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terça-feira, 10 de julho de 2018

No limite, o mundo globalizado

Por Márcia Denser

No limite, o mundo globalizado caracteriza-se precisamente como uma “corporatocracia”, ou seja, é dominado pelas corporações. Então me ocorreu que ninguém melhor que Naomi Klein em seu livro, A Doutrina do Choque – a ascensão do capitalismo de desastre, para dissecar o catastrófico poder corporativo. Segundo ela, o fenômeno ocorre na intersecção entre superlucros e megadesastres: Estava claro que os desastres facilitadores estavam se tornando maiores e mais chocantes, porém o que estava acontecendo no Iraque e em New Orleans não era uma versão posterior ao 11 de setembro, pelo contrário, esses experimentos audaciosos com a exploração das crises eram o ponto culminante de três décadas de uma adesão rigorosa à doutrina do choque. 
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Definido como um “complexo do capitalismo de desastre”, esse modelo possui tentáculos de alcance muito maior do que o complexo industrial-militar da era Eisenhower: trata-se de uma guerra global travada em todos os campos pelas empresas privadas, cuja participação é paga com dinheiro público, que se legitima indefinidamente pela necessidade de proteger o território dos Estados Unidos mediante a eliminação de todo o “mal” existente no mundo exterior.

O objetivo central das corporações que operam no centro desse complexo é trazer para o funcionamento regular dos Estados-Nação seu modelo de administração voltado para o lucro, que progride rapidamente sobretudo em circunstâncias excepcionais, reais e/ou fabricadas. 

Em síntese: trata-se de privatizar os governos. Do comércio de armas aos soldados privados, da reconstrução com fins lucrativos a industria de segurança nacional, resultou do  pós-11 de setembro uma nova economia totalmente articulada. Construída na era Bush, ela agora existe globalmente, independente de quaisquer governos, e vai continuar exercendo seu domínio absurdo e insano até que a ideologia das corporações, que a sustenta, seja identificada, isolada, questionada e colocada em cheque.
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Seguindo rigorosamente os princípios corporatistas, segundo os quais o Grande Governo une forças com os Grandes Negócios a fim de redistribuir os fundos para cima - entre os ricos - a segunda gestão Bush/Rumsfeld/Cheney, queria gastar menos com pessoal e transferir muito mais dinheiro público diretamente para os cofres das empresas privadas. Aliás, o dogma central do regime Bush era que a função do governo não é governar,isto é, cumprir as funções para as quais fora eleito, mas sim subcontratar a tarefa para o setor privado. 


O fato é que onde quer que tenha surgido, de Santiago a Moscou, de Beijing ao Iraque, com o governo Bush a aliança entre uma pequena elite das corporações com um governo de direita passou a ser retratada como uma espécie de aberração – capitalismo de patota,  capitalismo mafioso, capitalismo-cassino. Que quebrou em outubro de 2008 e renasceu graças ao Congresso e à “generosidade do povo norte-americano” (vide o documentário de Michael Moore, “Captalism, A Love Story”, 2009).

Vide o Brasil aqui e agora, um país sem futuro!

Trecho de um artigo publicado no site GGN.

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