dorme. O sono simboliza a falta de atenção diante da vida e do tempo que passa.   Na fábula, a lebre só acorda quando a lenta, mas tenaz e atenta tartaruga já garantiu a vitória.

Frases como “devagar se vai ao longe” e “a pressa é inimiga da perfeição” bem poderiam ter sido inspiradas em alguma tartaruga,  ou ditas por ela.

A lição básica da tartaruga para os seres humanos  consiste em levantar uma questão que deve ser examinada com calma:

“É bom viver perseguidos pelo sentimento de pressa? Vale a pena?”

Conta-se que um dia um pescador estava sentado tranquilamente no seu barco a remo, nas águas do Rio dos Sinos, segurando uma linha com anzol. Apreciava aquela paisagem bonita, quando um poderoso industrial estacionou ali o seu  carro importado e veio falar com ele.

― “Por que você não dá um jeito de pescar com  rede?”,  perguntou o homem, que ignorava a proibição do uso de redes no rio. 

― “Porque pescando desse jeito eu tenho o suficiente para viver”, respondeu o pescador, com um jeito simples de homem do povo.

― “E por que você não quer jogar redes no rio e pescar mais peixes?”

― “O que eu faria com eles?”

― “Ora, você poderia ganhar dinheiro, vendendo-os”, tentou explicar o industrial.  “Este trecho dos Sinos não está poluído ainda. Assim você teria mais peixes e mais dinheiro. Poderia comprar outro barco. E seria um homem rico, como eu”.

― “E o que eu faria então ?”

― “Ora, então poderia realmente gozar a vida”.

― “E o que você acha que eu estou fazendo agora?” ― perguntou o pescador, olhando para o vôo elegante de uma garça branca.

O diálogo acima  reproduz, em outro contexto, o mesmo desafio paradoxal da pressa e da lentidão, ou da lebre e  do veado, que perdem a corrida para a tartaruga.

Às vezes, é fazendo as coisas devagar que você alcança melhor resultado, e é fazendo menos coisas, bem feitas, que você atinge sua meta.

Quando uma pessoa, ou uma sociedade inteira, se agitam demais, é porque não estão sabendo enfrentar as questões que realmente interessam.


Carlos Cardoso Aveline

http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=241#.UOAGk3f774y

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Neoliberalismo e ambição

Erisictão era um rei da Tessália, rico, ímpio e violento, que não temia nem reverenciava os deuses. Um dia Erisícton violou um bosque consagrado a Deméter, deusa da agricultura. Contra todos os argumentos de seus criados, Erisictão põe-se a derrubar árvores consagradas à deusa e a golpear com o machado um imenso carvalho, árvore favorita da deusa. Do tronco ferido, esguicha sangue. Um dos criados tenta impedi-lo de continuar e tem a cabeça cortada em um único golpe. As dríades, divindades da floresta, também não conseguem impedi-lo e correm a Deméter, exigindo justiça.

A deusa então recorre a Éton, a Fome, e a coloca no estômago de Erisictão, despertando-lhe um apetite devorador, que nada é capaz de apaziguar. Em poucos dias, Erisictão consome a comida disponível em seu palácio e gasta toda sua fortuna para comprar mais e mais. Desesperado, vende como escrava sua filha Mnestra, para comprar mais comida. Esta recorre à ajuda de seu amante Poseidon, que lhe concede o dom da metamorfose, e assim consegue escapar inúmeras vezes dos seus sucessivos proprietários e voltar a se fazer vender. Mesmo assim, Erisictão não consegue saciar-se e emagrece sem parar. Enlouquecido, Erisícton começa a comer os próprios membros e acaba devorando-se a si próprio.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Dimensão diplomática: a questão peniana

Os belgas são conhecidos como os portugueses dos franceses.

Não é raro se ouvir algo assim: “Sabe a última do belga?” Semana passada, orgulhosamente, os belgas deram o troco. A provocação quase gerou uma crise de proporções incomensuráveis. Saiu nos jornais. Foi assim:

– Francês tem pinto pequeno – disse a mídia belga.

As respostas franceses são impublicáveis numa coluna familiar com esta. A mais frequente seguiu este padrão:

– Fulana não acha.

Tudo começou como uma pesquisa publicada por um pesquisador britânico, Richard Linn, na revista “Personality anda Individual Differences”. Segundo o estudo feito pelo cientista, o grid peniano europeu tem a seguinte composição: na ponta, isto é, em primeiro lugar, os islandeses, com 16,5cm em posição de sentido. Em seguida, os belgas, com 15,85cm cravados. Em terceiro lugar, os italianos, com 15,74cm se bem estimulados. Depois, os ingleses, com 13,97cm, os espanhóis, com 13, 93cm e, lá atrás (opa!), os franceses, com míseros 13,53 cm. A  média europeia é de 14,5cm. Em resumo, os franceses estão abaixo da média. Um vexame. Um fiasco.

