quarta-feira, 1 de julho de 2026

Copa do Mundo cria êxtase libertador que espanta nosso vazio existencial


Copa do Mundo cria êxtase libertador que espanta nosso vazio existencial
Folha de São Paulo

O futebol é o palco mágico onde a nossa loucura ganha permissão oficial para existir e reinar absoluta no meio da rua.

Durante um mês, a cada quatro anos, grande parte do planeta entra em um acordo silencioso e decide que a vida de 11 homens correndo atrás de uma esfera sintética é a coisa mais importante do universo. No fundo, talvez seja mesmo a única coisa que faça sentido.

O apito inicial do juiz não marca apenas o começo de uma partida, mas decreta a suspensão temporária e gloriosa da realidade objetiva. Os boletos a pagar, o trânsito engarrafado, as decepções amorosas e as crises políticas desaparecem como fumaça levada pelo vento, onde o destino pode ser reescrito em uma fração de segundo por um chute torto ou por um milagre inesperado.

Olhamos para o campo e não vemos apenas rapazes de 20 e poucos anos com cortes de cabelo esquisitos. Vemos heróis míticos carregando o peso das nossas próprias esperanças cansadas. O craque que dribla três adversários e chuta no ângulo faz exatamente aquilo que gostaríamos de fazer no dia a dia.

Vibramos com ele como se a glória fosse nossa porque, naquele instante, a glória é realmente nossa e de mais ninguém. Exigimos dele uma perfeição absurda que nós mesmos nunca alcançamos e ficamos furiosos quando ele erra um passe simples, esquecendo convenientemente que ele também é feito de carne e osso, medo e noites maldormidas.

No banco de reservas, o técnico assume o papel daquele pai sábio e onipotente que tem a resposta para todos os problemas do mundo moderno. Queremos que ele tenha a palavra exata no vestiário capaz de curar feridas antigas e a magia necessária para transformar um grupo de rapazes assustados em uma legião de guerreiros imbatíveis.

Se o time ganha, ele é um gênio incompreendido que enxergou o que ninguém mais viu. Se o time perde, ele é o culpado por todas as nossas tristezas acumuladas desde a infância. Não existe meio-termo nessa paixão desmedida que queima a nossa paciência e nos faz gritar com a televisão como se o homem pudesse nos ouvir através da tela.

E, quando o time entra em campo, deixamos de ser indivíduos solitários perdidos em uma rotina cansativa e repetitiva que nos esmaga de segunda a sexta. O sujeito engravatado abraça o desconhecido suado na arquibancada, e a vizinha tímida grita palavrões impublicáveis na janela do apartamento.

A solidão desaparece e dá lugar a um corpo único que respira, sofre e canta em uníssono. A camisa da seleção vira a nossa verdadeira pele, e o hino nacional cantado a plenos pulmões é a nossa oração de guerra.

Torcer contra o rival é uma delícia libertadora e quase terapêutica que nos poupa anos de divã. É a chance perfeita de jogar no outro tudo aquilo de que não gostamos em nós mesmos e que fingimos não ver no espelho.

É uma batalha de mentirinha em que ninguém se machuca de verdade, mas na qual o orgulho de milhões de pessoas entra em jogo a cada dividida de bola. O futebol permite que a gente libere os nossos instintos mais primitivos de um jeito lúdico e inofensivo. Uma guerra sem balas e sem trincheiras lutada com canções provocativas e bandeiras tremulando ao vento e rezas silenciosas para que o atacante adversário tropece nas próprias pernas de forma humilhante.

O gol é o clímax absoluto dessa jornada épica e imprevisível. No momento exato em que a bola estufa a rede, o tempo simplesmente para de existir. Nesse grito rasgado que arranha a garganta, o nosso eu individual se dissolve completamente e nós viramos pura energia pulsante espalhada pelo ar.