A pesquisa aferiu também as dimensões penianas mundiais. Os congoleses enterram todo mundo: 18,034cm. Fenômeno. Já os coreanos, sem diferença geográfica ou ideológica, norte e sul na mesma posição, aparecem em último lugar, com insignificantes 9,652cm. O jornal belga “Le Télégraph” soltou em manchete: “Somos maiores que os franceses”. RTL não hesitou: “As belgas não têm do que se queixar”. Diante de uma suspeita de machismo, a explicação seria gramatical: “Les belges” vale para os dois gêneros: belgas não têm do que se queixar.

A França reagiu por todos os meios disponíveis.

– Isso é pegadinha de inglês – disse um popular.

O jornal parisiense Libération, conhecido por sua irreverência, preferiu não brincar com coisa tão séria. Recorreu a argumentos menos irônicos e mais pesados: a pesquisa não é científica, não tem metodologia, uma mesma equipe deveria ter tirado as medidas no mundo inteiro, Richard Linn é racista, eugenista e charlatão. Em outra pesquisa, sustentou que os alemães têm o maior QI da Europa, o que justificaria suas vitórias em certas batalhas. E as derrotas? Outro popular foi direto:
– Esse Linn deve ter pinto e cérebro pequenos.

Na Coreia do Sul, a reação foi de desdém:

– Tamanho não é documento. Importa o desempenho.

A Coreia do Norte preferiu não comentar. Já um congolês, com algum ufanismo, resumiu a situação:
– Estamos um palmo na frente dos outros.

Francesas teriam tido reações diferentes.

– Puuuff! – teria bufado uma jovem.

– Estou com passagem para o Congo – disse outra.

Especula-se que o caso venha a ser esclarecido por alguma corte internacional. Afinal, tamanho não é documento, mas todo mundo prefere pecar por excesso.

- O Congo é o antigo Congo Belga – ouve-se em Belgrado.

Moral da história: quando o assunto é pinto, precisa-se terminar com uma pegadinha.

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=3338

domingo, 18 de novembro de 2012

Paz Perfeita

Havia um rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar numa pintura a paz perfeita.

Foram muitos os artistas que tentaram. 

O rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve que escolher entre ambas. 

A primeira era um lago muito tranqüilo. 

Este lago era um espelho perfeito onde se refletiam umas plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um céu muito azul com tênue nuvens brancas. 

Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a paz perfeita.
A segunda pintura também tinha montanhas.  

Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação.  

Sobre elas havia um céu tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com faíscas e trovões.  

Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico.  

Mas, quando o rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha.  

Neste arbusto encontrava-se um ninho.  

Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho.  

Paz perfeita. 

O rei escolheu a segunda e explicou:  

"Paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo ou sem dor." 

"Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, permanecemos calmos no nosso coração.  

Este é o verdadeiro significado da paz". 

Autor desconhecido


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Asas para Voar

Uma águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho.
O seu coração acelerou com emoções contraditórias, ao mesmo tempo que sentiu a resistência dos filhotes.
Por que será que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair? Pensou ela.
O ninho estava colocado bem no alto de um pico rochoso.
Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes.
E, se justamente agora, isto não funcionar? Pensou ela.
Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento.
A sua missão estava prestes a completar-se, restava ainda uma tarefa final: o empurrão.
A águia encheu-se de coragem.
Enquanto os filhotes não descobrirem as suas asas não haverá propósito para a sua vida.
Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer águia.
O empurrão era o melhor presente que ela podia oferecer-lhes.
Era seu supremo ato de amor.
Então, um a um, ela precipitou-os para o abismo.
E eles voaram!
Às vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia.
São elas que nos empurram para o abismo.
E quem sabe não são elas, as própria circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O começo de tudo no Candomblé

No começo de tudo, o criador que se chama Olorum, tinha dado a cada filho uma parte do mundo. Para Ossanha deu a floresta:
- Você cuida das plantas. Umas servem para comer, outras para fazer remédio e outras para enfeitar a casa. Quando alguém precisar, atenda.
O que fez Ossanha? Guardou as plantas só para si.
- Está em falta, mentia quando alguém procurava.
Seu irmão Xangô quando soube, chamou Iansã que cuidava dos ventos:
- Onde já se viu? Dê um castigo para esse egoísmo.
Iansã se aproximou como quem não quer nada, Ossanha se distraiu e ela abanou com a saia o horto particular do orixá egoísta. Foi a maior ventania! Quando acabou, as plantas tinham se espalhado pelo mundo. É por isso que Ossanha está em todo lugar que tem mato, recolhendo as plantas que Iansã espalhou.