É um êxtase coletivo que espanta o vazio existencial e nos faz sentir vivos de um jeito absurdo e incontrolável. É a prova definitiva de que o caos e o sofrimento angustiante dos 90 minutos podem ser transformados em uma ordem cósmica perfeita e absurdamente bela.

Mas a derrota traz um luto pesado e silencioso que cobre as ruas como uma neblina fria e implacável. A eliminação em uma Copa do Mundo não é uma frustração qualquer que se esquece no dia seguinte com uma xícara de café forte. A esperança morre ali no gramado, e somos obrigados a voltar para a realidade dura e cinzenta da segunda-feira sem a armadura da ilusão.

Vivenciamos uma tristeza profunda porque perdemos a magia que nos unia e nos fazia acreditar que éramos invencíveis contra as dores do mundo. O tombo dói na alma porque a queda de um herói nos lembra da nossa própria fragilidade humana e da nossa incapacidade de controlar o destino.

Hoje, os grandes jogadores vivem como divindades intocáveis, cercados de luxo, fama e contratos bilionários que desafiam a imaginação. Moram em castelos de vidro e parecem cada vez mais distantes da nossa realidade suada. Ganham em um mês o que a maioria nem em 20 vidas inteiras de trabalho duro e honesto ganharia.

O jogador deixou de ser um de nós que deu certo e passou a ser uma marca global polida e plastificada que não pode errar, ficar triste e envelhecer nunca. Ele é obrigado a sorrir para as câmeras e esconder os seus defeitos a qualquer custo, blindado por empresários e assessores de imagem.

Quando a falha humana inevitavelmente aparece em um pênalti isolado ou em um escândalo qualquer, a nossa decepção é gigantesca, porque percebemos atônitos que o nosso deus de chuteiras sangra e chora exatamente como nós.

É exatamente por isso que a Copa do Mundo continua sendo tão fascinante e absolutamente necessária para a nossa sanidade. Ela é o último grande ritual de igualdade que nos resta neste planeta fragmentado e polarizado.

Waldemar Magaldi Filho
Analista junguiano, mestre e doutor em ciências da religião e fundador do IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa). Autor de "Dinheiro, Saúde e Sagrado

quarta-feira, 3 de junho de 2026

A cacetada de Einstein sobre pontos de vista.

Existe uma frase atribuída a Albert Einstein que, de tão simples, parece quase óbvia, mas que bate fundo quando você para para pensar: 

“Há duas maneiras de viver a vida: acreditando que milagres não existem ou que tudo é milagre.” 

Em poucas palavras, ela resume um dos maiores desafios do ser humano: a forma como escolhemos olhar para o que está ao nosso redor.

A ideia central por trás da frase de Einstein é quase paradoxal: 

dois indivíduos podem acordar na mesma manhã, enfrentar os mesmos acontecimentos e terminar o dia com sensações completamente diferentes. 

Um vê rotina e obstáculos. O outro encontra gratidão, sentido e beleza no que parece ordinário.

(...)

Artigo completo: 
https://www.brasil247.com/tendencias/2026/05/27/frase-de-einstein-do-dia-ha-duas-maneiras-de-viver-a-vida-acreditando-que-milagres-nao-existem-ou-que-tudo-e-milagre-a-reflexao-sobre-olhar-gratidao-e-sentido-da-existencia/

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A técnica de Marco Aurélio para o caos.

Marco Aurélio, filósofo romano: “A nossa vida é o que os nossos pensamentos a fazem”
Por Joaquim Luppi Fernandes 

O imperador Marco Aurélio afirmava que a nossa vida é um reflexo direto do que cultivamos diariamente em nossa mente. Por isso, adotar uma postura racional permite que você neutralize impulsos negativos antes que eles dominem suas ações e decisões.

Qual a técnica de Marco Aurélio para o caos?

A prática da atenção plena permite que você observe os próprios pensamentos sem se deixar levar por julgamentos precipitados ou pessimistas. Isso ajuda a separar o que está sob seu controle daquilo que é meramente externo.

Como aplicar o estoicismo para mudar sua mentalidade?

Iniciar o dia com afirmações positivas e reflexões sobre a impermanência das coisas ajuda a preparar o espírito para qualquer imprevisto. Essa rotina cria um escudo mental poderoso contra o estresse excessivo e as frustrações comuns.

O exercício constante de gratidão e objetividade consolida os novos padrões de pensamento que você deseja implementar agora. 

Desse modo, a transformação pessoal ocorre de maneira orgânica e sustentável, refletindo-se em todas as áreas da sua vida.

 -   Pratique o distanciamento emocional nos conflitos.
 -   Aceite as mudanças com naturalidade.
 -   Elimine julgamentos sobre terceiros.
 -   Foque apenas no momento presente.
 -   Escreva um diário de reflexões noturnas.

Matéria completa:
https://catracalivre.com.br/noticias/marco-aurelio-filosofo-romano-a-nossa-vida-e-o-que-os-nossos-pensamentos-a-fazem/

Você procura a felicidade?

Erich Fromm, filósofo e psicanalista: “A felicidade não está em ter, mas em ser: na capacidade de amar, criar e conectar-se.”

Aprenda a cultivar o ser e encontre o equilíbrio emocional através de reflexões profundas sobre propósito e bem-estar
Por Joaquim Luppi Fernandes

Em um mundo onde o consumo desenfreado muitas vezes dita o ritmo das nossas vidas, encontrar um equilíbrio psicológico torna-se uma tarefa desafiadora e necessária. 

Como a filosofia de Erich Fromm influencia nosso bem-estar atual?

A visão deste pensador, filósofo e sociólogo, nos convida a questionar as bases da nossa sociedade moderna, que frequentemente prioriza o acúmulo material em detrimento do desenvolvimento pessoal. 

Ao integrar conceitos da psicanálise com uma abordagem humanista, ele nos ensina que a saúde da mente está ligada à nossa capacidade de agir com autonomia e autenticidade diante das pressões externas constantes.

Aplicar esses ensinamentos no dia a dia significa escolher atividades que nutrem a alma, como a arte, a meditação e o diálogo sincero com aqueles que amamos. 

Essa mudança de perspectiva ajuda a diminuir a ansiedade gerada pela comparação constante, permitindo que cada indivíduo encontre o seu próprio ritmo e propósito em uma jornada única, valorosa e livre de excessos desnecessários.

Qual é a relação entre o autoconhecimento e a busca por uma vida autêntica?

A investigação das motivações profundas permite que compreendamos melhor os vazios que tentamos preencher com compras impulsivas ou validação social momentânea. 

Ao mergulhar na jornada interior, descobrimos que muitas das nossas angústias derivam de uma desconexão com nossa essência criativa, algo que as abordagens analíticas buscam resgatar através de um olhar cuidadoso sobre a história pessoal de cada um.

Entender as normas sociais que moldam nosso comportamento é o primeiro passo para nos libertarmos de padrões automáticos que geram um cansaço persistente. 

Quando passamos a agir com base em valores internos sólidos, a necessidade de aprovação externa diminui drasticamente, abrindo espaço para uma rotina mais leve, onde o foco recai sobre o crescimento pessoal e a paz de espírito cotidiana.

Por que a inteligência emocional é essencial para superar o materialismo?

Desenvolver a capacidade de identificar e gerenciar sentimentos é uma ferramenta poderosa para resistir aos apelos de uma cultura voltada apenas para o ter. 

Quando possuímos clareza sobre nossas reais necessidades, deixamos de buscar em vitrines o que só pode ser encontrado dentro de nós, resultando em uma mente muito mais tranquila para lidar com desafios.