domingo, 15 de janeiro de 2012

“A forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível”

Lições do sesquicentenário de “Alice no País das Maravilhas”
 
Por Fátima de Oliveira (Médica)

Tenho na leitura uma companhia prazerosa. Os livros não são apenas fontes de diversão. Neles encontro pistas para solucionar problemas e vislumbrar novos horizontes. Como, não sei.

Acontece. Falo de leitura de entretenimento, como crônicas, contos de fadas e infantis de modo geral, romances, narrativas de viagens, biografias e poesias. Por aí.

Nada a ver com literatura de autoajuda, da qual não consigo gostar, pois, via de regra, mais se parece com receita de bolo. Os que já li são similares à camisa de força e, sobretudo, tolhem a minha liberdade de escolher caminhos.

Diante de problemas, recorro aos livros. Nos primeiros dias de janeiro, chocada com a MP do Nascituro (disfarçada de “cadastro de grávidas”), fucei minha biblioteca atrás de um livro que falasse algo reconfortante sobre o inesperado e o impossível. Eu havia lido em algum lugar.

Foi então que senti falta das antigas fichas de leitura. Durante anos eu, paciente e disciplinadamente, fichei todos os livros que li – nome, autoria, editora, breves linhas sobre o conteúdo e as melhores e/ou mais bonitas frases. Meu fichário se perdeu em uma de minhas mudanças de vida cigana, quando abandonei o hábito de fichar livros.

A memória tem das suas. Dei na batida que o que eu procurava estava num livro para crianças. Rememorei, como num filme, e estava certa de que era um livro de que eu gostava e que havia lido várias vezes. Dei uma olhada no que me resta de contos infantis e nada! Sem mais perder tempo, fui ao “são Google”. Bah! Em segundos estava lá: “A única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível”.

Foi emocionante! A frase é de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, pseudônimo do poeta, romancista, matemático e pastor inglês Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898). Trata-se de uma história inventada durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa, em 4 de julho de 1862, para entreter três crianças – Lorina Charlotte, Edith Mary e Alice Pleasance Liddell -, filhas de Henry George Liddell, vice-chanceler da Universidade de Oxford, decano da Igreja de Cristo, reitor da Christ Church, onde Lewis Carroll ensinava matemática.

A história da menina Alice, que caiu numa toca de coelho e viveu aventuras fantásticas num mundo maravilhoso de bichos e coisas sábias e falantes, foi passada para o papel em 1864 e publicada em 1865. Dizem ser o livro mais citado depois da Bíblia e é a obra mais famosa do mundo do gênero literário nonsense.

Na coletânea de frases do referido livro, havia outra que, de algum modo, respondia à minha busca de entender o momento em que vivia: “Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?”.
“Isso depende muito de para onde queres ir”, respondeu o gato.

“Preocupa-me pouco aonde ir” – disse Alice.

“Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas” – replicou o gato.

“Alice no País das Maravilhas” é um conto infantil de zooliteratura, com seus fascinantes bichos falantes, mas também um livro sobre costumes da era vitoriana. Contém muito da cultura inglesa da época, incluindo gastronomia, e críticas ao modo vitoriano de ser, e entremeia sonho e vida real do tempo em que foi escrito e que nos seduz pelo que encerra de nonsense.

Eu adoro “Alice no País das Maravilhas”, mas impliquei com seu autor ao descobrir que foi acusado de pedofilia, o que abordarei em outro dia. Por fim, a história de Alice ainda diverte crianças do mundo inteiro, inspira as artes e nos ensina que “tudo tem uma moral se você conseguir simplesmente notar”.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vida após o Parto

No ventre de uma mulher grávida dois gêmeos dialogam:

- Você acredita em vida após o parto?
- Claro! Há de haver algo após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Bobagem, não há vida após o nascimento. Afinal como seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a nossa boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Além disso, andar não faz sentido pois o cordão umbilical é muito curto.
- Sinto que há algo mais. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

- Mamãe? Você acredita em mamãe? Se ela existe, onde ela está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela não existiríamos.

- Eu não acredito! Nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que ela não existe.
- Bem, mas ás vezes quando estamos em silêncio, posso ouvi-la cantando, ou senti-la afagando nosso mundo. Eu penso que após o parto, a vida real nos espera; e, no momento, estamos nos preparando para ela.

AUTOR DESCONHECIDO

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Nunca desista . .


 Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um "bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino. . . O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência. . . Disse o juiz: - Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor: vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz. . . Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos pedaços o maldoso juiz escreveu: CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem. . . O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a "vibração" aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente o colocou na boca e engoliu. . . Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem. "- Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?" "- É muito fácil", respondeu o homem. "- Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário." Imediatamente o homem foi liberado. . . 

MORAL DA HISTÓRIA: . . Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Saiba que para qualquer problema há sempre uma saída. Não desista, não entregue os pontos, não se deixe derrotar. Persista, vá em frente apesar de tudo e de todos, creia que pode conseguir. . . Se você fizer o que sempre fez, conseguirá o que sempre conseguiu!!! Use sua Força Divina, para superar suas limitações.

 http://www.fabulasecontos.com.br/?pg=descricao&id=91

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Arthur e Gawain

Por Clarice. Cla, Inlakech

O jovem Rei Arthur foi surpreendido pelo monarca do reino vizinho enquanto caçava furtivamente em um bosque. O Rei poderia tê-lo matado no ato, pois tal era o castigo para quem violasse as leis da propriedade, contudo se comoveu ante a juventude e a simpatia de Arthur e lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um ano trouxesse a resposta a uma pergunta difícil. A pergunta era: O que realmente as mulheres querem?.

Semelhante pergunta deixaria perplexo até ao homem mais sábio, e ao jovem Arthur lhe pareceu impossível de respondê-la. Contudo aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou a interrogar as pessoas. À princesa, à rainha, às prostitutas, aos monges aos sábios, ao palhaço da corte, em suma, a todos e ninguém soube dar uma resposta convincente.

Porém todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços.

Chegou o último dia do ano acordado e Arthur não teve mais remédio se não recorrer a feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição, primeiro aceitaria o preço. Ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da mesa redonda e o mais intimo amigo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feiíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos,...nunca havia topado com uma criatura tão repugnante. Se acovardou diante da perspectiva de pedir a um amigo de toda a sua vida para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda.

Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: O que realmente as mulheres querem é:

Serem soberanas de suas próprias vidas!

Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo.

Assim foi a ouvir a resposta, o monarca vizinho lhe devolveu a liberdade. Porém, que bodas tristes foram aquelas... Toda a corte assistiu e ninguém se sentiu mais desgarrado entre o alivio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain, se mostrou cortes, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso.

Chegou a noite de núpcias. Quando Gawain, já preparado para ir para a cama aguardava sua esposa...Ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar! Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido. A jovem lhe respondeu com um sorriso doce, que como havia sido cortês com ela, a metade do tempo se apresentaria com aspecto horrível e a outra metade com aspecto de uma linda donzela. Então ela lhe perguntou. Qual ele preferiria para o dia e qual para a noite? Que pergunta cruel... Gawain se apressou em fazer cálculos... Poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e a noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa ou quem sabe ter de dia uma bruxa e a uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal.

O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser dona de sua vida.


Moral da história:  


Não importa se a mulher é bonita ou feia, boa ou má, no fundo, é sempre uma bruxa...

Ela se transformará de acordo com a forma que você a tratar . 

Aprenderam ??? 

Comentário:

Eis aí a Grande Mãe. Feia e bela. Completa

A bruxa capaz de se transformar a qualquer tempo.

O ser integral, nem masculino nem feminino, mas, bruxa, mãe, com capacidade de parir as transformações do mundo.

Do filme Os Smurphies:

Uma mulher chama o seu subordinado e determina:

- Você deve realizar o seu trabalho; assim, desta forma.
E explica detalhadamente o que quer.

- Ele pratica a ação.

Ao voltar e apresentar o seu trabalho como havia sido determinado, a mulher diz:

- Você está despedido.

O funcionário fica parado sem entender o que tinha acontecido de errado. E a mulher então lhe diz:

- Não basta você fazer o que eu te pedi. É necessário que você saiba não o que eu digo mais o que eu penso.

Esse diálogo me fez pensar como algumas Grandes Mães, as bruxas, aquelas capazes de modificarem o mundo, muitas vezes não conseguem modificar, sequer, uma coisa ínfima.

E aí concluí que a Grande Mãe, a Bruxa, só consegue modificar o mundo, quando consegue melhorar a si própria, sabendo canalizar a sua imensa energia para o objetivo que ela quer.

Sua ação tem que ser clara com os seus pensamentos.

Esse é o princípio da "fé que move montanhas".