Para implementar essa mudança de paradigma e focar no que realmente importa, existem algumas práticas fundamentais que podem ser adotadas gradualmente por qualquer pessoa interessada em uma evolução genuína e duradoura:

   - Praticar o consumo consciente avaliando a real utilidade de cada nova aquisição antes de finalizar a compra.
    - Dedicar tempo diário para atividades criativas 
    - Fortalecer os laços afetivos através de momentos de escuta ativa e presença genuína com amigos e familiares.
    - Respeito mútuo pela individualidade e pelos sonhos de cada pessoa envolvida no círculo de convivência.
    - Responsabilidade afetiva ao lidar com as expectativas e sentimentos alheios com transparência e honestidade.
    - Cuidado constante com o bem-estar físico e emocional de quem está ao nosso lado durante a jornada.

Matéria completa: 
https://catracalivre.com.br/noticias/erich-fromm-filosofo-e-psicanalista-a-felicidade-nao-esta-em-ter-mas-em-ser-na-capacidade-de-amar-criar-e-conectar-se/

Relacionar-se

 Relacionar-se é, talvez, o exercício mais complexo e recompensador da experiência humana. É o processo de construir pontes entre universos particulares, o que exige um equilíbrio constante entre o que somos e o que o outro nos traz.
Aqui estão algumas dimensões fundamentais desse conceito:

1. A Base: O Relacionamento Consigo Mesmo
Não se constrói uma relação sólida com o outro sobre um terreno interno instável. Conhecer seus próprios limites, valores e "gatilhos" é o que permite que a troca seja saudável. A qualidade do nosso diálogo com o mundo é um reflexo do diálogo que mantemos em nossa própria mente.

2. A Comunicação como Ferramenta
Muitas vezes, acreditamos que nos relacionar é apenas "falar", mas a essência está no escutar.

Escuta Ativa: Ouvir para compreender, não apenas para responder.
Assertividade: Capacidade de expressar necessidades sem agressividade, mas com clareza.

3. O Desafio da Alteridade
Relacionar-se é aceitar que o outro é um ser independente, com uma história e uma visão de mundo diferentes da sua. O conflito não é necessariamente um sinal de fracasso, mas sim o ponto onde duas individualidades se encontram e precisam negociar um espaço comum.

4. Diferentes Esferas de Conexão
Afetiva/Familiar: Onde os laços são profundos e a vulnerabilidade é maior.
Social/Amizade: Espaços de troca intelectual, lazer e apoio mútuo.
Profissional: Baseada na colaboração, no respeito às hierarquias e na busca por objetivos comuns.

"O homem é um animal social." — Aristóteles
Essa frase continua atual porque define nossa necessidade biológica e emocional de pertencer.

Relacionar-se é, no fundo, um aprendizado contínuo sobre tolerância, empatia e, principalmente, sobre quem nós mesmos nos tornamos quando estamos em companhia.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Descansar o cérebro é ato de inteligência biológica; saiba como restaurar a energia mental

Descansar o cérebro é ato de inteligência biológica; saiba como restaurar a energia mental
Fernando Gomes

Vivemos uma era em que a mente parece nunca descansar. A enxurrada de informações, o excesso de estímulos digitais, a necessidade constante de produtividade e a pressão por desempenho nos colocaram em um estado de vigília permanente.

Não é de surpreender, portanto, que cada vez mais pessoas relatem sintomas como irritabilidade, lapsos de memória, falta de concentração e um cansaço que não se resolve nem com uma boa noite de sono. Esse fenômeno tem nome: fadiga mental.

Ao contrário do cansaço físico, que é perceptível nos músculos e no excesso de sono, por exemplo, a fadiga mental se manifesta no funcionamento do cérebro — especialmente nas regiões responsáveis por aspectos como atenção, memória de trabalho e controle emocional. 

O córtex pré-frontal, localizado atrás da testa, é um dos primeiros a sofrer quando o cérebro está sobrecarregado. É ele quem executa tarefas complexas, como tomada de decisão, planejamento e autocontrole. Sob fadiga, essa região reduz sua atividade, e o resultado é um funcionamento mais lento, reações impulsivas e dificuldade para manter o foco.

Pesquisas em neuroimagem mostram que, durante longos períodos de esforço cognitivo, há um acúmulo de adenosina, um neurotransmissor que sinaliza ao cérebro que é hora de descansar. Esse mesmo mecanismo explica a sonolência após horas de estudo ou trabalho intenso. Além disso, a exposição contínua a telas e notificações ativa o sistema dopaminérgico de recompensa, criando um ciclo de hiperestimulação seguido de queda abrupta — o que aumenta a sensação de exaustão mental e emocional.

Mas a fadiga mental não é apenas desconforto. Quando crônica, ela pode ter consequências sérias.

Estudos associam esse estado à diminuição da neuroplasticidade, ou seja, à capacidade do cérebro de criar novas conexões e aprender. 

Também há evidências de que a fadiga prolongada eleva os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, contribuindo para distúrbios do sono, ansiedade e até comprometimento imunológico. 

A mente cansada, portanto, não afeta apenas o desempenho cognitivo — ela abala o equilíbrio integral do corpo.

Reconhecer os sinais é o primeiro passo para evitar um colapso mental. Dificuldade de concentração, erros frequentes, sensação de “cabeça pesada”, insônia e perda de prazer em atividades que antes eram satisfatórias indicam que o cérebro está pedindo pausa.

Diferente do que muitos pensam, não é o esforço em si que causa dano, mas a ausência de recuperação. Assim como um atleta precisa de repouso entre treinos, o cérebro também exige períodos de descanso para consolidar informações e se reorganizar.

Como reverter a fadiga mental

Se você sente que passa por isso, calma. Eu tenho uma boa notícia: existem formas cientificamente comprovadas de restaurar a energia mental e elas são simples de serem feitas.

Um exemplo clássico e muito eficiente é dormir. Afinal, é durante o sono profundo que o cérebro elimina metabólitos tóxicos e reorganiza memórias. Outra dica bem simples é se mexer. Atividades físicas aeróbicas, como caminhar ou dançar, aumentam o fluxo sanguíneo cerebral e estimulam a liberação de endorfinas e dopamina, favorecendo o equilíbrio emocional.

Já a prática da atenção plena (mindfulness) e a respiração consciente ajudam a reduzir a hiperatividade do sistema límbico, responsável pelas respostas de estresse. É aquela ideia simples de tentar estar sempre no “aqui e agora”, sem deixar vagar o pensamento para o que já foi ou para o que está por vir.

Outro ponto essencial é aprender a gerenciar estímulos. O excesso de informação consome energia cognitiva como um “ruído” constante. Tente, então, desligar notificações, alternar períodos de foco com intervalos regulares e buscar momentos de silêncio. São atitudes simples que produzem grande impacto.

O cérebro precisa de vazio para criar, de pausa para consolidar e de tédio para reinventar.

Em um mundo acelerado, descansar é um ato de inteligência biológica. O cérebro humano, com seus 86 bilhões de neurônios, consome cerca de 20% da energia corporal (mesmo em repouso). Isso significa que pensar cansa – literalmente. Mas também significa que cuidar da mente é zelar pela nossa principal ferramenta de sobrevivência.

Como neurocirurgião e neurocientista, vejo diariamente os efeitos do esgotamento mental em diferentes faixas etárias — de estudantes exauridos por maratonas de estudo a profissionais que perderam o prazer pelo próprio trabalho. Sem falar no crescimento absurdo de burnout.

Lembre-se de que o cérebro é um órgão de alta performance, mas não é uma máquina. Ele precisa de manutenção, limites e intervalos para continuar operando em seu potencial máximo.

Em tempos de sobrecarga digital e emocional, talvez o maior desafio seja reaprender a parar. Não para fazer menos, mas para pensar melhor. Vale lembrar ainda que as jornadas de trabalho exaustivas não são sinônimo de alta performance — são, na verdade, o caminho mais rápido para o colapso cognitivo e emocional. O cérebro humano não foi projetado para operar em modo contínuo, sem pausas ou tempo de recuperação.

Em um mundo em que a exaustão virou símbolo de dedicação, é urgente repensar em como fortalecer a produtividade sustentável, já que o cérebro, ao contrário do resto do corpo, não dá sinais visíveis de exaustão. A não ser que esteja no limite – mas daí já pode ser tarde demais.

Matéria completa:
https://www.estadao.com.br/saude/descansar-o-cerebro-e-ato-de-inteligencia-biologica-saiba-como-restaurar-a-energia-mental/

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Qual é a melhor fase da vida ?

Qual é a melhor fase da vida segundo a psicologia?

Segundo a psicologia, a melhor fase da vida começa quando a pessoa para de viver para agradar expectativas externas e passa a agir com mais consciência e autonomia. Não se trata de egoísmo ou isolamento, mas de maturidade emocional: entender limites, aceitar imperfeições e escolher onde investir energia, segundo o NIH.

Essa fase costuma surgir depois de frustrações, erros e aprendizados. O indivíduo deixa de buscar validação constante e começa a alinhar decisões com valores pessoais. O resultado é menos ansiedade, mais clareza e relações mais honestas consigo e com os outros.

Que tipo de pensamento marca essa virada de chave?

A mudança acontece quando a pessoa entende que não precisa controlar tudo nem corresponder a todos. Esse pensamento reduz a pressão interna e permite escolhas mais realistas, baseadas no que é possível e no que realmente importa naquele momento da vida.

Na prática, isso significa aceitar que nem tudo será perfeito, que dizer “não” é saudável e que o descanso não é fracasso. Esse modo de pensar libera tempo mental e emocional, favorecendo bem-estar e decisões mais equilibradas.

Antes de avançar, vale destacar atitudes mentais que costumam acompanhar essa fase:

-   Menos comparação constante com os outros
-   Mais responsabilidade pelas próprias escolhas
-   Maior tolerância ao erro e à imperfeição

Por que esse pensamento melhora a saúde emocional?

Porque ele reduz o conflito interno e o desgaste psicológico. A psicologia mostra que grande parte do sofrimento emocional vem da tentativa de manter imagens irreais: ser produtivo o tempo todo, estar sempre disponível ou nunca falhar.

Quando a pessoa passa a aceitar limites e a priorizar o essencial, o sistema emocional entra em estado de menor alerta. Isso impacta diretamente níveis de estresse, qualidade do sono e até a forma como lidamos com problemas cotidianos, tornando-os mais manejáveis.

Essa fase tem relação com idade ou maturidade?

Não está ligada a uma idade fixa, mas ao desenvolvimento psicológico. Algumas pessoas chegam a esse ponto aos 30, outras aos 50, e há quem nunca chegue. O fator decisivo é a disposição para refletir, aprender com experiências e revisar crenças antigas.

A psicologia do desenvolvimento aponta que essa mudança costuma ocorrer quando a pessoa deixa de reagir automaticamente e passa a responder de forma consciente. É menos sobre “ter vivido muito” e mais sobre ter elaborado o que foi vivido.

Como saber se você já entrou nessa melhor fase?

Os sinais aparecem quando a vida fica mais simples por dentro, mesmo que por fora continue desafiadora. A pessoa passa a se cobrar menos, escolhe melhor suas batalhas e aceita que nem tudo precisa de resposta imediata.

Outro indício claro é a sensação de coerência: decisões fazem mais sentido, relações ficam mais seletivas e o foco se desloca do “parecer” para o “ser”. Não é ausência de problemas, mas maior capacidade de lidar com eles sem se perder emocionalmente.

Extraído de: 

https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/a-melhor-fase-da-sua-vida-comeca-quando-a-pessoa-pensa-dessa-maneira-segundo-a-ciencia/

Quando viver vira palco: curtidas, validação

Nas redes sociais, o comportamento performático transforma a rotina ao expor produtividade, visibilidade e valor pessoal no dia a dia

    Por Giovanna Rodrigues

Produzir, aparecer, render, crescer. Na sociedade atual, o sucesso parece, cada vez mais, ligado a como somos vistos pelos outros, no trabalho, nas relações, no corpo e, principalmente, nas redes sociais. 

Ser uma pessoa produtiva deixou de ser apenas sobre habilidades profissionais e passou a influenciar a forma como cada um constrói sua identidade, mede sua autoestima e se percebe no mundo. O problema é que, quando a vida vira uma entrega constante, o custo emocional costuma ser alto.

Nas redes sociais, a palavra "performático" tem surgido com frequência, sendo usado para descrever comportamentos e posturas que parecem construídos mais para serem vistos e avaliados pelos outros do que para refletir um sentimento ou experiência genuína. 

Do ponto de vista mental, a psicóloga Silvia de Oliveira explica que uma pessoa performática é aquela que passa a medir seu valor pessoal a partir do que faz e do que entrega. "A identidade começa a ser baseada na aprovação dos outros." 

A ideia de algo performático nas redes sociais está ligada à maneira como as plataformas digitais funcionam: tudo pode ser visto, medido, comparado e pontuado; curtidas, visualizações, seguidores e comentários se tornam indicadores de valor social. Essa lógica favorece comportamentos que buscam maximizar a visibilidade, muitas vezes mais do que expressar um sentimento ou realidade interior. 

Esse fenômeno está no centro de debates sobre cultura on-line. Quando alguém faz algo "performático", a impressão que se passa é de que a ação tem mais a ver com ser notado do que com ser vivido ou sentido. O resultado dessa lógica é um cansaço constante. 

Os sinais aparecem no dia a dia: medo excessivo de errar, dificuldade de desacelerar, sensação constante de não ser suficiente e dependência da aprovação dos outros. 

Identidade e autoestima 

A forma como a identidade é construída também mudou. Segundo Eliana, antes ela surgia a partir das relações e das experiências ao longo do tempo. Hoje, muitas vezes, ela vira uma espécie de curadoria de si mesmo, uma maneira de escolher cuidadosamente o que mostrar e como mostrar, com base em como será percebido ou avaliado pelos outros. "A identidade passa a ser construída em posts, fotos e vídeos, sempre pensando no olhar do outro", explica.

Essa dependência da reação externa afeta diretamente a autoestima, e curtidas, comentários e visualizações funcionam como termômetros do valor pessoal. "Quando a validação vem mais de fora do que de dentro, a autoestima fica instável", resume Eliana.

As redes sociais intensificam esse processo ao mostrar apenas recortes idealizados da vida. "A impressão é que todo mundo está sempre feliz, bem-sucedido e produtivo", diz Silvia. A comparação constante alimenta uma cobrança silenciosa para estar sempre performando. Aos poucos, o olhar do outro passa a valer mais do que a própria experiência vivida.

Para Eliana, isso cria uma pressão social para parecer bem o tempo todo. Sofrimento, dúvidas e momentos difíceis raramente aparecem porque não "geram engajamento". "Existe uma expectativa de felicidade constante. Quem não performa sucesso ou alegria pode se sentir invisível ou fracassado", analisa.

Os efeitos desse cenário são ainda mais fortes entre os jovens. Márcia explica que quem cresce sob a lógica do algoritmo enfrenta desafios maiores para fugir desse ideal. A comparação constante com padrões inalcançáveis de beleza e sucesso contribui para o aumento da ansiedade e da depressão. 

Matéria completa: 

https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2026/01/amp/7334406-quando-viver-vira-palco-curtidas-validacao-e-a-cultura-da-performance.html